sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Presidente da AEB diz que com Trump na Casa Branca comércio global deverá ser redirecionado

         O resultado da eleição presidencial dos Estados Unidos foi a notícia mais impactante do ano de 2016 e também a maior incógnita para as previsões econômicas globais. A única certeza é de que as tendências protecionistas do futuro ocupante da Casa Branca, Donald Trump, devem redirecionar o curso do comércio exterior, tanto no fluxo de mercadorias quanto na relação entre os países.
         A recente exigência da China junto à OMC (Organização Mundial de Comércio) para que o país seja reconhecido como economia de mercado já pode ser considerada como o primeiro dos atritos com que os Estados Unidos e a União Europeia terão de lidar. As rusgas entre as potências poderiam significar vantagens para o Brasil. Mas, como era de se esperar, não estamos preparados. Pelo contrário, “não temos preço e nem capacidade para competir”, avisou o Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro.
         Para ser uma economia plena de mercado, as regras da OMC determinam que o país associado variem apenas em função da oferta e da procura, e do custo de sua produção e escoamento, com o mínimo de interferência do governo. Nesse item, a reputação da China ainda deixa a desejar, uma vez que a atividade comercial do país asiático ainda é fortemente controlada pelo Estado.
        Embora já pertença aos associados da OMC desde 2001, a China operava sob certa desvantagem por ter aderido a uma cláusula do estatuto que a desfavorecia em julgamentos de dumping. Após a expiração da cláusula, no início de dezembro, o país esperava ser aceito como sócio pleno, porém os gigantes julgaram que a hora ainda não havia chegado: Estados Unidos e União Europeia disseram ainda não considerar que a China merecesse tal reconhecimento.
        Em nota oficial, o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, confirmou a delicadeza da avaliação: “Não há uma metodologia ou uma precisão absoluta sobre quando uma economia é de mercado e quando não é. Não é a OMC quem diz isso, cada país determina se um determinado parceiro comercial é uma economia de mercado ou não”, justificou.
         No Especial Perspectivas José Augusto de Castro, monta o panorama. A AEB estima que o câmbio deva permanecer entre R$ 3,20 e R$ 3,50 no ano de 2017, embora ainda considere que deva haver novas projeções ao longo do ano. Especialmente no comércio com a China, o câmbio não deve fazer muita diferença, uma vez que, no caso das commodities, a taxa cambial tem mais efeito na lucratividade financeira do que na atividade comercial. Os manufaturados, por sua vez, deverão sofrer – ou continuar sofrendo, já que apresentaram queda de 1,1% nas exportações, e devem cair ainda mais. “Exportar manufaturados, especialmente para a União Europeia, deve ficar ainda mais difícil após a desvalorização de cerca de 20% do euro frente ao dólar”, avalia o relatório da AEB para 2017.
         José Augusto de Castro atribui a falta de competitividade da indústria brasileira de manufaturados primordialmente ao preço – e neste, estão incluídos não só o câmbio, mas também os custos logísticos, burocráticos, trabalhistas e tributários, ou seja: o famoso ‘Custo Brasil’. “Nossos montantes de exportação registrados em 2015 e 2016 estão menores do que os números atingidos em 2006, ou seja: estamos em queda há 10 anos”, alerta. Com a falta de competitividade, continuaremos focando nossas exportações de manufaturados no mercado sul-americano, para o qual conseguimos suprimir alguns custos, especialmente os cambiais e logísticos. Caso a Argentina confirme o crescimento do PIB em 3,5%, como provavelmente deverá acontecer, a AEB estima que o fluxo de exportações do Brasil para o país vizinho deva crescer ainda mais.
         Entre as ações previstas para impulsionar o país, Castro menciona as reformas governamentais, e acrescenta o setor portuário entre as prioridades. “O governo acena com reformas tributária, trabalhista e previdenciária, mas tem incluído, por meio dos grupos de trabalho, uma revisão necessária na lei portuária, que é imprescindível para estimular a competitividade do País”, explicou, lembrando que, no caso dos portos, melhorar tanto a infraestrutura quanto a regulamentação é fator crucial para gerar concorrência e baixar custos.
         Diante da previsão de fusão dos grandes armadores que operam no Brasil, após a notícia da compra da Hamburg-Süd pela Maersk Line, José Augusto de Castro avalia, com otimismo, que o mercado poderá se beneficiar: “teoricamente, quando e racionalizam as operações, há redução de custos, e isso pode trazer benefícios para o embarcador”.
         Contabilizando os fatores que poderão ter influência direta sobre as perspectivas para 2017, José Augusto de Castro enfatiza a recente decisão da OPEP em conter a produção do petróleo, eliminando 1,2 milhões de barris a partir de janeiro de 2017, para regulação dos preços mundiais de combustíveis. A medida deve ter impacto, embora ainda não exatamente previsível, tanto sobre a produção industrial como sobre os fretes mundiais de transportes, bem como negociações comerciais globais.
         O mesmo acontecerá com os minérios de ferro, cujo setor sofreu recentemente uma variação brutal de preços, chegando a aumentar 50%, “em caráter especulatório”, segundo avalia José Augusto de Castro, lembrando que a medida provavelmente pode ter sido impulsionada pelas intenções de Donald Trump de investir em infraestrutura. “Isso nem tem muita lógica, uma vez que é sabido que o mundo tem um excedente de produção de minérios”. E, mais uma vez, ele relembra que as relações com a China devem ser consideradas com bastante cautela, uma vez que o país, por mais que venha diminuindo suas importações desse tipo de bens estruturais para se tornar consumidor, a ainda é o grande comprador mundial.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Dragagem no Terminal do Mucuripe aguarda definição do governo federal

          Apontado pelo titular da Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor), Erick Vasconcelos, como o principal empecilho ao desenvolvimento do mercado de cruzeiros em Fortaleza, a dragagem do Porto do Mucuripe ainda aguarda uma definição do governo federal, segundo informa a Companhia Docas do Ceará (CDC).
         "A dragagem foi um pedido da Companhia Docas do Ceará realizado no ano de 2014 e desde então aguarda resposta do Governo Federal. Mais informações sobre licitação/andamento podem ser esclarecidas com o Ministério dos Transportes", indica a assessoria de imprensa da Companhia.
         Para o secretário, no entanto, a indefinição da obra continua causando inconveniências aos turistas que vêm para Fortaleza em cruzeiros. "O cruzeiro tem que atracar no porto antigo e os passageiros precisam se deslocar de ônibus até o novo terminal de passageiros. É um transtorno tanto para os visitantes quanto para quem oferece o serviço. Isso gera um desinteresse das empresas", lamenta Vasconcelos. Em algumas chegadas de navios, os tripulantes sequer tinham táxis à espera deles.
          Responsável pela administração do porto onde desembarcam tais turistas e, consequentemente, pela logística de transporte deles entre os terminais antigo e novo, a Companhia Docas informa também, via nota à reportagem, que "o Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Fortaleza vem sendo utilizado quando há atracações de cruzeiros no Porto. A Companhia Docas do Ceará realiza a recepção destes navios em seu Berço 105 e TMP (Terminal Marítimo), mediante as autorizações expedidas pela Alfândega do Porto de Fortaleza".
         Ao mesmo tempo que informa do andamento da dragagem do Porto do Mucuripe, a Companhia Docas do Ceará ainda destacou o impacto do cenário econômico nacional para o setor ao afirmar que "a crise internacional afetou o turismo realizado pelas companhias de cruzeiros internacionais e nacionais, verificando-se uma queda em todos os portos da costa brasileira". A nota enviada pela CDC ainda acrescenta que "os armadores de cruzeiros internacionais realizam suas escalas de rota turística brasileira conforme a conveniência deles".

Porto de Itajaí deve fechar o quinto ano consecutivo com prejuízo

         A Superintendência do Porto de Itajaí (SPI) deve fechar o ano com déficit de cerca de R$ 1,7 milhão. A previsão leva em conta os resultados de janeiro a novembro deste ano, quando a arrecadação da SPI chegou a R$ 59,9 milhões, contra R$ 61,6 milhões em despesas.
         Será o quinto ano seguido de prejuízos no órgão que controla o porto público, e responde pela manutenção da infraestrutura de navegação. Para se ter ideia, no ano passado o déficit na superintendência foi de R$ 5,4 milhões, menor apenas do que o de 2009, quando o porto ainda sofria as consequências da grande enchente do ano anterior e ficou meses sem receber navios.
         As enchentes, aliás, estão entre as razões para o débito, de acordo com o relatório financeiro divulgado pela SPI, com dados de 2009 a 2016. Desde 2008 o Porto de Itajaí não consegue operar todos os 4 berços de atracação _ seja por avarias decorrentes das cheias, seja por necessidade de reformas. Além disso, houve atrasos em obras fundamentais para turbinar a movimentação, migração de linhas para outros terminais e a centralização das decisões em Brasília.
         Para o atual superintendente, Antônio Ayres dos Santos Junior, a solução está na conclusão das obras de infraestrutura (berços, dragagem e bacia de evolução), desburocratização de processos e na extensão de contrato da APM Terminals, arrendatária do Porto de Itajaí. Todos, pleitos que passam pelo governo federal e que dependerão da capacidade de articulação do governo Volnei Morastoni (PMDB) a partir de janeiro.

