quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Canal de Suez comemora 150 anos movimentando mais de 70 mil navios desde sua ampliação

         Em 17 de novembro, o Canal de Suez, a rota marítima mais curta entre a Europa e os países do Oceano Índico e do Pacífico Ocidental, completou 150 anos entre a satisfação das autoridades egípcias e as sombras do cumprimento de seus objetivos.
         O chefe da autoridade administrativa do canal de Suez, almirante Osama Rabie, destacou o "sucesso" dessa infraestrutura e o "prazer" de comemorar seu 150º aniversário, um "evento único no coração dos egípcios".
          Rabie disse que "o Canal de Suez abriu e mudou o mapa do mundo para sempre" e disse que atualmente 10% do comércio marítimo mundial transita por essa etapa artificial e seu volume "não para de crescer".
         Em agosto de 2015, o presidente egípcio Abdelfatah Al Sisi inaugurou a expansão do Canal de Suez, cujo custo de construção ultrapassou US $ 1.241 milhões, entre a criação do novo canal, que percorre os quilômetros 60 a 75, e a expansão do canal existente. .
         Com a expansão do canal, o tempo de trânsito dos navios foi reduzido, o que também pode ter mais calado e tonelagem do que antes. Por sua vez, a nova via marítima facilita o tráfego em duas direções. Segundo a Autoridade do Canal de Suez, mais de 70.000 navios já transitaram desde a expansão.
         O canal é uma das principais fontes de câmbio para os cofres do Egito e, no ano fiscal de 2018 e 2019, gerou uma receita de US $ 5,9 bilhões, o número mais alto de sua história.
         Nesse contexto, em 2 de agosto, as autoridades comemoraram a execução do projeto, destacando que naquela data 81 embarcações carregadas com 6,1 toneladas haviam atravessado o canal, representando o valor mais alto registrado até o momento.
         No entanto, apesar de essas receitas serem 5,4% superiores às do mesmo período do ano anterior, a atividade não cresceu à taxa de US $ 13.000 milhões em 2023, objetivo estabelecido pelas autoridades egípcias ao inaugurar o Novo canal de Suez.
          Essa é a visão do analista político Timothy Kaldas, do Instituto Tahrir para o Oriente Médio, que afirmou que a renda gerada após a expansão não segue o caminho pelo qual o governo egípcio justificou a expansão, segundo a EFE.

