A Petrobras teve um prejuízo de pelo menos R$ 19 bilhões nos
últimos anos devido a fraudes em licitações para beneficiar empreiteiras
e pagamento de propinas a políticos e funcionários públicos. O número,
que faz parte de um balanço parcial da Polícia Federal (PF), indica que
ele seria três vezes maior do que o cálculo feito pela força-tarefa dos
desvios na estatal entre 2004 e 2012 devido à corrupção. No entanto, o
próprio MPF acredita que seja difícil chegar a um número exato.
O
cálculo do prejuízo está sendo feito por peritos da PF, com base em um
lote de contratos investigado pela Operação Lava-Jato. O relatório final
deve ser apresentado semana que vem e anexado ao processo, mas, até
agora, já foram apurados desvios que ultrapassam R$ 19 bilhões. Entre as
obras que estão sendo auditadas estão a construção das refinarias Abreu
e Lima, em Pernambuco (Rnest), e do Complexo Petroquímico do Rio de
Janeiro (Comperj).
Para chegar ao montante final, os
técnicos estão cruzando dados de planilhas de preços de cada contrato da
Petrobras com dados levantados pela investigação, contas bancárias e
depoimentos de colaboradores. Além do dinheiro que foi desviado para
pagar propinas, a apuração levantou, por exemplo, casos de alteração de
valores em itens dos contratos, como o preço unitário de uma peça,
superfaturamento, jogos de planilha.
"Achávamos que a margem
de prejuízo da Petrobras era em torno de 3% por contrato. É isso o que
os colaboradores dizem. Mas estamos descobrindo é que essa margem
ficava, na verdade, entre 15% e 20% dos valores de contrato", disse
nesta quinta-feira o delegado da PF Igor Romário de Paula, que faz parte
da força-tarefa da Lava-Jato.
Segundo o delegado, as
empreiteiras acusadas de formar um cartel e fraudar licitações da
Petrobras teriam o costume de aumentar os valores dos contratos até o
máximo permitido pela estatal. A Petrobras teria, como praxe, aceitar
contratos até 20% mais caros do que o orçamento inicial, que era
calculado pela própria estatal.
O procurador Carlos Fernando
dos Santos Lima, também integrante da força-tarefa da Lava-Jato,
concorda que a corrupção causou prejuízos maiores a Petrobras. Por outro
lado, ele diz acreditar que seja difícil chegar a um número exato.

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