Exportações de produtos siderúrgicos crescem 25% em novembro, mas a produção cai

         A produção brasileira de aço bruto alcançou, em novembro, 2,4 milhões de toneladas, com queda de 4,8% em comparação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado em 11 meses, a produção atingiu 28,1 milhões de toneladas de aço bruto, com retração de 8,9% sobre igual período de 2015.
         Os dados divulgados pelo IABR (Instituto Aço Brasil), mostram ainda que nos laminados, a produção foi de 1,8 milhão de toneladas em novembro, com redução de 3,4%. No período janeiro a novembro, a produção de laminados nacional somou 19,5 milhões de toneladas, mostrando redução de 7,7% sobre o mesmo período de 2015. Em meados de novembro, o comércio de aço já tinha apontado perspectivas falhas, apontando crise no mercado interno e excesso de aço o mercado internacional, levando a redução da atividade.

         No respectivo mês, as importações cresceram 67,6% em relação ao mesmo mês de 2015, atingindo 228 mil toneladas, com valor de US$ 172 milhões. Apesar do aumento em novembro, os resultados registrados nos 11 primeiros meses de 2016 significaram queda de 45,8% em tonelagem e 48,4% em valor ante o mesmo período de 2015. Entre janeiro a novembro, as importações totalizaram 1,7 milhão de toneladas, equivalendo a US$ 1,5 bilhão.
          As exportações de produtos siderúrgicos em novembro deste ano tiveram aumento de 25,4% em volume (1,1 milhão de toneladas) e 44,6% em valor (US$ 488 milhões), em comparação a igual mês de 2015. No acumulado do ano, os embarques para o mercado externo totalizaram 12,1 milhões de toneladas, com faturamento de US$ 5 bilhões, o que, apesar do resultado de novembro, representaram quedas de 0,2% em volume e de 16,8% em valor, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
         

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Implantação de gates automatizados permitirá acompanhamento das cargas das zonas produtoras aos terminais de Santos

         Os futuros gates (portões) de acesso ao Porto de Santos, que serão instalados pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) na entrada da cidade, devem estar preparados para lidar com caminhões que cheguem fora do horário agendado ou com problemas de documentação. O alerta é do vice-presidente do Ergos Group, Maxwell Rodrigues, responsável por implantar um projeto semelhante no Porto de Vitória (ES). 
          Para o executivo, a localização dos gates deve levar em consideração a reforma do sistema viário na entrada de Santos, a ser realizada pela Prefeitura, pelo Governo do Estado e pela União. O empreendimento garantirá novos acessos ao cais santista – hoje, há apenas um.

         A implantação dos novos gates, que vão permitir o acesso automatizado dos caminhões às duas margens do Porto, integra a próxima fase do programa Cadeia Logística Portuária Inteligente (Portolog), do Governo Federal, na região. Atualmente, a Docas planeja abrir uma licitação para a contratação do projeto-executivo dessa etapa.
         O Portolog permitirá o acompanhamento das cargas das zonas produtoras, no Interior de São Paulo e em outros estados, até os terminais marítimos. Ele é implantado em etapas. Além de áreas públicas do Porto, terminais e pátios, o programa cobre os corredores rodoviários do País. Para tanto, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Agência Nacional de Transportes Aquáticos (Antaq) e a Empresa de Planejamento e Logística (EPL) participam da iniciativa.
         Segundo informações iniciais, a ideia é que o sistema a ser instalado no Porto seja integrado aos programas de agendamento dos pátios reguladores e o das câmeras da Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI). As imagens das câmeras de vigilância da Docas, espalhadas na área portuária, também farão parte do programa. 
         Para Rodrigues, o gerenciamento adequado das exceções nos gates – que inclui a chegada de veículos não motivados ou com divergências – é fundamental para evitar problemas na cadeia logística. 
“E surgem as perguntas: como tratar aquele caminhão sem a devida motivação? Como tratar o caminhão fora de agendamento previsto? Como tratar caminhões com divergência documental? Como tratar caminhões com informações conflitantes? Além destes pontos, o importante é saber o que fazer e como fazer, destinando estes veículos ao local adequado para que estas divergências sejam tratadas e sanadas para não comprometer a inteligência do processo daqueles que possuem 100% de exatidão da informação fornecida pelo sistema”, explicou o executivo.
         A Codesp ainda não definiu como fará essa gestão e nem o edital da licitação da próxima fase de implantação do Portolog, gerando dúvidas no setor. “A comunidade portuária fica um pouco confusa quando esses anúncios não são feitos e quando esse planejamento não é evidenciado. Quando a gente fala da integração de terminais através de sistemas e com o sistema desenvolvido pela Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), nós não sabemos se é uma via de duas mãos porque o bloqueio vai ser feito no gate do terminal. E não necessariamente em um gate público, como deveria ser feito, uma vez que a obrigatoriedade de fiscalização é da Codesp”, destacou Rodrigues.

OMC prevê crescimento do comércio global mais lento em 2017 com Trump na presidência dos EUA

         A previsão da Organização Mundial do Comércio (OMC) para 2017 é que as trocas mundiais crescerão em ritmo mais lento. A possibilidade de maior protecionismo dos Estados Unidos com o governo de Donald Trump aumenta as incertezas sobre o tema. Analistas confirmam que o republicano traz insegurança, mas esperam que Trump recue em algumas promessas de campanha e seja contido pelo Congresso norte-americano. No Brasil, exportações e importações devem esboçar recuperação, mas dependem também do comércio global.
         O gerente de Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Diego Bonomo, diz que a tendência do setor privado em relação a Trump é manter o compasso de espera. "Sempre há uma diferença entre a retórica na campanha e aquilo que é a política do governo. O que a gente tem acompanhado da montagem do ministério dele é que tem um perfil pró-negócio."
         Bonomo cita a nomeação do empresário Rex Tillerson, da gigante petrolífera ExxonMobil, para secretário de Estado e de Steven Mnuchin, ex-banqueiro do Goldman Sachs, para secretário do Tesouro. Segundo o gerente da CNI, o nome crucial para o comércio exterior ainda não foi anunciado, o do representante comercial dos EUA. O escritório, ligado à Casa Branca, tem status de ministério.
         "A gente também percebe que já houve uma mudança parcial no discurso [de Trump]. Na campanha, tinha uma retórica de que acordos comerciais são ruins, destroem empregos dentro dos Estados Unidos. Agora, o discurso é que existem acordos bons e ruins, que é preciso denunciar os ruins, manter os bons e modificar o que precisa ser modificado", pondera Bonomo.
         Para Welber Barral, da Barral M Jorge Consultoria, o acordo comercial efetivamente em risco em 2017 é a Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), tratado de livre-comércio estabelecido em 2015 entre doze países banhados pelo Oceano Pacífico. Trump já avisou que anunciará a saída dos EUA da parceria assim que tomar posse, no dia 20 de janeiro de 2017.
         "Não se espera que haja grande evolução, pois ele já disse que não vai assinar [a TPP]. Quanto a outros acordos em vigor, com certeza vários grupos [nos Estados Unidos] são a favor deles e vão atuar para evitar que haja uma denúncia. É o caso do Nafta [Tratado Norte-Americano de Livre Comércio, que reúne EUA, Canadá e México e tem o Chile como associado]."
         Embora, de forma geral, uma postura mais protecionista dos EUA seja ruim para o comércio mundial, a saída do país do Parceria Transpacífica poderia beneficiar o Brasil, segundo Bonomo. "Se o Transpacífico for aprovado, tem dois efeitos sobre o Brasil: um é que desvia o comércio, pois há alguns produtos que os EUA e países vizinhos deixarão de comprar de nós para comprar de membros do acordo. E também teria o efeito de desvio de investimento, pois, ao harmonizar regras, você facilita que eles invistam uns nos outros. Se não for aprovado pelos Estados Unidos, você deixa de ter esses efeitos. Isso pode, indiretamente, beneficiar o país", explica o gerente da CNI.
         A maior beneficiária da eventual saída dos EUA do acordo seria a China. O país encara o Transpacífico como uma tentativa de diminuir sua influência econômica na região, já que o tratado fortalece o Japão. Por vários motivos, a gigante asiática será foco das atenções no ano que se inicia.
As relações com os Estados Unidos, já estremecidas com o Transpacífico, podem piorar com Trump. Welber Barral lembra que o então candidato fez ataques à China durante a campanha. "Uma das promessas do Trump é que ele teria maior equilíbrio na balança comercial com a China. Ele vai tentar abrir mais o mercado chinês ou tentar adotar medidas antidumping contra a China e, claro, isso gera uma quebra do comércio internacional e afeta o mundo inteiro", analisa.
         Recentemente, o presidente eleito dos EUA cometeu uma gafe diplomática ao falar por telefone com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, que ligou para parabenizá-lo pela vitória. O governo americano evita contato com Taiwan para não desagradar a China, que considera o país parte de seu território e nega sua autonomia. Após o telefonema, Trump ainda foi ao Twitter para criticar os chineses. "Ele ainda vai dar muito trabalho ao Departamento de Estado", brinca Welber Barral.
         O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, lembra ainda que, no fim de 2016, venceu o prazo dado pela OMC para a China fazer ajustes e ser considerada uma economia de mercado. "O Japão já declarou que [a China] não é [economia de mercado]. A tendência é os Estados Unidos fazerem igual. O Brasil está se fingindo de morto. Os grandes parceiros não reconhecendo a China, isso vai provocar alguns probleminhas", analisa Castro.
         No cenário incerto de 2017, a AEB prevê um superávit de US$ 51,65 bilhões para a balança comercial brasileira. Segundo José Augusto de Castro, a expectativa é de uma recuperação das exportações e importações, que estiveram em queda em 2015 e 2016. Nesses dois anos, apenas o fato de as importações caírem em ritmo mais acentuado, por conta da recessão, garantiu superávits.
         "As exportações, exclusivamente por conta de commodities [algumas registram alta de preços], é provável que tenham um aumento em 2017, principalmente petróleo e minério de ferro. Acho que vai ter um aumento também das importações. Mas a chance de errar esse ano é muito grande, pois além de tudo nós temos o efeito Trump", avalia o presidente da AEB.
         "Provavelmente vai aumentar um pouco exportação e importação. Um total de 50% da importação brasileira é de insumos [para a indústria]. Quando você tem uma retomada do crescimento da economia, aumenta muito a importação de insumos", acrescenta Welber Barral, lembrando que a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 é de crescimento entre 0,5% e 1%.
         José Augusto de Castro considera a previsão de crescimento modesta e destaca que há, inclusive, quem projete que a economia ficará "no zero a zero". "[2016] foi o quinto ano de queda nas exportações. As reformas [fiscais e econômicas] são importantes, mas demoram no mínimo dois anos. A gente fica dependendo do câmbio."