Ascensão das máquinas faz inteligência artificial chegar à logística


          Quando a empresa de entregas Speedy implementou um novo sistema de análise preditiva alimentado a Inteligência Artificial (IA), os seus custos baixaram perto de 9% e a taxa de utilização da sua frota subiu de 72% para 82%. Foi uma diferença importante para a empresa do DPDgroup, a segunda maior rede de entrega de encomendas da Europa, e um caso de estudo para a fornecedora do sistema, Transmetrics.
          A plataforma que desenhou para a logística faz uso de IA e algoritmos proprietários que permitem ajudar os operadores em toda a linha – desde otimização da frota a planejamento de capacidade sazonal. A empresa, que criou uma solução específica para o negócio da Speedy, tem na lista de clientes várias companhias Fortune 500 e até está interessada em expandir os seus negócios para o mercado português.
          “Viajamos para Portugal várias vezes nos últimos dois anos e falamos com vários clientes potenciais, tanto grandes como pequenos”, revelou o CEO da Transmetrics, Asparuh Koev. “Há interesse e acredito que eventualmente alguém tomará a dianteira e será o primeiro a levar estes benefícios para o mercado local.”
          É algo que já mexe no panorama nacional, embora o tecido empresarial português seja composto sobretudo por pequenas e médias empresas e a IA aplicada à logística esteja a ser mais procurada pelos grandes operadores, que têm capacidade de investimento, processos bem definidos e muitos dados para analisar. “Não é surpreendente, porque a IA requer maturidade de processos, que existe nas grandes companhias, e também, na fase inicial, investimento em inovação”, referiu Koev. Mas a tendência está a tornar-se rapidamente global.
          Trata-se de um novo mundo para as operações de logística que tira partido de tecnologias que há poucos anos nem sequer existiam. E há cada vez mais empresas a competirem para oferecer a melhor combinação de Inteligência Artificial, Machine Learning, análise preditiva e robótica para revolucionar a logística, desde as maiores tecnológicas, como Oracle e Microsoft, às especialistas mais pequenas e focadas, como a Transmetrics.
          A procura justifica. De acordo com um novo relatório da Kenneth Research, o mercado de Inteligência Artificial na cadeia de valor e logística vai crescer 45,6% ao ano até 2025, ano em que valerá 10,157 milhões de dólares (mais de 9 mil milhões de euros). É uma evolução notável tendo em conta que este mesmo mercado valia 456,2 milhões de euros em 2017, que se deve sobretudo à ascensão do Big Data, procura por maior visibilidade e transparência nos dados e a necessidade de melhorar serviços e satisfação dos clientes.
          “São cada vez mais frequentes as empresas que realizam provas de conceito e experiências com estas tecnologias”, afirma Francisco Rocha, senior manager da Capgemini Portugal. “Tratando-se a logística de um negócio que gera uma quantidade muito significativa de dados e informação, o seu domínio e exploração torna-se cada vez mais relevante, e não seria exagero dizer que, quem melhor usufruir desse importante ativo, melhor se posicionará para enfrentar os desafios do futuro”, sublinhou o responsável.
          A tendência está a ser notada, como referido, não apenas entre as grandes empresas, mas também nos pequenos operadores de nicho, porque “todos começam a entender as potencialidades da tecnologia, nomeadamente para exponenciar a capacidade de cálculo e de análise de dados em grandes volumes.”
          Segundo os analistas da Kenneth Research, aquilo que está a impedir o mercado de se desenvolver ainda mais rapidamente é o número limitado de especialistas em IA, algo que decorre da já crônica falta de recursos humanos na área tecnológica. Francisco Rocha nota que “o ritmo galopante a que aparecem novas tecnologias dificulta a absorção de conhecimento sobre as mesmas e sobre a sua utilidade”, o que atrasa o ritmo de adoção.
          “A grande dificuldade está em perceber qual a melhor tecnologia para a necessidade específica que cada empresa enfrenta em cada momento”, acrescenta, “tornando-se cada vez mais essencial que as empresas disponham de uma rede de parceiros que as apoiem nesse processo de modo a garantir os resultados esperados.”
          Quais são esses resultados, os que as empresas podem esperar? Tudo depende do tamanho da operação, da qualidade dos dados e dos objetivos da implementação. As alterações podem beneficiar a operação nos armazéns, o processo de entregas, a gestão de frotas, o planejamento de capacidade, até a decisão de onde colocar o próximo armazém. De um modo geral, a aplicação de Inteligência Artificial na logística permite otimizar processos, alocar recursos de forma mais eficaz, automatizar tarefas e fazer uma gestão preditiva em vários níveis. Há uma série de outras áreas relacionadas com esta nova vaga de IA, entre as quais Internet das Coisas (IoT), de onde vêm grandes volumes de dados, robótica, que está interligada, e Machine Learning, que muitas vezes é colocado debaixo da grande tenda da Inteligência Artificial.
           “A utilização destas tecnologias está particularmente direcionada para lidar com a análise e o tratamento de dados em grandes volumes, de modo a identificar tendências e antecipar necessidades futuras”, explica Francisco Rocha. Todos os processos em que se tenha de “dimensionar, selecionar, comprar ou estimar” podem ser otimizados com a introdução destas tecnologias.
          Mas como e por onde começar? A seleção do fornecedor e do parceiro que ajudará na implementação é mais fácil se a empresa já tiver um processo de transformação digital em curso, com foco na recolha de dados de qualidade. A linha da frente, em termos de oferta, é a esperada: a Microsoft tem o Azure AI, a Oracle tem a AI Apps, a IBM disponibiliza o Watson Supply Chain, a SAP tem a plataforma Leonardo, e há um número crescente de empresas inovadoras a entrar, como a portuguesa Huub, que se dedica a logística para marcas de moda e tem uma componente forte de Inteligência Artificial.
          Transversal às soluções é a importância dos dados, “o novo petróleo”, como lembra Daniel Duque, diretor de serviços de vendas da Microsoft Portugal. O tratamento e processamento dos dados permite “criar formas de otimizar os processos de armazenamento e de picking”, enquanto a otimização de rotas, gestão preventiva e preditiva das frotas, o planejamento de stock, as entregas e as encomendas vão beneficiar ou já beneficiam dos novos algoritmos e capacidades de processamento e autoaprendizagem (Machine Learning). A Microsoft tem na lista de clientes que estão a usar Azure AI para logística alguns dos maiores nomes do mercado, incluindo a Maersk, Linx, Shell, UPS, Uber e Rolls Royce.
          O responsável de soluções de engenharia da Oracle Portugal, João Borrego, sublinha que são os dados que alimentam os algoritmos das plataformas. “Todo o sistema aprende e adapta-se continuamente com base nos dados da empresa para otimizar resultados gerados por IA que resolvem problemas empresariais reais”, sintetiza. Segundo o especialista, são tecnologias que permitem otimizar decisões e automatizar transações, simplificando a execução da cadeia de fornecimento. A Oracle “criou processos de negócio unificados globais ajustados à cadeia de fornecimento do século XXI”, afirma.
          É possível também olhar para tecnologias associadas, como Daniel Duque faz ao mencionar a Realidade Aumentada, que podem beneficiar as operações de warehousing. “Os funcionários que operam num armazém normalmente executam várias atividades na gestão de encomendas: localizar o produto correto, digitalizá-lo, movê-lo e entregá-lo na doca de carga”, explica. “No entanto, [se] imaginamos a utilização de serviços cognitivos de visão, que automaticamente podem identificar a localização de um produto, determinar se é o correto, se está disponível para entrega, num ritmo e dinâmicas muito mais céleres comparadas com um ser humano, compreendemos que também aqui a IA é um benefício.”
          A robótica e automação permitirão, por outro lado, otimizar as atividades repetitivas e gerar “um ganho substancial” na produtividade e competitividade das empresas, garantiu o executivo da Microsoft. Isto é algo que começa a acontecer com bons resultados, ainda que estas aplicações estejam em fase embrionária. A consultora Tractica estima que as remessas mundiais de robôs para armazéns e logística vai crescer rapidamente durante os próximos cinco anos, de 194 mil unidades, em 2018, para 938 mil unidades por ano, em 2022. Só nesta categoria, as receitas vão multiplicar-se de 8,3 mil milhões de euros, em 2018, para 30,8 mil milhões de euros, em 2022, oferecendo “oportunidades significativas” tanto para os players estabelecidos como para os emergentes, segundo os dados da consultora.

