quinta-feira, 30 de junho de 2016

Banco Central anuncia retomada da compra de dólares para segurar queda da moeda norte-americana

         No dia em que o dólar chegou a operar abaixo de R$ 3,20, o Banco Central (BC) anunciou a retomada das intervenções no câmbio. Nesta sexta-feira, 1º, a instituição leiloará US$ 500 milhões em contratos de swap cambial reverso, que funcionam como compra de dólares no mercado futuro, para segurar a queda da moeda norte-americana.
         Será a primeira vez, em 40 dias, que a autoridade monetária voltará a intervir no câmbio. A última vez que o BC comprou dólares no mercado futuro foi em 18 de maio, quando a divisa estava em R$ 3,53. Hoje (30), o dólar comercial encerrou a sessão vendido a R$ 3,213, no menor nível desde 21 de julho do ano passado.
         A operação reduzirá ainda mais o estoque de swap cambial do BC, atualmente em US$ 62,1 bilhões. Esse é o montante que a autoridade monetária injetou no mercado de câmbio desde 2013 para conter a alta do dólar e que ainda está em circulação. Ao fazer leilões de swap cambial reverso, o BC diminui o estoque de swap cambial tradicional (venda de dólares no mercado futuro).

Ministro Maggi promove encontro com representantes agrícolas de 40 países para tratar dos mercados internacionais



         O ministro da Agricultura e Pecuária, Blairo Maggi, promoveu nesta quinta-feira, na sede da pasta, em Brasília uma reunião com representantes agrícolas de 40 países que têm representação no Brasil. Participaram do encontro, que aconteceu pela primeira vez, integrantes do Grupo de Diplomatas da Agricultura no país que falaram sobre a relação com os mercados internacionais.
         Segundo Maggi, poucos países têm produtos tão sustentáveis como o Brasil. Ele citou o Código Florestal brasileiro, a proteção ao meio ambiente e às reservas indígenas como exemplo do rigor com que o país trata a questão. O ministro lembrou que a agricultura utiliza 9% das terras, a pecuária outros 21% e que 13% são reservados para os territórios indígenas. “Cerca de 60% do nosso território está como a natureza criou.”
         “Desejamos ser o maior país agrícola do mundo e temos gente, conhecimento e terras para isso. Só seremos relevantes se tivermos mercado para vender, mas também precisamos de muitos produtos que vocês fornecem”, afirmou o ministro. Maggi ainda enfatizou que o Mapa está investindo na eficiência administrativa para agilizar mais o andamento dos processos.
         A coordenadora do grupo, Maria José Herrera, agregada agrícola da Embaixada do Chile, disse a Maggi que os representantes agrícolas se reúnem mensalmente e agradeceu pelo ministro tê-los recebido pela primeira vez. “Encontros assim são a melhor forma de trocarmos informações e contribuir para melhorar o relacionamento de nossos países com o Brasil, avaliou.” 
        Ao final da reunião, ficou acertado que a próxima reunião será realizada novamente nas dependências do Mapa. Também participaram do encontro os secretários de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Ribeiro da Silva; de Política Agrícola, Neri Geller; e de Defesa Agropecuária, Luis Rangel.

Dólar registra menor valor desde julho do ano passado, cotado em R$ 3,24

         O dólar comercial operou em leve alta na manhã desta quinta-feira, ficando o valor em R$ 3,24, um aumento de 0,17%, um dia depois de recuar 2,07% e ser transacionada a R$ 3,23. Esse foi o menor patamar atingido pela moeda norte-americana desde 22 de julho de 2015.
          A sessão desta quinta-feira começou marcada pela volatilidade, em razão de ser dia de formação da última taxa Ptax (taxa média de câmbio) do mês. No exterior, algumas moedas emergentes se desvalorizam, o que pode chamar alguma correção para o dólar no Brasil.
         No mercado de juros, as taxas podem reagir até o final do pregão. A expectativa neste sentido leva em conta a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que decidirá hoje a meta de inflação para 2018.

