A demanda pela carne bovina
brasileira deve crescer em 2015, mas o bom desempenho das exportações
depende de uma recuperação do comércio com a Rússia, segundo avaliação
do Rabobank. O país, que é o segundo maior importador desse produto,
reduziu suas compras durante o primeiro trimestre. "Os desenvolvimentos
da situação na Rússia serão uma questão-chave para as exportações de
carne brasileira nesse ano", afirmam os analistas do banco holandês em relatório
trimestral sobre o mercado internacional do boi.
As vendas externas do
Brasil, no entanto, devem ser favorecidas pela desvalorização do real,
uma tendência que a instituição financeira acredita que irá continuar. A
depreciação torna os produtos brasileiros relativamente mais baratos
para alguns mercados internacionais, o que se reflete em um ganho de
competitividade.
O
Rabobank também destaca os problemas macroeconômicos vividos pelo
Brasil, citando projeções de queda de 0,5% no Produto Interno Bruto
(PIB) e de inflação de 7% ao ano, acima do teto da meta estabelecida
pelo Banco Central. O cenário pressiona a indústria da carne bovina a
manter competitivos os preços no atacado, a fim de evitar a migração dos
consumidores para proteínas alternativas, como a carne de suínos e
aves. O banco também afirma que as crises energéticas e hídricas no País
devem limitar a capacidade de crescimento da indústria esse ano.
Os
analistas preveem ainda que os preços da arroba devem permanecer
firmes durante o primeiro semestre, devido à escassez de animais. Ao
mesmo tempo, a previsão é de que o confinamento tenha expansão em 2015
com os menores custos para a alimentação do boi. No entanto, essa oferta
maior não deve aliviar a pressão de alta sobre a arroba no segundo
trimestre, se a expectativa de aumento nas exportações se provar
correta.
A
menor disponibilidade de gado é um problema global, o que deve manter a
oferta apertada ao longo de 2015, caso não haja um aumento na produção
no curto prazo. Até o momento, a seca na Austrália tem incentivado
pecuaristas a vender mais animais, o que compensa momentaneamente a
restrição na oferta em outros países. No entanto, o Rabobank estima que
os abates no país não podem continuar nesse nível por muito mais tempo.
O
banco também considera que a valorização do dólar em relação a uma série de
moedas ajuda os países que exportam para os Estados Unidos, notadamente
Canadá, México, Austrália e Nova Zelândia. Por outro lado, o rublo
esboçou recuperação a partir de fevereiro, o que pode sustentar as
importações da Rússia.
Na
China, os preços da carne bovina no atacado permaneceram estáveis
durante o início do ano. Isso sugere um enfraquecimento na demanda, já
que os preços geralmente sobem nesse período devido ao festival da
primavera. Dentre os fatores que contribuem para essa retração no
consumo, o banco cita a desaceleração econômica do país, a campanha
anticorrupção empreendida pelo governo e os preços competitivos de
proteínas alternativas.

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