Hidrovia Tietê-Paraná bate recorde em volume de cargas transportadas

         A Hidrovia Tietê-Paraná, depois de quase dois anos paralisada pela queda no nível do Rio Tietê, afetado pela estiagem, bateu este ano o recorde em volume de cargas transportadas em seu curso. De 27 de janeiro, quando a hidrovia voltou a operar, até o mês de novembro, foram transportados 7,56 milhões de toneladas entre a cidade de São Simão, em Goiás, e o interior paulista, segundo o Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo (DH). O maior volume anterior havia sido transportado em 2013, quando as barcaças carregaram 6,3 milhões de toneladas. Animado, o setor volta a receber investimentos.
         O transporte na hidrovia ficou parado de maio de 2014 até janeiro deste ano. Com a crise hídrica, o nível do reservatório de Três Irmãos e da eclusa de Nova Avanhandava, no Tietê, baixou ao ponto de impedir totalmente a navegação. As barcaças carregadas com soja, milho, celulose e madeira que saíam de São Simão e Três Lagoas (MS) não conseguiam passar o trecho mais atingido pela estiagem.
         Também foi prejudicada a movimentação de cargas de cana-de-açúcar e areia no trecho paulista. Naquele ano, o volume transportado caiu para 4,6 milhões de toneladas. Em 2015, com a hidrovia interrompida, o volume foi de 4,5 milhões. O prejuízo causado pela paralisação da navegação foi estimado em R$ 200 milhões.
         Com o retorno dos comboios, os estaleiros também voltaram a receber encomendas de barcaças, segundo o Sindicato dos Armadores de Navegação Fluvial do Estado de São Paulo (Sindasp). De cerca de mil funcionários demitidos durante a suspensão do transporte, em torno de 500 já foram ou estão sendo recontratados.
         A previsão do DH para 2017 é que o volume transportado apenas no trecho paulista chegue a 6,1 milhões de toneladas - 5,1 milhões de cargas de longo percurso e 1 milhão de toneladas de areia. Em toda a hidrovia o volume pode passar de 10 milhões/toneladas. Entre as cargas que mais utilizam a hidrovia estão cana-de-açúcar, farelo de soja, milho e soja a granel.
         O presidente do Consórcio Intermunicipal da Hidrovia Tietê-Paraná (CITP) e prefeito de Brotas (SP), Orlando Pereira Barreto Neto (PSL), prevê a retomada de negócios e do turismo fluvial na região.
No dia 9 deste mês, o consórcio reuniu prefeitos eleitos em Brotas para discutir o potencial econômico da navegação. A hidrovia tem 800 quilômetros navegáveis, passando por dez reservatórios, dez barragens e 23 pontes, numa área servida por 19 estaleiros e 30 terminais intermodais de carga. "O potencial a ser explorado é enorme. Vamos trabalhar com o governo para que as obras necessárias sejam realizadas", afirmou o presidente do consórcio.
         Para evitar que a oscilação no nível do rio volte a afetar o transporte, o governo de São Paulo abriu licitação para ampliar o canal de Nova Avanhandava. A previsão do DH é de que o processo licitatório seja concluído no início de 2017. A obra, orçada em R$ 286 milhões, consiste na escavação submersa de material rochoso em 10 quilômetros da hidrovia, aumentando a profundidade em 2,4 metros. O DH informou já ter investido nos últimos cinco anos R$ 357 milhões em obras para eliminação de gargalos na hidrovia, como ampliação e proteção dos vãos entre pilares de pontes, retificação e desassoreamento de canais.

Michel Temer revela que prepara novas medidas para financiar programa de concessões

         O presidente Michel Temer anunciou que prepara novas medidas econômicas para 2017 com o objetivo de financiar seu programa de concessões. Segundo ele, "depois de um longo inverno", o ano termina "bem" com as medidas econômicas anunciadas nas últimas semanas.
         "O primeiro semestre do próximo ano será bastante decisivo para a recuperação do país", disse. "As pesquisas mostram que, ao final dele (próximo ano), começa o crescimento," afirmou Temer. O presidente disse que o governo pensa numa segunda etapa de medidas, mas não detalhou o que está em estudo.              "Precisamos produzir outras medidas", afirmou. "Estou pensando o que é possível fazer no ano que vem para incentivar as concessões." A equipe de Temer avalia formas de melhorar o financiamento das concessões de serviços públicos ao setor privado, como aeroportos, portos, rodovias e ferrovias. Os primeiros leilões anunciados pelo governo devem ocorrer no primeiro semestre de 2017.
         Para o presidente, as "pessoas cansaram um pouco do pessimismo" e estão "desejosas de um novo tempo", o que poderá contribuir para a recuperação econômica do país. "Depois de um longo inverno, foi bom, as medidas [anunciadas nos últimos 15 dias] foram boas, bem recebidas, valeu a pena", disse Temer. "Esses R$ 30 bilhões que vão sair das contas do FGTS, por exemplo, vão circular pela economia, pouco a pouco, e ajudam. A redução dos juros do cartão também."
         O governo anunciou o refinanciamento de dívidas de empresas e consumidores, a liberação de saque de contas inativas do FGTS, uma melhoria no rendimento do fundo e medidas para redução dos juros do cartão de crédito. Embora Temer estime que a liberação das contas inativas do FGTS injetará R$ 30 bilhões na economia, os balanços da Caixa Econômica Federal apontam apenas R$ 19 bilhões nas contas inativas.
O Ministério da Fazenda espera crescimento de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) no próximo ano, após reavaliar previsão anterior que apontava uma taxa de 1,6%. A projeção do Banco Central é de crescimento de 0,8%.
         "Eu vivo pregando o otimismo, a pacificação, a serenidade", afirmou Temer. Com as medidas lançadas no fim do ano, o objetivo do Palácio do Planalto foi reverter os efeitos de uma série de notícias negativas para o governo. Além da recessão econômica, que já dura mais de dois anos, Temer viu sua popularidade despencar nas últimas semanas. O ex-ministro Geddel Vieira Lima deixou o governo sob a suspeita de ter usado o cargo para favorecer seus interesses num projeto imobiliário na Bahia. Depoimentos de executivos da Odebrecht que colaboram com a Operação Lava Jato lançaram suspeitas sobre outros ministros e o próprio Temer.
         Os auxiliares do presidente acham que as medidas anunciadas no fim do ano tiveram êxito. "A crise é natural, o país vive conflagrado por um bom período, mas terminamos bem 2016", disse Temer, que assumiu o governo em maio, quando a Câmara abriu o processo de impeachment e afastou a presidente Dilma Rousseff do cargo. Ao listar o que conseguiu realizar desde então, Temer cita a aprovação do teto dos gastos públicos, o envio da reforma da Previdência ao Congresso, a recuperação da Petrobras, a reforma do ensino médio e a lei com novos critérios para a nomeação de dirigentes nas empresas estatais.
         O maior receio do Palácio do Planalto está na Lava Jato, especialmente na delação dos executivos da Odebrecht. O governo espera que não ocorram mais vazamentos antes de sua homologação pelo Supremo Tribunal Federal, e que o conteúdo só venha a público entre o fim de fevereiro ou início de março, quando a aposta é que o presidente estará fortalecido pela melhoria nas expectativas econômicas.