Novo terminal integrador facilita movimentação de grãos no Porto de Santos

         A VLI, empresa que integra soluções logísticas entre portos, ferrovias e terminais, inaugurou o novo pátio para armazenamento de enxofre do Tiplam (Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita), no complexo portuário de Santos (SP).
         A área dobra a capacidade atual do terminal para armazenar o produto e atinge mais uma etapa da ampliação do Tiplam, a maior obra portuária privada sendo realizada atualmente no Brasil. Em abril, o terminal recebeu dois novos carregadores de navios. Com investimentos em torno de R$ 2,7 bilhões, o projeto foi iniciado em 2013, e já está 84% concluído, com previsão de entrega integral em 2017.
         O pátio terá possibilidade estática para armazenar 66 mil toneladas de enxofre, aumentando em 10% a capacidade atual. O enxofre é usado na produção de ácido sulfúrico, detergentes, sabão em pó, borracha e no ramo agropecuário.
         Com a finalização das obras em 2017, o volume anual do terminal portuário saltará de 2,6 milhões de toneladas para 14,5 milhões, acrescentando 12 milhões de toneladas de capacidade ao sistema portuário de Santos. Para as próximas etapas de conclusão do Tiplam, estão previstas entregas de quatro novos armazéns: dois para grãos, um para açúcar e um outro flex, que pode ser usado tanto para grão quanto para açúcar. A estrutura de ampliação do terminal também prevê mais três berços de atracação, um para embarque de açúcar, um para grãos e um para descarga de fertilizantes.
         A principal vantagem do Tiplam será o fato de que as operações estarão 100% integradas ao modal ferroviário, agilizando as atividades de carga e descarga e evitando o aumento no fluxo de caminhões na Baixada Santista. A estimativa da VLI é de que, com a conclusão de todas as obras e estabilização dos ativos, o sistema venha a contribuir para a retirada de aproximadamente 1.500 caminhões por dia das estradas com destino a Santos.

Procuradoria da República deflagra Operação Tabela Periódica para apurar fraudes nas licitações da Ferrovia Norte/Sul

         A Procuradoria da República em Goiás, em conjunto com a Polícia Federal e com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, deflagrou na manhã desta quinta-feira, 30, a Operação Tabela Periódica, mais uma etapa da operação “O Recebedor”, desdobramento da Lava Jato que apura fraudes nas licitações da Ferrovia Norte-Sul e ligação Leste-Oeste.
         A ação tem como base um novo acordo de leniência fechado pela Camargo Corrêa, empreiteira que foi pega na Lava Jato por participar do esquema de corrupção na Petrobrás e tem colaborado com as autoridades desde então. Ao todo um procurador da República, cerca de 200 policiais federais, 26 peritos criminais federais e 52 agentes do Cade cumprem 44 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de condução coercitiva em Goiás e em mais 8 unidades da federação.
          A operação foi autorizada pelo juiz substituto da 11ª Vara Federal Goiás, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Com base na colaboração da empreiteira e das investigações até agora, a suspeita é de que as fraudes teriam se iniciado, pelo menos, no ano de 2000 (ainda no governo FHC), tendo durado até 2010. Neste período, segundo a Procuradoria chegou a envolver pelo menos 37 empresas, sendo dezesseis participantes efetivas e vinte e uma possíveis participantes das licitações.
         As investigações preliminares apontam  um prejuízo de R$ 630 milhões somente nas licitações em Goiás e, segundo o MPF, o valor deve ser ainda maior considerando os trechos das ferrovias que passam em Tocantins, Bahia e São Paulo e que estão sob suspeita também.
         As diligências que estão sendo realizadas nesta quinta-feira buscam recolher mais provas do envolvimento de empreiteiras e de seus executivos na prática de cartel, fraude em licitações e pagamentos de propina a ex-diretores da Valec, relacionados aos contratos de construção das ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste, revelados pela Camargo Corrêa em seu acordo de leniência com o Cade.
         Os investigadores buscam, ainda, fortalecer as provas para as investigações criminais encerradas ou em curso na Polícia Federal de Goiás, assim como em ações penais já proposta ou a serem movidas pelo MPF-GO, que tratam da prática de sobrepreço, superfaturamento, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes nas licitações ferroviárias.
         As provas colhidas serão, ainda, utilizadas pelo CADE em investigações e processos administrativos visando punir empresas e executivos por práticas anticompetitivas e cartel. Inicialmente, a Camargo Corrêa S/A e alguns de seus administradores haviam formalizado acordos de leniência e de colaboração premiada com a Procuradoria da República em Goiás, já homologados.
        Nestes acordos a empreiteira e seus executivos confessaram a existência do cartel, as fraudes em licitações, a lavagem de dinheiro e a prática de corrupção em contratos com a Valec, bem assim forneceram provas documentais da sua ocorrência e concordaram e se obrigaram a restituir aos cofres públicos em R$ 75 milhões.
         Essa primeira colaboração no âmbito do MPF em Goiás deu origem a operação “O Recebedor”,  deflagrada no dia 26 de fevereiro e que cumpriu 44 mandados de busca e apreensão e sete de condução coercitiva em Goiás e em mais seis Estados. A operação já deu origem a uma denúncia contra o ex-presidente da Valec José Francisco das Neves, conhecido como Juquinha, e o ex-diretor de Engenharia da estatal, Ulisses Assad, além de quatro executivos de empreiteiras, um advogado e um ex-assessor da Valec por corrupção, lavagem de dinheiro, cartel e fraude à licitação nas obras de trechos das ferrovias Norte-Sul e Interligação Oeste-Leste em Goiás.
         A denúncia aponta sobrepreço de ao menos R$ 230 milhões por causa de aditivos e outras medidas adotadas pela própria Valec, como exigências injustificadas no edital, para beneficiar o cartel de empresas.
Segundo o Ministério Público Federal, Juquinha teria assumido o papel de ‘gerente’ do esquema criminoso e recebeu R$ 2,24 milhões em propinas.
         Posteriormente, a Camargo Corrêa celebrou acordo de leniência com o Cade, que contou com a interveniência e a anuência do MPF. Nele, os colaboradores detalharam ainda mais as condutas de outras empreiteiras integrantes do cartel e dos seus respectivos executivos (em nome e em benefício das quais atuaram), bem como ofereceram provas adicionais.
        O nome da operação é uma referência ao nome que alguns dos próprios investigados deram a uma planilha de controle em que desenhavam o mapa do cartel (e cuja aparência lembrava a Tabela Periódica), contendo dados como a relação das licitações, a divisão combinada dos lotes, os números dos contratos, os nomes das empreiteiras ou consórcios que seriam contemplados, valores dos orçamentos da Valec preços combinados, propostas de cobertura apresentadas apenas para dar aparência de competição e simulação de descontos a serem concedidos.

