O vice-presidente do Syndarma (Sindicato Nacional das Empresas
de Navegação Marítima), Luis Fernando Resano, disse que a cabotagem vem oferecendo condições mais flexíveis e praticáveis que exigem índices mínimos para a fabricação de embarcações no Brasil, mas ainda esbarram em diversos entraves como custo elevado para a construção e dificuldade no cumprimento dos prazos. Ele destacou que as encomendas são os principais
dilemas vividos pelas armadoras na hora de escolher entre a produção
nacional ou recorrer à importada.
Segundo o dirigente, a falta de disponibilidade e capacidade dos estaleiros
para construção de navios de porte bruto são outros problemas
enfrentados pelo setor, que precisa fabricar navios capazes de suportar
até 60 mil toneladas. Mesmo com todos estes desafios, Resano acredita
que o mercado nacional possui condições para competir em igualdade com o
mercado internacional, pois as altas taxas de impostos para a
importação, que podem chegar a 50% do valor da encomenda, deixam as
estrangeiras em desvantagem.
“É preciso ter um bom capital para importar
navios”, disse. Para ele, a decisão de construir embarcações no Brasil ou encomendar no
exterior vai depender muito da necessidade do armador. Se existe
urgência para operar, por segurança as empresas optam pela produção
internacional devido à agilidade, mas se for uma demanda de longo prazo a
vantagem utilizar conteúdo local.
Apesar do desequilíbrio na matriz dos transportes brasileira com a
preponderância do modal rodoviário, o fato é que a cabotagem cresce de
10% a 12% ao ano no País, por ser economicamente mais barata e
sustentável. “As empresas estão investindo no transporte, ninguém vai
comprar um navio para deixar parado enquanto não tem carga. O custo é
muito elevado e por isso o navio precisa estar rodando. O que precisa é
ter carga com regularidade e volume. A frota de cabotagem está pronta
para atender o mercado”, destaca Resano ao afirmar que o setor está
preparado para atender novas demandas.
De acordo com o diretor da Antaq (Agência Nacional de Transportes
Aquaviários), Fernando José de Pádua Costa Fonseca, uma das soluções
para incentivar ainda mais o transporte de cabotagem é prestigiar o
armador brasileiro. “Podemos conseguir um frete muito mais em conta
apesar do risco Brasil. Nosso custo portuário é muito elevado, então
precisamos incentivar os armadores brasileiros e melhorarmos as
condições do nosso custo de logística”.

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