quinta-feira, 23 de abril de 2015

The Economist publica artigo classificando Dilma Rousseff de "O Fantasma do Planalto"

      A última edição da revista inglesa The Economist publica artigo sobre a gestão da presidente Dilma Rousseff, classificando-a como "O Fantasma do Planalto". O texto fala das recentes manifestações de rua contra a presidente e o PT, frisando que os que foram para as vias públicas já ganharam mais do que imaginam, pois em menos de quatro meses após o início de seu segundo mandato consecutivo Dilma continua em seu cargo, mas para muitos efeitos práticos, não está mais no poder.

      "Quem comanda a economia é o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o PMDB detém as rédeas da política. Além disso, o seu partido, o PT, não toma mais as decisões em Brasília", diz o texto que destaca as dificuldades de Dilma em se manter no poder, citando que a incendiária combinação da deterioração da economia com o grande escândalo de corrupção na Petrobras contribuiu para derrubar seu índice de popularidade.

      A revista lembra a pesquisa Datafolha, divulgada no dia 11 de abril, na qual 63% dos entrevistados se dizem favoráveis ao impeachment da presidente. Ao falar sobre o tema, a revista diz que a oposição busca pareceres jurídicos para saber se ela pode ser acusada em razão do escândalo da Petrobras ou pela violação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

      O artigo afirma que a situação atual é um grande revés para o PT, que durante anos dominou a política brasileira graças ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E que o mais dramático "nessa hemorragia do poder presidencial" é que Dilma tem ainda pela frente quase quatro anos de mandato.

      "Nesse tempo a economia vai certamente piorar antes de melhorar" prevê a publicação, indagando se ela sobreviverá. Em outro trecho o artigo faz um contraponto de que como ex-guerrilheira que já sobreviveu à tortura, dificilmente pode-se esperar que Dilma renuncie.

      Apesar das críticas, a The Economist destaca que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), classificado de líder intelectual da oposição, tem razão ao advertir que o impeachment neste momento seria uma temeridade. E argumenta que os movimentos sociais, por trás dos protestos de rua, poderiam nos próximos três anos promover a reforma política, pressionar a Justiça a punir os responsáveis no caso do petrolão e reinventar a moribunda oposição.

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