Nordic entra com ação na Justiça contra a OSX e a OGPar por dívidas em contrato de construção de plataforma


         A Nordic Trustee, representante dos bondholders que financiaram a construção da plataforma OSX 3, ingressou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) com ações contrárias à OGPar (ex- OGX) e OSX 3 Leasing - sociedade de propósito específico constituída para construção da embarcação. As duas empresas acionadas não se manifestaram sobre a questão.
         Contra a OSX 3 Leasing, a norueguesa solicitou a execução de uma penhora equivalente ao montante de R$ 2 bilhões, relativa à dívida da companhia com os bondholders, disse uma fonte a par do assunto ao Valor.
         Já contra a OGPar, a Nordic pediu a execução do pagamento de taxas de afretamento da plataforma, devidas há cerca de um ano e meio. Ao todo, a petroleira deve cerca de US$ 150 milhões à OSX.
         Uma fonte do setor explicou que os recebíveis das taxas foram cedidos como garantia ao pagamento da dívida da OSX 3 Leasing com os bondholders. Como não foram pagas, a empresa de construção naval não teve como honrar o pagamento aos credores do OSX 3. Como garantia, a Nordic solicitou a penhora das ações da OGPar na Parnaíba Gás Natural, como forma de execução das taxas de afretamento.
         A norueguesa também deve entrar com recurso no STJ contra uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que deu preferência ao BTG Pactual para o direito de penhora da embarcação OSX 3, em ação de execução de título extrajudicial. O TJ-SP entendeu que a hipoteca constituída em favor da Nordic e registrada na Libéria não tem validade no Brasil.
          Procuradas, OGPar e OSX preferiram não comentar.

Porto de Paranaguá realiza embarque de carros da BMW destinados ao mercado norte-americano


         A fabricante alemã BMW começou nesta semana a operação de exportação de veículos pelo Porto de Paranaguá, que foi escolhido pela experiência na operação deste tipo de carga. O destino dos automóveis embarcados no terminal paranaense é o exigente mercado norte-americano.
         Esta remessa, com 200 veículos, é a primeira de um total de dez mil unidades que serão enviadas para os Estados Unidos até o começo do ano que vem. As unidades, do modelo X1, são produzidas na planta de Araquari, em Santa Catarina, e transportadas por cegonheiras até o Porto de Paranaguá, que fica cerca de 200 quilômetros de distância da fábrica.
         “O Porto de Paranaguá tem uma experiência incomparável na movimentação de veículos e é isso que os fabricantes de automóveis vêm buscar aqui”, afirmou o secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho.
         A partir de julho, a marca deve exportar cerca de 1,5 mil veículos por mês aos EUA partindo de Paranaguá. “O porto de Paranaguá é uma escolha natural para a exportação de uma produção como esta. Todas as exigências do fabricante foram atendidas, como a colocação de rampas especiais para o embarque dos automóveis”, explicou o diretor-presidente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino.        