Programa do OEA proporciona mais segurança e redução de custos para a cadeia logística

         O OEA (Operador Econômico Autorizado), programa da Receita Federal, foi criado para capacitar as empresas que atuam no comércio exterior a trabalhar com controle, segurança e conformidade no combate ao terrorismo, crime organizado e fraudes. Surgiu em 2015, inspirado nas normas criadas pela Organização Mundial de Aduanas, depois dos atentados de 11 de setembro, batizado pelas aduanas de AEO (Authorized Economic Operator). Implementado em 69 países, como Suécia, Suíça, Turquia, Taiwan, Japão e Alemanha, já existem: 47 mil empresas OEA no mundo, 14 acordos de reconhecimento mútuo (13 em negociação) e 22 programas em escala plena, como o último assinado no Brasil.

         O programa proporciona mais segurança e redução nos custos para a cadeia logística. Lars Karlsson, presidente/CEO da KGH e criador do primeiro programa econômico AEO, brincou que antes mesmo do programa nascer, já falava sobre ele. “Tenho visto todos os programas de OEA, já trabalhamos em 40 países mundo a fora e hoje trabalhamos para estruturar empresas não só para se tornar OEA, mas também em como usá-lo”.
         Destacando os importantes pilares do acordo OEA: parceria entre aduanas, setor privado e agências, ele disse que o desenvolvimento do programa OEA está sendo realizado no mundo todo, ressaltando que “eles se tronaram holísticos e todos os operadores são comerciantes confiados”, ele lembrou ainda que esse instrumento não existia antes do OEA.
        O executivo comentou ainda sobre as novas áreas que tem tomado conta da comunidade comercial internacional: como o e-commerce. “O que eu estou dizendo é que há uma tendência de que isso realmente fará parte dos procedimentos que vocês terão no futuro. E há países, como Argentina que tem se desenvolvido para poder chegar ao patamar do Brasil, que está bem mais adiantado no que se refere a desenvolvimento do OEA”.
         Segundo ele, com os acordos de facilitação de comercio esse cenário deve aumentar ainda mais. “É aqui que vemos a coisa crescer e no final das contas o que vale são os benefícios: para o governo o processo se torna melhor e mais seguro, a receita não é nem alta, nem baixa e os comerciantes tem mais lucro do que aqueles que não participam”. E afirma: “Há dinheiro a ser ganho, sem dúvida”.
Falando em números, ele apontou ainda que já existem empresas que economizaram de 12 a 17 dias se tornando uma OEA, e falou que os empresários que trabalham na logística sabem “que isso significa custo, e custo é dinheiro”.
         O executivo comentou sobre as tempestades vividas pelo país em 2016, salientando que esse foi um misto de “imprevisibilidade e tempestades”. Mas alertou que o fator não é só um “luxo” vivenciado pelo Brasil. “Outros países mundo a fora tem visto as mesmas questões e nós precisamos mudar a forma como estamos. A globalização pode não estar indo como esperávamos, mas ela está aqui para ficar e tem potencial para mais integração, mais comércio. E o que desenvolve o comércio é a sociedade, e o potencial do Brasil como outros países é grande”, disse.
         Segundo ele, “crises são boas, pois nelas nascem as oportunidades”, Karlsson alertou a plateia a necessidade de não se acomodar e ressaltou que “a crise da globalização desafia as instituições mundo a fora”, além de lembrar da necessidade de se ter cooperação internacional e global. “Já vimos crises semelhantes e acredito que antes de melhorar ainda vai piorar”, finalizou
         Esse mês um treinamento realizado pela Asia Shipping, com a participação de 11 facilitadores, que passaram a ser os representantes em suas respectivas filiais. Além destes facilitadores homologados a companhia realizará treinamentos a todos os colaboradores. Para isso, ela adquiriu uma plataforma de ensino a distância-EAD, que proporcionará a todos a condição de realizarem cursos dos mais diversos temas relacionados a processos e procedimentos internos, sobre comércio exterior, inclusive sobre o Programa OEA.
         “Em 30 dias, o time global da empresa deve estar treinado e, com a plataforma de ensino à distância, vamos poder treinar periodicamente os colaboradores a respeito de procedimentos de segurança, conformidade (compliance) e processos internos”, disse Alexandro Ferreira, um dos coordenadores do projeto. Na visão de Silvana Antunes, que também trabalha na coordenação do projeto, demonstrar rígidos controles é fundamental para o posicionamento da empresa no mercado.

Projeto do Canal Interoceânico da Nicarágua não sai do papel dois anos depois da previsão de início da obra

         O projeto do Canal Interoceânico da Nicarágua está fora da agenda de prioridades de desenvolvimento econômico de curto prazo, tanto do Conselho Superior da Empresa Privada (Cosep), como da Câmara de Comércio Americana do país (Amcham). A posição foi confirmada pelos presidentes das duas entidades nesta terça-feira.
        A Cosep e a Amcham são membros do Comitê Técnico Assessor da Comissão do Projeto de Desenvolvimento do Grande Canal Interoceânico da Nicarágua. As duas organizações têm a tarefa de dar a à Comissão as perspectivas das empresas privadas nicaraguenses por  esta obra.
        “Nossa ênfase está na Agenda Cosep 2020, e nesse sentido, em impulsionar um porto no Atlântico. O Grande Canal não está incorporado em nossa agenda de médio prazo”, afirmou José Adán Aguerri, presidente da Cosep ao Diario La Prensa, de Manágua, capital do país.
         Declaração similar deu Roberto Sansón, presidente da Amcham, a respeito da possibilidade de construção do Gran Canal. Ele revelou que a entidade “não contempla em um futuro próximo este projeto por falta de conhecimento suficiente a respeito dele”.
        Consultado pelo La Prensa sobre se a Cosep descarta a construção do Gran Canal, Aguerri disse: “o que consideramos é que o Governo indicou que o projeto está seguindo um processo, porém sem detalhar de que tipo”.
        Já Sansón destacou que a “Amcham espera que se construa o Gran Canal, mas não há informações sobre isto.” Segundo ele, a infraestrutura oferecida pelo Governo para tirar a Nicarágua, como um todo, não é clara. “Somos parte de um conselho assessor, contudo, não temos sido convocados nos últimos meses para discutir as questões envolvidas”, desabafou Aguerri. A mesma opinião foi manifestada por sansón.
       "A única coisa que se vê no local onde deveria estar sendo aberto o canal são vacas e não máquinas e homens trabalhando na primeira fase do que seria o grande projeto nicaraguense". O projeto previa que o Gran Canal, seria em uma área de águas profundas na localidade de Brito, Rivas.
        No dia 14 de junio de 2013, o presidente da República, Daniel Ortega, assinou o "Acuerdo Marco de Concesión para la Construcción del Gran Canal de Nicaragua" com o empresário chinês Wang Jing, presidente da empresa HK Nicaragua Canal Development Investment Company (HKND Group), que seria responsável pela maior obra já erguida na NIcarágua. Ortega prometeu que com as riquezas que seriam geradas pelo projeto se resolveriam as necessidades econômicas da Nicarágua. “Vamos ter a maiores possibilidades de erradicar totalmente a pobreza e a extrema pobreza”, declarou então o presidente.
         O Governo da Nicarágua informou de forma triunfal, em 2013, que o o Canal ficaria pronto no final de 2016. E que, a partir de 2017, iria gerar 1.303.784 empregos. Otimista, o governo projetava que esta cifra até poderia chegar a 1.608.403 e, em 2018, alcançar o espetacular número de 1.927.527 empregos criados. A realidade, no entanto, está se mostrando bem diferente e o sonho do pleno emprego no país deverá ser adiado por prazo indefinido.

