segunda-feira, 20 de abril de 2015

Empreiteiras atingidas pela Lava-jato deverão encolher para o tamanho que tinham antes do Governo Lula

      Algumas das grandes empreiteiras do país, atingidas pela Operação Lava-jato, vão encolher para o que eram antes do boom econômico dos anos Lula. Para pagar dívidas bilionárias, essas empresas estão promovendo um feirão de concessões de aeroportos, rodovias, empresas de saneamento e estaleiros.
      Grupos estrangeiros e locais se organizam para ir às compras e aproveitar as oportunidades que apareceram com o “petrolão”, mas ao mesmo tempo têm receio de se envolver com empresas enroscadas no escândalo. Os aeroportos de Guarulhos, Brasília e Natal, privatizados no governo Dilma, estão à venda. Se houver uma boa proposta, o aeroporto de Viracopos (Campinas) pode entrar no pacote, mas, por enquanto, os sócios não têm interesse em se desfazer dele.
      A construtora Engevix colocou à venda sua participação na Inframérica, consórcio que opera os aeroportos de Brasília e Natal. A empresa espera obter cerca de R$ 400 milhões com o pacote, mas a venda não deve ser fácil. Grupos estrangeiros já avaliaram o negócio, mas acham que os sócios argentinos da Inframérica podem exercer seu direito de preferência. Eles já estariam procurando financiamento para comprar essa participação.
      A OAS colocou à venda os 24,4% que possui na Invepar, concessionária do aeroporto de Guarulhos, do metrô do Rio e de várias rodovias. O negócio pode acabar nas mãos da gestora de recursos Brookfield, do Canadá. Os canadenses vão conceder um financiamento emergencial de R$ 800 milhões para OAS. Receberão, como garantia, um pedaço dos 24,4% que a empreiteira tem na Invepar.
      A operação será definida depois que os credores aprovarem a reestruturação da dívida da OAS, o que deve demorar seis meses. Outro ponto de incerteza na operação é o valor atribuído à Invepar. Até agora, as propostas não ultrapassaram R$ 1,5 bilhão, e a OAS pede R$ 2,8 bilhões, pressionada pelos fundos de pensão que são sócios do negócio e não querem ver seu patrimônio desvalorizado por uma proposta menor.

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