Cresce debate sobre redução de velocidade nos navios para diminuir contaminação do transporte marítimo


          Um relatório da Seas at Risk e Transport & Environment afirma que a redução da velocidade de navegação dos navios reduzirá massivamente os danos que o transporte marítimo está causando ao meio ambiente.
          O conselheiro sênior de política da Seas at Risk, John Maggs, disse que “o desafio à medida que avançamos é garantir que essa abordagem simples seja adotada e aplicada de tal maneira que todos os navios contribuam para reduzir as emissões relacionadas à velocidade "
          O relatório foi publicado às vésperas da última rodada de negociações das Nações Unidas para reduzir a contribuição do transporte marítimo para a crise climática, ocorrida em Londres, na sede da Organização Marítima Internacional (IMO).
          Após o caso, a Coalizão de Remessa Limpa (CSC) disse que "a falta de progresso e a baixa ambição são profundamente preocupantes e decepcionantes". De acordo com Transportes e Meio Ambiente, "a IMO não fez mais do que revisar as opções que já estavam sobre a mesa e deu muito tempo às medidas técnicas a serem tomadas tarde demais".
          Note-se que o Japão e a Noruega propuseram certificar navios que limitam a potência de seus motores. No entanto, as organizações de mudanças climáticas garantem que a medida não seja muito ambiciosa e suscetível a armadilhas, uma vez que "ela não alcançará reduções urgentes e profundas nas emissões necessárias para o transporte marítimo responder adequadamente à emergência climática". , publicado Transport & Environment.
          O chefe da política de transportes do Transporte e Meio Ambiente, Faig Abbasov, afirmou que “a IMO passou mais uma semana conversando sem decidir nada (...) Tudo está lento na IMO, exceto navios poluentes e isso precisa mudar. Com a proposta da Noruega e do Japão, a OMI está se desviando de seu curso e alcançará nada além de lavagem verde (termo usado quando as empresas enviam uma proposta como ambientalmente amigável, embora na realidade não seja).
          Por outro lado, o gerente de campanha de emissões da Ocean Conservancy, Dan Hubbell, disse que “existe um risco real de que, ao desenvolver medidas, a IMO pretenda apenas atingir o nível mínimo de objetivos estabelecidos em uma linha de base ambiciosa. "
         "A IMO deve seguir a ciência e buscar a descarbonização total do setor de transporte marítimo até 2050, o que torna algumas medidas mais apropriadas que outras", concluiu Hubbell.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