Ministério dos Transportes aceita proposta da Riogaleão de pagar apenas parte da outorga devida ao governo

         O Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil aceitou a proposta da concessionária Riogaleão para pagar apenas parte da outorga devida ao governo. A empresa pagará R$ 120 milhões até a próxima sexta-feira (30), e outros R$ 37 milhões até o fim de abril. "Assim, o Riogaleão terá mais quatro meses para honrar a outorga que deveria ter sido paga em maio passado, sobre a qual corre, desde então, multa de 2% do valor inicial e juros pela taxa Selic", informou o ministério.
        Em 2013, a companhia arrematou o aeroporto internacional do Rio de Janeiro por R$ 19 bilhões, um ágio de 294% sobre o valor mínimo, de R$ 4,8 bilhões, e se comprometeu a pagar uma parcela anual de R$ 900 milhões por ano em outorga ao governo. Liderada pela Odebrecht, em dificuldades financeiras em meio às investigações da Operação Lava Jato, a concessionária havia anunciado não ter condições de arcar com o valor e pediu para renegociar o cronograma de pagamentos. Também integram a empresa a asiática Changi e a Infraero.
         O ministério informou que a proposta não representa descumprimento de obrigações. Os serviços prestados no aeroporto Tom Jobim não serão afetados. O Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC) também não sofrerá prejuízo, frisou a pasta. Com a renegociação, a empresa fica livre de punições imediatas. Entre as penalidades a que estaria sujeita, está a abertura de processo de caducidade de concessão pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que poderia levar à retomada do aeroporto pela União. O prazo para o pagamento vencia no dia 30 de dezembro. Agora, a empresa terá até 7 de maio, prazo de vencimento da garantia, para quitar a dívida.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Grupo Odfjell da Noruega assina contrato com o governo gaúcho para instalar unidade industrial em Rio Grande



              A Secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado do Rio Grande do Sul e o Grupo Odfjell, assinaram nesta terça-feira um contrato preliminar de Reserva de Área no Distrito Industrial de Rio Grande. A reunião ocorreu no gabinete do secretário Fábio Branco, em Porto Alegre. Estiveram presentes integrantes do Grupo Odfjell e o superintendente do Porto do Rio Grande, Janir Branco. A empresa é pioneira no transporte de químicos líquidos a granel.
          A área reservada pela empresa, que tem sede em Bergen, na Noruega, fica localizada no Distrito Industrial, módulo 7.3, e possui cerca de 43 mil metros quadrados. A reserva serve para que a empresa cumpra diversos requisitos para instalação em áreas industriais no Estado até que seja finalizada o processo de compra do terreno.
            "O Grupo Odfjell tem um grande histórico no Porto do Rio Grande sempre voltado à alta produtividade, eficiência e geração de empregos. Todas essas características renovam-se nesse interesse de área que só trará benefícios à cidade e ao Porto", explicou o superintendente.
         Atualmente, a empresa atende o Pólo Petroquímico instalado próximo a cidade de Triunfo e outras indústrias da região, sendo composto por  32 tanques pressurizados com capacidades variando entre 650 m3 a 5.000 m3, totalizando 60.800 m3, dos quais 6 tanques são em aço inoxidável. O parque de tanques está conectado a três berços de atração através de quatro linhas de cais pigáveis em aço inoxidável, sendo duas linhas para os dois berços no Píer Petroleiro e duas linhas para um berço no Píer da Braskem, além de tubulações para nitrogênio e retorno de vapores.  A empresa ainda opera o terminal da Braskem.
          Fundada em 1914, a Odfjell tem dez terminais na Europa, Estados Unidos e Ásia. Conta, ainda com quinze terminais na Argentina, Brasil, Chile e Peru. O Grupo norueguês acompanha a tendência de mudança de mercado dos químicos para os combustíveis. Com a inclusão de mais uma área no terminal de Rio Grande, pretende gerar empregos diretos e indiretos, aumentar o volume de carga movimentada no porto e promover a instalação de novas empresas no Rio Grande do Sul gerando impostos adicionais.

Exportações do agronegócio fecham terceiro ano com queda nos embarques

         As exportações brasileiras do agronegócio alcançaram US$ 78,8 bilhões de janeiro a novembro deste ano. O valor ficou 3% abaixo do que havia sido registrado no mesmo período de 2015. Dos cinco principais produtos, apenas o complexo sucroalcooleiro conseguiu ampliar as vendas externas.
        Os demais itens, como soja, carnes e produtos florestais, amargaram retrações, de acordo com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária). Em 2016, os embarques para o exterior acumularão a terceira queda anual consecutiva. O último ano de crescimento foi o de 2013.
        O complexo soja seguiu na liderança entre os produtos que mais faturaram com as exportações. De janeiro a novembro os embarques somaram US$ 24,7 bilhões, redução de 8,5% na comparação com igual período do ano passado. A participação do complexo nas vendas externas do setor agropecuário caiu para 31,3%, a pior desde 2013.

Centronave pede solução para restrições à navegação no terminal marítimo de Rio Grande

         O Centro Nacional de Navegação Transatântica (CENTRONAVE) encaminhou na semana passada carta ao superintendente do Porto de Rio Grande (RS) expressando sua preocupação em relação às restrições à navegação, assim como às exigências da autoridade marítima daquele porto para a realização de manobras com navios com mais de 307 metros de comprimento.
          Essas exigências são impostas em virtude de restrições estruturais há muito já identificadas, porém, até hoje não sanadas. Na Carta, o Centronave alerta que tais exigências poderão levar as empresas de navegação a suspender escalas e a desviar seus navios para outros portos.
           A entidade salienta ainda que os problemas de acesso do porto foram objeto de reunião realizada há dois anos (02/10/2014) entre a diretoria da entidade e os então superintendente e diretor técnico de Rio Grande, ocasião em que as autoridades informaram que uma série de providências visando a sanar as deficiências - e, desta forma, eliminando as exigências - já estariam em curso.
         Nenhuma dessas providências foi efetivada, relata a entidade em nota à Redação. Elas incluiriam, entre outras, as seguintes medidas: publicação, naquele mesmo ano de 2014, de edital de licitação para as obras de dragagem; implementação do VTMS (Vessel Traffic Management System), sistema que permite um tráfego seguro com efetivo monitoramento das condições de navegação; e instalação de marégrafo, o que também permitiria melhor planejamento e controle das manobras, graças ao monitoramento de correntes, ventos e marés.
          Na reunião de 2014, as autoridades do porto informaram ter selecionado uma consultoria de Antuérpia (Bélgica) para a instalação do VTMS e de um convênio com a UFRG para a implantação do marégrafo. Como esses projetos não avançaram, as restrições no Porto de Rio Grande permanecem, o que dificulta as manobras e eleva os seus custos, com o efeito negativo se propagando pela cadeia produtiva, diz a entidade
          Entre os custos adicionais decorrentes das exigências estão a contratação de dois práticos para as manobras na bacia de evolução e de lancha para as manobras de giro, em função da inexistência de boias de sinalização, além da utilização remunerada de equipamento PPU (Portable Pilot Unit) pelo segundo prático.
         A situação tornou-se ainda mais grave porque a praticagem, em ofício de 15 de dezembro, informou que deveriam passar a incidir as mesmas exigências para navios a partir de 300 metros de comprimento, e não mais de 307 metros, em função das restrições não sanadas.
         Em sua carta, o Centronave pede à superintendência de Rio Grande que agende o mais rápido possível uma reunião entre todas as partes interessadas para discutir uma solução, tendo em vista a importância daquele porto para o comércio exterior brasileiro. Deixa claro que, uma vez que as restrições forem solucionadas, conforme prometido em 2014, os custos operacionais e de praticagem voltarão a patamares de normalidade.