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Governo retira exigência de participação de operador aeroportuário nos consórcios dos leilões de privatização de aeroportos

         O governo decidiu fazer uma mudança importante na estrutura societária exigida nas concessões dos novos aeroportos, com o propósito de ampliar a concorrência nos leilões previstos para o segundo semestre deste ano. Os consórcios interessados nos aeroportos de Fortaleza (CE), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) não terão mais que incluir, obrigatoriamente a participação societária de um operador aeroportuário.
         A proposta é que os serviços de operação dos aeroportos, que incluem desde o check-in dos passageiros até o controle de voo das aeronaves, possam ser prestados por meio de um contrato de terceirização, ou seja, o operador poderá atuar como um prestador de serviços, sem a obrigatoriedade de participar como consorciado.
         Pela proposta original, exigia-se que o consórcio interessado tivesse um operador aeroportuário com participação societária de no mínimo, 15% da formação total. A possibilidade dessas empresas integrarem os grupos interessados nos leilões permanece mas agora passa a ser tratada como mais uma opção, e não mais como um pré-requisito para disputar os terminais.
         A abertura para a terceirização dos serviços não retira, porém, as exigências sobre experiência dessas empresas. Estão mantidas as condições de habilitação técnica para cada aeroporto: experiência em processamento mínimo de 9 milhões de passageiros em pelo menos um dos últimos cinco anos para os aeroportos de Salvador e Porto Alegre; de no mínimo 7 milhões para o aeroporto de Fortaleza, e de no mínimo 4 milhões para o aeroporto de Florianópolis.
         As minutas dos editais de concessão receberam contribuições até a terça-feira. Nos próximos dias, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deve apresentar uma redação final do edital. O governo promete fazer o leilão nos próximos meses.
         A cobrança das outorgas dessas concessões será flexibilizada, para aliviar a pressão financeira sobre as empresas nos primeiros anos de operação. Pelas regras, fica mantida a exigência de o vencedor pagar 25% do seu preço de outorga - o lance que a empresa dá durante o pregão - no ato de assinatura do contrato, mas o pagamento dos demais 75% será gradual.
         Em vez de serem pagos em parcelas anuais fixas, corrigidas pelo IPCA, durante todo o prazo de concessão, seguirão uma tabela progressiva. Após a entrada de 25%, está prevista ainda uma carência de cinco anos para iniciar o pagamento das parcelas.
         As novas concessões têm prazo de 30 anos para os terminais de Fortaleza, Salvador e Florianópolis. No caso de Porto Alegre, o prazo é de 25 anos. O investimento total estimado para os quatro terminais é de R$ 6,042 bilhões. A outorga mínima soma R$ 4,111 bilhões. Empresas interessadas poderão ganhar até dois aeroportos, desde que em regiões diferentes.

Latam estende a toda frota tecnologia para operar em baixas condições de visibilidade já usada nos seus cargueiros



         A LATAM Airlines Brasil está adotando novas tecnologias para promover maior eficiência em suas operações e melhoria na experiência de viagem de seus consumidores. Uma delas é a certificação que prepara toda a frota da empresa para operar em CAT III, sistema de aproximação por instrumento que permite todas as aeronaves da frota a pousarem em aeroportos habilitados com o instrumento durante as mais baixas condições de visibilidade. 
     Outra inovação é relacionada ao uso de tablets por pilotos com aplicativos e softwares especialmente desenhados para substituir os tradicionais manuais de bordo impressos para cada aeronave em operação.
         Desde 2005, os cargueiros Boeing 767 da companhia são certificados a operar em CAT III. A autorização foi estendida às aeronaves Boeing 777 da frota comercial internacional da empresa em 2014 e, agora, a Latam Airlines Brasil anuncia a homologação para todos os aviões da família Airbus, que inclui os modelos A319 e A321, e os Boeing 767 de seus voos comerciais.
         O sistema poderá ser usado durante o pouso nos aeroportos habilitados para a operação em CAT III, que atualmente são Guarulhos, Charles de Gaulle (Paris), Ezeiza (Buenos Aires), Frankfurt, JFK (Nova Iorque), Orlando, Heathrow (Londres), Lima, Madri e Santiago do Chile.;
         "Com esta certificação estendida para toda a nossa frota estimamos uma diminuição de contingências operacionais de natureza meteorológica, como voos alternativos para outros aeroportos ou até aviões retidos na origem", esclarece o diretor sênior de Operações e Treinamento da Latam Airlines, Harley C. Menezes.