TCU tem 120 dias para deliberar sobre edital de concessões na área de infraestrutura

          O Tribunal de Contas da União terá 120 dias para deliberar sobre estudos de viabilidade e minutas de edital de concessões - principalmente na área de infraestrutura - a serem leiloadas pelo governo federal. Se não houver análise dentro desse prazo, os estudos e editais estarão automaticamente aprovados.
          Esse é um dos 231 itens do relatório do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) para o marco legal das concessões e parcerias público-privadas (PPPs). O texto, obtido pelo Valor, será apresentado nesta semana à comissão especial da Câmara.
          Sua proposta pretende também dar mais conforto para a tomada de decisões por diretores de agências reguladoras. Eles poderão contar com seguro de responsabilidade civil oferecido pelas próprias agências e com a garantia de defesa pela Advocacia-Geral da União. Com isso, pretende-se atacar um ponto criticado pelo setor privado: a demora dos agentes públicos em tomar decisões.

Setor portuário da América do Sul recebe fortes investimentos apesar das turbulências políticas

        “A turbulência política que abalou a América do Sul nos últimos tempos e suscita alarmes que podem alterar o clima dos investimentos nos portos, e a Guerra Comercial entre os Estados Unidos e a China, cujo impacto no comércio mundial é evidente; à primeira vista, não terão grandes conseqüências nos processos de investimento público e privado em infraestrutura e equipamentos portuários em andamento ”, afirma o advogado, árbitro e professor de Direito Marítimo, José Antonio Pejovés
          De fato, ele diz: “Temos que a região está passando por um momento em que os investimentos em projetos portuários, que, embora possam ser melhores, podem incentivar expectativas prudentes da perspectiva de olhar para o copo 'meio cheio' de tal maneira que ajuda a promover um ambiente positivo que tenta acalmar as águas nos setores público e privado, vinculados à indústria portuária. ”
         Segundo o advogado, algumas publicações importantes divulgadas no TOC Americas 2019, realizadas em Cartagena das Índias há alguns dias, relatam investimentos no setor portuário sul-americano que devem ser destacados.
         Nessa linha, ele detalha que a última edição da publicação em inglês, World Cargo News, contém uma parte dedicada à América do Sul - America Focus -, que destaca vários processos de investimento público e privado nos portos, a presença de operadores portuários chineses e o fato de o Brasil, a Colômbia e o Peru estarem atraindo a maior atenção da região.
         É mencionado o investimento de aproximadamente US $ 170 milhões mencionado pela DP World na infraestrutura do Porto de Santos (Brasil); o investimento de US $ 150 milhões com financiamento do BID, que Itapoá Terminais Portuários fará no porto de Santa Catarina de Itapoá (Brasil); os US $ 300 milhões que a SPBC e a CMA CGM investirão no desenvolvimento do Porto de Antioquia (Colômbia); os US $ 50 milhões que o COMPAS investirá no porto de Cartagena (Colômbia); e o projeto de US $ 3000 milhões a ser realizado pela Cosco Shipping Ports e pela empresa de mineração Volcan para o desenvolvimento do porto multiuso de Chancay em Lima (Peru).