FMM aprova prioridade para Wilson Sons Rebocadores investir US$ 9,4 milhões em docagem

         O Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou prioridade para que a Wilson Sons Rebocadores invista US$ 9,4 milhões em docagem – processo de revisão e manutenção de todos os componentes de uma embarcação. Ao todo, 12 rebocadores passarão pela docagem entre 2017 e 2018. A decisão do Conselho Diretor do FMM foi publicada no Diário Oficial em 9 de dezembro. A Wilson Sons, agora, dará seguimento ao processo de contratação dos recursos junto a um dos agentes financeiros do Fundo.
         “Esta aprovação é um marco para o mercado de rebocagem e estaleiros do país, já que é a primeira vez que uma empresa de apoio portuário obtém financiamento para esse tipo de serviço. Isso demonstra a confiança do FMM na Wilson Sons e a credibilidade da companhia no mercado”, destaca o CFO e Relações com Investidores do Grupo Wilson Sons, Fernando Salek.
         O trabalho será executado pela Wilson Sons Estaleiros, no Guarujá (SP). O primeiro rebocador a parar para docagem será o CNL Rubi, em abril de 2017. Cada Docagem levará cerca de 20 dias e o estaleiro receberá uma embarcação por vez, para não causar impacto às operações de apoio portuário, sempre obedecendo aos prazos estatutários. Além do CNL Rubi, também passarão pelo mesmo procedimento os rebocadores "Atlas", "Hercules", "Hydrus", "Marte", "Pollux", "Plutão", "Mercurius", "Corona", "Delphinus" e "Telescopium".
         “A docagem ocorre obrigatoriamente a cada cinco anos nas classes de rebocadores de nossa frota, e é um processo que engloba toda a conservação e reparos de itens submersos – casco, anodos e propulsores – bem como revisões preventivas nos motores principais, sistemas elétricos, tubulações, sistemas de navegação e combate a incêndio”, explica o diretor Operacional da Wilson Sons Rebocadores, Marcio Castro. “Após esse processo, o Lloyds Register, classificadora contratada pela Empresa, realiza uma inspeção detalhada de toda a embarcação, para garantir que todas as intervenções realizadas estejam dentro dos padrões de qualidade previstos pela autoridade marítima.”

Porto de Santos volta a apresentar crescimento nas cargas de importações

         O movimento de cargas no Porto de Santos voltou a registrar crescimento nas importações. De acordo com os números registrados pela Gerência de Tarifas e Estatísticas da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), novembro de 2016 registrou 10% de aumento no desembarque de mercadorias. Foram 2,76 milhões de toneladas desembarcadas contra 2,58 milhões em novembro de 2015. Em sentido contrário, as exportações registraram nova queda. O movimento do mês foi de 7,75 milhões de toneladas, decréscimo de 21,3% em relação a novembro do ano passado (9,85 milhões de toneladas). No acumulado do ano, 2016 registra de janeiro a novembro o total de 105,4 milhões de toneladas, uma queda de 4% em relação ao mesmo período do ano passado (109,8 milhões de toneladas).
          O grande destaque no mês é o açúcar. A commodity foi a carga mais movimentada no mês, com 1,66 milhão t. Embora com queda no mês de 2,4% em relação a novembro de 2015, quando o número foi de 1,70 milhão t, o açúcar ultrapassou a soja como produto de maior movimentação do ano no Porto de Santos. O segundo produto de maior movimentação no mês foi o milho. O grão registrou 423,9 mil toneladas, queda de 83,4% em relação a novembro do ano passado, quando foram movimentadas 2,77 milhões t. O terceiro foi o adubo, com 371,7 mil toneladas. A carga foi uma das principais responsáveis pelo aumento das importações. O produto registrou aumento de 64,8% em relação a novembro do ano passado.
         A movimentação de 105,4 milhões de toneladas entre janeiro e novembro de 2016 é 4% menor que o resultado do período do ano anterior (109,8 milhões t). As maiores marcas de exportação no movimento acumulado do ano de 2016 são: açúcar, com 18,8 milhões de toneladas, aumento de 14,7% em relação ao ano passado; complexo soja (grão e farelo), com 18,5 milhões de toneladas, acréscimo de 6,7% em relação ao mesmo período de 2015. O terceiro é o milho, com 7,5 milhões de toneladas, decréscimo de 42,7% em relação a 2015. Seguem a celulose (2,8 milhões de toneladas, queda de 10,1% no acumulado do ano). Sucos cítricos, com 1,9 milhão de toneladas (7,8% de aumento no período do ano) completam o rol das cinco cargas mais exportadas em 2016.
         Nas importações, o principal produto no movimento acumulado de 2016 é o adubo, com 3,05 milhões de toneladas movimentadas. O número representa aumento de 39,3% para o período em relação a 2015. Seguem o enxofre (1,5 milhão de toneladas, queda de 15,8%), gás liquefeito de petróleo (GLP), com 997,8 mil toneladas, aumento de 27,3% em relação a 2014, e trigo, com 979,6 mil toneladas (aumento de 61,9% em relação ao ano passado). O Porto de Santos registrou ainda, até novembro de 2016, a importação de 20,5 milhões de toneladas de cargas diversas não especificadas.
         A movimentação de containers no mês foi de 300.396 teus, uma queda de 1% em relação a novembro do ano anterior, quando foram movimentados 303.515 teus. No acumulado do ano, o recuo foi de 6,5%. O fluxo de navios registrou nova queda, sendo 354 atracações no mês (405 em novembro de 2015, recuo de 12,6%) e 4.332 de janeiro a novembro (4.706 no mesmo período de 2015, retração de 7,9%).

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Log-In conclui venda de dois navios à Hidrovias do Brasil

         A Log-In - Logística Intermodal concluiu a venda dos navios "Log-In Tambaqui" e "Log-In Tucunaré" à Hidrovias do Brasil. A negociação foi anunciada em 16 de setembro último. Com a venda, a Hidrovias do Brasil assume o contrato de transporte para a Alunorte - Alumina do Norte do Brasil.
         A Operação estava sujeita a determinadas condições suspensivas que foram superadas com sucesso pelas partes. Com as embarcações, o comprador assume os contratos de financiamento firmados com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes).
         Com o fechamento da operação, a Log-In segue com o seu plano de reestruturação. A companhia informa que os cujos recursos da venda serão utilizados para o melhor gerenciamento de sua liquidez, viabilizando alternativas para honrar suas obrigações de médio e longo-prazo.

Porto de Imbituba comemora ano de expansão e recordes

         O Porto de Imbituba, na contramão do cenário de retração econômica que marcou o ano 2016 no Brasil, só tem motivos para comemorar neste fim de ano. 2016 foi a consagração de sua estratégia de gestão operacional e socioambiental. Prova disso são os recordes em movimentação de cargas que vêm batendo mês a mês, as melhorias em infraestrutura e as premiações que conquistou ao longo do ano, a última recebida no início deste mês, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), com a outorga do Certificado em Responsabilidade Social.
         A expectativa da Administração do Sul catarinense é de encerrar o ano com um total de aproximadamente 4,8 milhões de toneladas movimentadas, o que representa crescimento de cerca de 40% em relação a 2015. De todas as cargas que passam pelo Porto, o transporte de granel sólido tem se apresentado como referência na região, com ênfase para a movimentação de soja, milho e coque não calcinado. Outra operação de destaque em 2016 foi a exportação do primeiro lote de carga viva, com o embarque de 4.200 terneiros, em maio.
         A quebra de recordes operacionais, aliada aos investimentos em infraestrutura e segurança, e à contínua modernização da gestão, têm garantido ao Porto de Imbituba um ótimo histórico de desempenho. Nos últimos quatro anos, desde que o Governo do Estado, através da SCPar Porto de Imbituba, assumiu a administração portuária, houve crescimento de 93% na movimentação de cargas.
         Em 2016, com o objetivo de fortalecer sua eficiência operacional, o Porto de Imbituba realizou e recebeu uma série de melhorias, com destaque para o apoio a recuperação da via de Acesso Norte ao município; a construção de um armazém graneleiro de última geração dentro do Porto, pela arrendatária Fertisanta; o início da operação do sistema de triagem eletrônica para recebimento de caminhões e a recuperação da portaria de acesso 2 (em andamento).
         “Este cenário de quebra de recordes e conquistas é reflexo do planejamento estratégico que o Porto de Imbituba tem se proposto a tornar realidade ao longo dos anos, através de um trabalho intensivo e focado no desenvolvimento socioeconômico do Sul do Brasil”, analisa Rogério Pupo, presidente do Porto.
         Pela sua localização privilegiada e características técnicas, o Porto de Imbituba se insere como importante alternativa logística para atender a demanda do mercado nacional e internacional. Situado em uma enseada de mar aberto e protegido de ventos e ressacas por um molhe de 850m, o Porto garante aos seus clientes flexibilidade para a movimentação de grandes navios e tempo reduzido para manobras.
         Desde outubro de 2015, está apto a receber embarcações com capacidade de transportar até 9.600 teus ou 80 mil toneladas de granéis, o que o coloca como Porto com maior profundidade no Sul do Brasil. Para o escoamento de cargas, o Porto conta com acessos ferroviário, rodoviário, marítimo e aéreo.
         Além das conquistas operacionais e de infraestrutura obtidas em 2016, a empresa também recebeu importantes reconhecimentos por sua atuação socioambiental: o Certificado em Responsabilidade Social da Alesc; o Troféu Onda Verde, do Prêmio Expressão de Ecologia; e o Prêmio Empresa Cidadã ADVB/SC, na categoria Preservação Ambiental.
         Para Pupo, as homenagens são consequência do comprometimento da SCPar Porto de Imbituba com o crescimento sustentável da atividade econômica na região. “Eles evidenciam o trabalho que temos realizado para fortalecer a relação Porto/Cidade. É um grande orgulho e uma grande responsabilidade para o Porto de Imbituba ser merecedor destes reconhecimentos. Para 2017, nossa meta é ser cada vez mais referência em eficiência, atendimento e sustentabilidade”, analisa o presidente.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Blog deseja a todos um 2017 mais palatável para o Brasil e o mundo