Mapa quer ampliar participação do país no comércio mundial de sêmem e embriões bovinos



         O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está trabalhando, em conjunto com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e com a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), para ampliar a participação do Brasil no comércio mundial de sêmen e embriões bovinos.
         Atualmente, o Brasil está em 20º lugar no ranking global de exportação de material genético bovino.  Segundo o Departamento de Saúde Animal do Mapa, o país tem grande potencial de crescimento no segmento, por possuir um rebanho bovino com alto padrão zootécnico.
         Esta semana, representantes do Mapa, da CNA e ABCZ estiveram reunidos em Brasília para debater medidas voltadas ao incremento das exportações brasileiras de material genético bovino.
       De acordo com o chefe da Divisão de Trânsito Nacional do ministério, Rodrigo Padovani, o principal objetivo da articulação com o setor privado é alinhar as ações para atender as demandas de novos mercados e facilitar a criação e a modernização de novos protocolos zoosanitários, além de revisar periodicamente os protocolos vigentes. Além disso, acrescenta, é fundamental desburocratizar as exportações.
         Na avaliação do gerente técnico da ABCZ, Mario Karpinskas, a relação com o setor público deve contribuir para ampliar a exportação de sêmen e embriões bovinos para o mercado para países com clima tropical, como Colômbia, Equador, Venezuela, Tailândia e Malásia, além de nações africanas.

Brasil sobe dez posições no ranking mundial de logística, mas ainda é apenas o 55º colocado

         O Brasil subiu dez posições no ranking mundial de logística do Banco Mundial, ficando na 55º posição em 2016. O levantamento tem a Alemanha em primeiro lugar, seguido por outros países desenvolvidos, como Luxemburgo, em segundo, e Suécia em terceiro.
         Apesar da melhora, o Brasil segue atrás de outros emergentes, como a Índia (35º) e China (27º), e países vizinhos, como Chile (46º) e Panamá (40º). O levantamento é divulgado a cada dois anos pelo Banco Mundial e leva em conta seis fatores, como a infraestrutura das estradas e portos, procedimentos alfandegários, prazos de entrega e eficiência de rastreamentos. Em 2014, o Brasil ficou em 65º.
         Uma das principais conclusões do relatório divulgado nesta terça-feira pelo Banco Mundial é que enquanto a logística dos países emergentes teve melhora, o progresso nas economias mais pobres se desacelerou pela primeira vez desde 2007. Nas três últimas posições do ranking estão Síria, Somália e Haiti.
         No caso do Brasil, o item com melhor avaliação é sobre o "rastreamento", que mede o monitoramento de cargas, no qual o país ficou em 45º lugar. Já a pior posição, 72º, ficou na categoria "entregas internacionais", que mede, por exemplo, a competitividade do país nos preços das entregas pelo mundo.
         "O desempenho da logística, tanto no comércio internacional como no mercado interno, é fundamental para a competitividade e o crescimento dos países", afirma no estudo a diretora do Banco Mundial, Anabel Gonzales. Para a elaboração do ranking a instituição entrevistou 1,2 mil pessoas da área de logística no mundo.
         Os dez primeiros lugares são dominados por países desenvolvidos. Um dos autores do relatório do Banco Mundial, Jean-Francois Arvis, ressalta que vários países precisam avançar na logística, incluindo a melhora da qualidade dos serviços. Uma das características comuns dos melhores colocados, afirma ele, é que essas economias mostram "forte cooperação" entre os setores públicos e privados no segmento.
          O relatório de logística do Banco Mundial começou a ser produzido em 2007 e está em sua quinta edição. A melhor posição ocupada pelo Brasil no ranking geral foi em 2010, quando ficou em 41º lugar.