         Sinal Comunicações, editora do Blog Revista Mundo, deseja um Feliz Natal e um bom 2017 a todos os seus leitores, amigos e parceiros. Aproveita para agradecer as centenas de mensagens de boas festas recebidas. E torce para que o próximo ano seja marcado pela retomada do desenvolvimento do país, proporcionando mais realização, paz e sucesso para os brasileiros e a comunidade internacional.
         O Blog Revista Mundo, produzido pelo jornalista Luiz Reni C. Marques, chega ao seu terceiro ano alcançando cerca de 1.300 acessos diários ( aproximadamente 30 mil por mês). É atualizado em tempo real nas 24 horas do dia.
         Em 2017, o Blog reafirma o compromisso de fornecer informações sobre as atividades relacionadas com o comércio exterior. O portal é respaldado pelos 26 anos de atuação neste segmento editorial e é seguido por profissionais que trabalham especialmente nas áreas abrangidas em todo o Brasil e mesmo no exterior.
         

Dólar opera em baixa ante o real, em sintonia com o exterior

         O dólar operou em baixa ante o real na manhã desta sexta-feira (23), desde a abertura dos negócios. A pressão para baixo foi atribuída por operadores a fluxo financeiro de entrada, e o movimento se dá em linha com a queda vista ante outras moedas emergentes e ligadas a commodities. Às 9h40min, o dólar à vista caía 0,61%, a R$ 3,2809. O dólar para janeiro recuava 0,26%, aos R$ 3,2855.

UniSantos sugere construção de um quebra mar no canal de navegação do Porto de Santos

         A UniSantos (Universidade Católica de Santos) realizou um estudo a partir do curso de Engenharia Civil e propôs a construção de um quebra-mar com cerca de três quilômetros de extensão, nas proximidades do canal de navegação do Porto de Santos. De acordo com eles, essa é a solução para o problema da erosão nas praias santistas.
         Segundo Sueli Moreno Ferreira, Engenheira Civil, formada pela UniSantos, que apresentou a pesquisa, inicialmente o fenômeno era verificado apenas na Ponta da Praia, mas também atingiu a Praia da Aparecida “Primeiro, começamos a pesquisar o motivo do problema. E vimos que há a questão da dragagem. Só que, para dar uma solução, o professor já tinha sugerido o quebra-mar. Pesquisamos para ver se realmente era a forma mais adequada”, explicou Sueli.
         Sueli relatou que durante as pesquisas, foram feitos estudos de caso sobre locais onde a construção de um quebra-mar resolveu problemas semelhantes aos enfrentados na Cidade. Além disso, para comprovar a viabilidade técnica do projeto, foram realizadas simulações estáticas, utilizando a areia coletada na praia de Santos.
         O processo foi feito em duas etapas – a primeira sem o quebra-mar e a segunda com a estrutura. Em ambas, não foram levadas em consideração a ação de ondas e das correntes marítimas. “A gente provou a estática. Agora, a gente pretende entrar na dinâmica, comprovar que o problema se acelera com a dinâmica das correntes. Depois, vamos projetar o cais e o custo benefício que ele traria para a cidade”, disse o professor José Renato Spina Martins.
         Para o orientador, com a construção de um quebra-mar de três quilômetros em concreto armado na Ponta da Praia, é possível reduzir o processo de erosão na Ponta da Praia e também dotar a região de mais cinco pontos de atracação de navios. A estrutura ainda pode receber marinas para barcos de pequeno porte e se tornar um equipamento turístico.
         Spina calculou que seriam necessários entre três e quatro anos para a construção da estrutura capaz de conter a erosão. Mas os custos ainda não foram mensurados. “Nos próximos estudos, a gente vai detalhar esse tipo de cais e orçar para ter um estudo completo”, explicou o professor. O orientador da UniSantos pretende continuar a pesquisa. “De repente, aprofundando os estudos, a gente contribui para a sociedade santista e para resolver esse problema antes que a Ponta da Praia desapareça”, afirmou.

Ceará Portos assina contrato de adesão com a Antaq para o Terminal do Pecém

         A União e o Governo do Estado do Ceará, por meio da Antaq (Agência Nacional de Transporte Aquaviário), celebraram contrato de adesão, o qual sujeita as partes à Lei 12.815/13. A assinatura, que teve a interveniência da Companhia de Integração Portuária do Ceará (CearáPortos), aconteceu na sede da Agência, em Brasília, nesta quinta-feira (22), e contou com a presença do diretor-geral da Antaq, Adalberto Tokarski, do representante do estado do Ceará, André Facó, e do diretor-presidente da CearáPortos, Danilo Serpa.
         O objeto da autorização é a exploração, pelo estado do Ceará, do Terminal Portuário do Pecém, no município de São Gonçalo do Amarante (CE), na modalidade de terminal de uso privado. A autorização compreende a movimentação e armazenagem de carga geral, conteinerizada, granel líquido, granel gasoso e granel sólido, destinados ou provenientes de transporte aquaviário. A área autorizada para exploração da instalação portuária corresponde a 886.651,77m².
         A autorização terá vigência por 25 anos contados da data da assinatura do contrato de adesão, prorrogáveis por períodos sucessivos desde que a atividade seja mantida e o autorizado promova os investimentos necessários para a expansão e modernização das instalações portuárias.
         Durante a assinatura do contrato, os participantes destacaram a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), empreendimento que está instalado no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). “Com a implantação da siderúrgica em Pecém, passou-se a operar o inverso de vários portos brasileiros. Em Pecém, chega minério de ferro e saem laminados. Isto é, aumentou-se o valor agregado do produto”, disse Tokarski.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Cetesb exige que instalações portuárias em Santos cumpram as novas regras de licenciamento ambiental

         A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) está exigindo que instalações do Porto de Santos, que movimentam até 450 mil teus, ou 15 milhões de toneladas ao ano, deverão se adequar às novas regras de licenciamento ambiental. A exigência é uma das medidas adotadas pela estatal que passou a atuar na autorização para o funcionamento desses terminais.
         A regra foi determinada a partir de uma decisão da diretoria do órgão ambiental em setembro. Ontem, na sede da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), as novas diretrizes foram apresentadas aos responsáveis por terminais portuários. 
         A norma vale para todos os tipos de terminais. No entanto, apenas as instalações especializadas na movimentação de granéis sólidos de origem vegetal (como soja) serão licenciadas na Cidade, por conta dos graves problemas ambientais causados pela emissão de partículas decorrentes das operações. As demais, como as que movimentam contêineres, veículos, bobinas, fardos e sacarias, serão avaliadas pela equipe paulista do órgão. 
         Segundo o gerente da Cetesb em Santos, Enedir Rodrigues, quatro terminais graneleiros já foram notificados para a adequação. Até o fim do mês, outros quatro, desta vez de carga geral, serão convocados para regularizar a situação. 
         De acordo com o regramento, após a notificação, as empresas têm 180 dias para apresentar um plano de regularização ambiental. Segundo Rodrigues, o material deverá apresentar a descrição das atividades do terminal portuário e um cronograma de intervenções para minimizar os impactos das operações no meio ambiente. 
         “Em seguida, a Cetesb irá analisar esse material e essas condicionantes. Depois, será firmado um termo de compromisso entre o órgão ambiental e as empresas”, destacou o executivo. 
         As instalações portuárias só receberão a nova licença de operação após a implantação de todas as medidas descritas. No entanto, a partir da assinatura do termo de compromisso, as empresas não poderão ser autuadas pela falta do documento. 
         Para o superintendente de Meio Ambiente e Segurança do Trabalho da Codesp, Hilário Gurjão, a medida vai facilitar a fiscalização da Codesp. Este processo continua o mesmo. A partir dos flagrantes de irregularidades, a Autoridade Portuária informará as ocorrências à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que é responsável pela autuação dos infratores. 
         “É um divisor de águas essa decisão. Vai mudar a estrutura do Porto, o pensamento dos terminais. Com essa decisão, os terminais vão se regularizar e nós vamos fiscalizar”, destacou. 
         A medida também foi bastante elogiada pelo secretário de Assuntos Marítimos e Portuários de Santos, José Eduardo Lopes. Para ele, essa nova regra vai resolver grandes pendências, principalmente na região da Ponta da Praia, onde são grandes as reclamações de moradores por conta da emissão de partículas durante as operações no Corredor de Exportação do Porto de Santos. 
         “Para mim, pessoalmente, é um grande fecho (de gestão, que será encerrada no próximo dia 31). Passamos um bom tempo com essa pauta e eu estou satisfeito com o encaminhamento. Costumo dizer que ninguém dorme Nigéria e acorda Suíça. É um processo de planejamento e este é o caminho certo”, destacou Lopes.