Exportações de soja de Mato Grosso pelo Arco Norte saltam de 18% para 34% de janeiro a maio


         A participação do Arco-Sul caiu de 82% para 66% em quatro anos nas exportações da soja de Mato Grosso, enquanto a do Arco-Norte passou de 18% para 34%. De janeiro a maio, Mato Grosso embarcou somente em soja 10,493 milhões de toneladas apenas em grãos, que resultaram em torno de US$ 3,724 bilhões.
         Os portos do Arco-Sul seguem com maior participação nos embarques do grão mato-grossense, porém nos últimos anos se tem verificado um crescimento na procura dos portos de Barcarena e Santarém, no Pará, São Luiz (MA) e Manaus (AM).
         “É possível que nos próximos anos o norte aumente ainda mais sua significância conforme o aprimoramento da infraestrutura, ora no transporte, ora na armazenagem, pois esse encurtamento de distância é vantajoso para duas das regiões de maior produção do Estado, que ganham com a redução dos custos com frete e tornam a soja de MT mais competitiva no mercado”, pontua o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em seu boletim semanal da soja.
         Pelo porto de Santos (SP) foram escoados 5,477 milhões de toneladas. Já o porto de Paranaguá (PR), que sempre se manteve em segundo lugar, apenas 471,9 mil toneladas.
          Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligado ao Ministério da Indústria, Comércio e Exterior (MDIC). Conforme os números, por Barcarena (PA) foram escoadas de janeiro a maio 1,009 milhão de toneladas, tornando o porto o segundo maior escoador da soja de Mato Grosso.
         Por Santarém (PA), aponta a Secex, foram 962,6 mil toneladas e por Manaus (AM) 952,5 mil toneladas. Já por São Luiz (MA) 654,04 mil toneladas e por Vitória (ES) 550,3 mil toneladas.

Porto de Cabedelo terá movimentação intensa nos próximos dias com cargas de trigo e granito


         O Porto de Cabedelo terá movimentação intensa nos próximos dias. Dois navios estão operando mais de 20 toneladas de cargas de trigo e de granito. As operações de carga e descarga envolvem algumas dezenas de portuários e caminhoneiros.
         A presidente da Companhia Docas da Paraíba, Gilmara Temóteo, avalia que, apesar crise nacional que afeta a economia do país, os portos brasileiros são as principais portas para o transporte dos produtos demandados pela indústria e comércio e que o Porto de Cabedelo, por sua localização estratégica, sempre será destino de muitas cargas oriundas de portos brasileiros ou internacionais.
         O navio Zhe Hai 2, de bandeira de Hong Kong, atracou no porto paraibano e está desembarcando até esta terça-feira (28) um total de 14.800 toneladas de trigo procedente da Argentina. O cargueiro tem 180 metros de comprimento.
         Já o navio Condos Arrow, de 200 metros de comprimento e bandeira panamenha, está embarcando para a Itália 8 mil toneladas de granito extraído aqui na Paraíba. Por mês atracam no Porto de Cabedelo, em média, oito navios, incluindo os petroleiros.

Transpetro anuncia cancelamento da construção de sete embarcações do Promef pelo EAS

         A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, anunciou na noite desta terça-feira o cancelamento da construção de sete embarcações do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS). O contrato foi renegociado em acordo extrajudicial para manter a construção de outras oito embarcações, das quais três já estão em andamento. O Promef era um dos principais programas da empresa sob a gestão de Sérgio Machado, ex-presidente da subsidiária e um dos delatores de caciques do PMDB na Operação Lava Jato.
         De acordo com o comunicado da empresa, foi celebrado nesta terça-feira, 28, um Instrumento Particular de Transação Extrajudicial (TEJ) para renegociar os termos do contrato. O acordo também prevê "o encerramento de pendências contratuais existentes", como a negociação de multas e rescisões contratuais por atrasos em outros projetos.
         Foram mantidos os contratos de três navios suezmax, um petroleiro de grandes dimensões, e cinco aframax, de menor proporção. A previsão é que as embarcações sejam concluídas até 2019. Pelo acordo, foram canceladas as encomendas de quatro suezmax e três aframax.
         Ao todo, foram contratadas 47 embarcações que atuavam no transporte de petróleo e combustíveis entre as plataformas, centros e terminais de distribuição. Apenas 14 foram concluídas e 13 tiveram os contratos rescindidos por falhas na execução das obras. Ao todo, a Transpetro investiu R$ 5,5 bilhões nos contratos.
         As encomendas da subsidiária da Petrobras eram a principal aposta da indústria naval para seu ressurgimento, a partir das políticas de incentivo estabelecidas nos governos Lula e Dilma. A partir da criação da política de conteúdo local, que exigia investimentos na indústria nacional, diversas empreiteiras passaram a investir no segmento para a construção de embarcações de apoio e também de plataformas.
         O EAS, alvo do primeiro acordo de renegociação da Transpetro, é uma joint venture entre Camargo Correa e Queiroz Galvão, ambas envolvidas na Operação Lava Jato. A Odebrecht e a OAS também mantêm investimentos no setor, com a Enseada Indústria Naval, que administrava estaleiros na Bahia e no Rio - ambos fechados em função da crise no setor.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Exportação de celulose cresce 22% em maio em relação ao mesmo mês do ano passado