Terminais de contêineres arrendados de Santa Catarina enfrentam dificuldades para competir com os TUPs

         Os terminais de contêineres arrendados no Estado de Santa Catarina vêm enfrentando grandes dificuldades para competir com os TUPs (Terminais de Uso Privado) para viabilizar seus negócios. Com mais flexibilidade regulatória, pertencentes a empresas dos mesmos grupos de armadores, que migraram os navios para as instalações coirmãs, os TUps se sobressaem, enquanto nesse cenário, os terminais arrendados estão perdendo equilíbrio. Assim o caminho é equilibrar contratos ou focar em outras cargas para sobreviver.
         A Santos Brasil, por exemplo, entrou com pedido no Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro das cláusulas que trazem as obrigações contratuais do arrendamento do Tecon Imbituba. Segundo a pasta, a empresa pede o reequilíbrio devido a "mudanças no mercado" e porque o estudo que balizou a projeção de demanda não previa a implantação de terminal privado. Procurada, a Santos Brasil não se manifestou. Arrendado em 2008, o contrato do Tecon Imbituba prevê uma evolução de cargas ao longo do arrendamento, alcançando do 4º ano até o 25º (quando termina o contrato) o mínimo de 360 mil containers. Mas os números não chegam a 10% disso.
         Os principais TUPs que nasceram no Sul são a Portonave, da Triunfo Participações e Investimentos, em Navegantes, inaugurado em 2007, e o Porto Itapoá, no município de mesmo nome, que abriu em 2011. A movimentação da Portonave no acumulado dos onze meses deste ano já supera 853 mil Teus. Já Itapoá atingiu sua capacidade, para 500 mil Teus ao ano, três exercícios após a inauguração. "Risco de concorrência não tem guarida, mas uma mudança permanente do mercado pode ensejar, sim, por isso analisamos cuidadosamente o processo", disse o secretário de Políticas Portuárias da Secretaria de Portos do Ministério dos Transportes, Luiz Fernando Garcia.
         O Tecon Imbituba foi licitado em um período em que vigorava uma resolução baixada em 2005 pela Antaq determinando que os TUPs movimentassem carga própria que justificasse por si só a implantação do terminal privado. Com isso, criava-se uma barreira para os TUPs movimentarem de forma preponderante cargas de terceiros - o foco dos arrendados.
         Em Itajaí (SC), o terminal da APM Terminals, então líder na região, vem perdendo mercado desde que a Portonave começou a operar. A APM Terminals local deve encerrar este ano com 190 mil Teus, queda de 41% sobre 2015, ano em que perdeu quatro serviços de navegação para a Portonave. A APM Terminals também entrou com pedido de reequilíbrio econômico-financeiro no governo, mas o pleito não versa sobre a mudança de mercado. Os tópicos são a demora do poder concedente na entrega de áreas e as consequências para a instalação da enchente que houve na região. A empresa pretende fazer novos investimentos, para modernizar o terminal, e por isso pede também mais prazo como contrapartida.
         Ricardo Arten, diretor superintendente da APM Terminals no Brasil, diz que a carga migra para os TUPs devido à maior competitividade dessas instalações. Como os TUPs têm liberdade de contratação de mão de obra, não pagam tarifas nem outorga ao poder concedente e conseguem fazer os investimentos mais rapidamente, tendem a ter custos menores e serem mais eficientes. "O que precisa acontecer é o tratamento para os terminais arrendados ser basicamente o mesmo que o dado aos TUPs. Não podemos baixar a régua, tirar coisas dos TUPs, mas fazer com que o porto público tenha uma série de outras coisas que o TUP tem para parametrizar a concorrência", diz Arten.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Eleição de Trump valoriza o dólar e eleva importações brasileiras de bens de consumo duráveis

         A valorização recente do dólar parece ter despertado uma antecipação de compras de bens importados. O País registrou um salto de 21,2% nas importações de bens de consumo duráveis e avanço de 13,8% nas de bens de consumo não duráveis, em relação a novembro de 2015, conforme dados do Indicador Mensal da Balança Comercial, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
         O movimento sinaliza que as importações podem ter aumentado antecipando o risco de uma desvalorização cambial associada às incertezas domésticas e internacionais, na avaliação de Lia Valls, pesquisadora da área de Economia Aplicada do (Ibre/FGV). "Por que teve um aumento tão grande, que não vinha ocorrendo antes? Em novembro, teve um possível efeito da eleição de Trump (Donald Trump, eleito presidente dos Estados Unidos), uma valorização do dólar. Então pode ter antecipado um pouco a importação e bens, também estamos próximos do Natal. A alta foi, principalmente, de automóveis de passageiros e alimentos e bebidas para consumo doméstico. Existe uma expectativa de desvalorização do câmbio e aumento de alíquotas de imposto sobre bebidas", justificou Lia.
         O câmbio teve uma desvalorização de 3,4% entre outubro e novembro, lembrou Lia. Entre os bens de maior contribuição em volume no último mês estão automóveis, fertilizantes, medicamentos e alimentos. Também houve alta de 3,7% nas importações de bens de capital. Já as importações de bens de consumo semiduráveis (-2,6%) e intermediários (-3,0%) mostraram recuo.
        No caso das exportações, houve aumento de 41,7% no volume de bens de capital no mês de novembro está associado a duas plataformas de petróleo, que somaram US$ 1,9 bilhões. As vendas de bens de consumo duráveis cresceram 24,4%, impulsionadas pelas vendas de automóveis para a Argentina (com 62% do total). As exportações de bens de consumo semiduráveis tiveram alta de 13,4% ante novembro do ano passado, enquanto os bens intermediários avançaram 1,6%. O volume de bens de consumo não duráveis caíram 7,7%.
         No acumulado do ano, todas as categorias de uso registram crescimento das exportações: bens de capital (+33,2%), bens duráveis (+27,6%), bens de consumo não duráveis (+3,6%), semiduráveis (+16,4%) e intermediários (+3,2%). Nas importações, apenas bens de capital (+10,7%) e bens de consumo não duráveis (+3,2%) não tiveram retração. O volume importado de bens de consumo duráveis diminuiu 28%; bens de consumo semiduráveis, -35,9%; e intermediários, -6,3%.
         Em novembro, as exportações cresceram 17,5% e as importações recuaram 9,1% em relação a igual período de 2015, levando a um saldo comercial de US$ 4,8 bilhões. O desempenho das exportações foi liderado pelas manufaturas que registraram aumento de 42% ante novembro do ano passado.
         A exportação de duas plataformas de petróleo no valor de US$ 1,9 bilhões contribuiu para o resultado. Sem as plataformas, as exportações teriam crescido 7,5%. No caso das importações, a queda foi puxada pelas compras de combustíveis (-47%), seguida de bens de capital (-22%).
         No acumulado de janeiro a novembro, as exportações (-3%) e importações (-22%) caíram na comparação com 2015 e o saldo comercial foi de US$ 43 bilhões. A FGV estima que o saldo deve fechar 2016 em torno de US$ 47 bilhões.
         O Indicador Mensal da Balança Comercial replica o cálculo feito pelo IBGE para obter o resultado das Contas Nacionais Trimestrais e integra o conjunto de informações usadas para o cálculo do Monitor do PIB da FGV. O índice está em desenvolvimento e entrará na grade de divulgações da FGV após um período de possíveis ajustes de metodologia.