         A produção de celulose no mês de maio subiu 13,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, para 1,530 milhão de toneladas, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira, 28, pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). As exportações tiveram crescimento de 22,5% na mesma base de comparação, para 958 mil toneladas, e as importações caíram 6,3%, para 30 mil toneladas.
         Já a produção de papel teve leve alta de 0,8% em maio ante igual mês de 2015, para 850 mil toneladas. As vendas domésticas ficaram estáveis no período em 436 mil toneladas, e as exportações subiram 9,5%, para 185 mil toneladas.
         No segmento de painéis de madeira, as exportações tiveram alta de 51,7% no mês passado, para 91 mil metros cúbicos, e as vendas domésticas caíram 0,8%, para 519 mil metros cúbicos.
         De janeiro a maio deste ano, a produção de celulose atingiu 7,5 milhões de toneladas, alta de 10,4% sobre o mesmo período de 2015. A produção de papel teve leve alta de 0,8% nos primeiros cinco meses do ano, e atingiu 4,3 milhões de toneladas.
         As vendas domésticas de papel somaram 2,2 milhões de toneladas no acumulado do ano, volume 0,9% maior do que o de igual intervalo de 2015. As vendas de painéis de madeira atingiram 2,6 milhões de m2, volume 6,6% menor.
         As exportações de celulose totalizaram 5,2 milhões de toneladas de janeiro a maio, alta de 17,7% na comparação anual. As vendas externas do segmento de painéis de madeira somaram 359 mil m? no acumulado do ano, crescimento de 56,1% sobre o mesmo período do ano passado. As exportações de papel atingiram 874 mil toneladas nos primeiros cinco meses do ano, uma elevação de 8,2%.
         De janeiro a maio, a receita de exportações de celulose, painéis de madeira e papel totalizou US$ 3,2 bilhões, expansão de 6,4% em relação à mesma etapa de 2015. O saldo da balança comercial do setor de janeiro a maio deste ano é de US$ 2,7 bilhões, alta de 15,8% na comparação anual.

Governo apresentará novo modelo de participação da Infraero nos aeroportos

         O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), e o líder do governo na Câmara, deputado André Moura (PSC-SE), escalados para falar sobre a reunião à imprensa, após encontro do núcleo de infraestrutura do governo federal, relataram que o Ministério dos Transportes apresentará um novo modelo de participação da Infraero nos aeroportos.
         Outra prioridade destacada pelo presidente interino Michel Temer foi uma solução para a drenagem do Porto de Santos. Além disso, Temer pediu que os ministros priorizem a conclusão das obras inacabadas de cada pasta e sugeriu uma reunião em um Estado do Nordeste para tratar da revitalização do Rio São Francisco.
         Sobre a Infraero, Moura disse que o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa, relatou que apresentará, em breve, um novo modelo de participação da empresa nos aeroportos. Segundo Moura, a Infraero fica com o ônus dos funcionários, mas não tem nenhum bônus.
         Quintella também disse que são necessários cerca de R$ 2,5 bilhões para recuperar a malha rodoviária do país. E pediu uma solução para as obras de drenagem do Porto de Santos. Temer também pediu prioridade nesse assunto.
         Na reunião, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse que recursos do FGTS poderão ser utilizados para impulsionar as concessões. Segundo Araújo, haveria R$ 10 bilhões disponíveis que não foram utilizados em 2015.
         Moura também relatou que Temer pediu prioridade para conclusão de obras em andamento ou retomada urgente das obras paralisadas. “O presidente pediu aos ministros que priorizem a conclusão das obras em andamento para preservar os recursos dos brasileiros que já estão aplicados”, disse Moura.
         Araújo disse que cada ministério fará sua planilha de obras inacabadas ou paralisadas. Ele disse que na pasta de Cidades, somente na faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida, há mais de 70 mil unidades paralisadas.
         Segundo Araújo, o ministro Hélder Barbalho, da Integração Nacional, apresentou um cronograma das obras da transposição do Rio São Francisco e disse que serão necessárias “obras auxiliares” em vários Estados. Temer sugeriu que seja feita uma reunião, em algum Estado do Nordeste, para discutir a revitalização do rio.
         O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, que também participou da reunião, pediu agilidade nas mudanças do regime de concessão de licenças ambientais para as obras públicas. Segundo relatos de Araújo e Moura, Sarney Filho observou que o regime em vigor é incongruente, porque exige os mesmos critérios para uma obra de um posto de gasolina ou de uma refinaria.

China acusa medidas protecionistas dos Estados Unidos de reduzir competitividade da indústria do país na área do aço

         O Ministério do Comércio da China denunciou, nesta terça-feira, 28, que as medidas protecionistas dos Estados Unidos na área do aço irão reduzir a competitividade da indústria local.
         As autoridades de Pequim pediram que os norte-americanos sejam cautelosos na implementação dessas ferramentas.
         As ponderações preocupadas do órgão chinês surgiram após Washington impor tarifas antidumping de até 250% sobre produtos de aço da China.
         No comunicado, o Ministério afirmou também que continuará procurando tratamento justo para os produtos chineses dentro das regras da Organização Mundial do Comércio.

Milton Lourenço prevê uma nova agenda econômica para o Brasil e a Argentina



         *Com a ascensão na Argentina de um governo mais aberto e menos propenso a medidas restritivas e o fim no Brasil de um período de 13 anos em que a política de comércio exterior esteve influenciada por um viés ideológico, os dois países têm, a partir de agora, a oportunidade de estabelecer uma agenda que possa promover maior número de negócios, com o fortalecimento do Mercosul. Se acompanhada pela assinatura de um possível acordo de livre-comércio com o México, já há algum tempo em discussão, essa nova agenda, com certeza, irá contribuir decisivamente para uma recuperação mais consistente do comércio exterior brasileiro, atenuando a crise no mercado interno, como defende a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
        É de se destacar que, hoje, a Argentina é o quarto provedor do Brasil, atrás apenas de Estados Unidos, China e Alemanha, e o terceiro comprador. Mas o intercâmbio bilateral tem decaído nos últimos tempos. Segundo a consultoria argentina Abeceb, de janeiro a maio de 2016, a Argentina importou do nosso país mais 7,7%, mas exportou 17,4% menos, como resultado do fato de o Brasil ter comprado 30% menos do exterior. O forte crescimento das importações argentinas do Brasil, combinado com a queda das vendas para o mercado brasileiro, resultou no déficit mensal mais alto desde fins de 2013. Com um déficit acumulado de US$ 1,8 bilhão, o resultado comercial negativo praticamente triplica aquele registrado em igual período do ano anterior (US$ 685 milhões)
         Esse déficit tem deixado claro para as autoridades argentinas a necessidade de a política comercial com o Brasil passar por algumas reformas a fim de que os dois países possam ganhar competitividade em uma economia global em que a inovação domina o cenário. Portanto, como defendeu recentemente o embaixador argentino em Brasília, Carlos Magariños, Brasil e Argentina precisam trabalhar em uma agenda ambiciosa de facilitação de comércio e convergência regulatória e destravar regulamentações que impedem o fluxo normal de comércio e de investimentos.
          Como se depreende do posicionamento do embaixador argentino, aparentemente, os dois países já perceberam que deverão ganhar mais se se unirem para encontrar maior espaço no comércio internacional e atrair mais investimentos externos, o que implica um novo direcionamento no Mercosul, a partir da assinatura de um acordo amplo com a União Europeia, cujas tratativas se arrastam desde 1999, além da definição de uma agenda de negociações com os Estados Unidos que preveja a recuperação do mercado perdido no território norte-americano pelos produtos brasileiros nos últimos 13 anos. Sem deixar de buscar maior integração do Mercosul com os países da Aliança do Pacífico (México, Peru, Chile e Colômbia).
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(*) Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br