terça-feira, 14 de julho de 2015

Componentes para a Petrobras que deveriam ser produzidos em Charqueadas (RS) estão sendo montados na Ásia

        O cenário no setor naval no Sul do Brasil mostra equipamentos com montagem incompleta abandonados sob lonas e a produção parada há oito meses enquanto os trabalhos de montagem de componentes de novas encomendas de plataformas para a Petrobras, que deveriam ser feitas no Rio Grande do Sul, são iniciados na Ásia.

       A situação começou a ficar trágica quando a estatal rompeu no fim de 2014 o contrato que tinha firmado com a Iesa Óleo e Gás para a construção de 24 módulos para seis plataformas em Charqueadas (região metropolitana de Porto Alegre) e desde então o local está sem atividades.


         Este ano, a Petrobras refez a concorrência para a construção dos módulos e escolheu companhias da China e da Tailândia para tocar o negócio, o que praticamente inviabiliza o complexo gaúcho. Milhões de reais da estatal investidos no empreendimento da Iesa podem ser perdidos, já que dificilmente a estrutura incompleta montada no Rio Grande do Sul será reaproveitada.

       A Petrobras cancelou o acordo com a Iesa com a justificativa de que a contratada estava desrespeitando exigências. A empresa contratada, que foi um dos alvos da Operação Lava Jato, vivia crise financeira e enfrentava dificuldades para manter os pagamentos em dia. Hoje, o grupo proprietário da Iesa, o Inepar, está em recuperação judicial.

       No canteiro de obras de Charqueadas, quase mil funcionários foram demitidos. Atualmente, atuam no complexo industrial apenas seguranças patrimoniais e poucos funcionários administrativos. Estruturas incompletas, tubulações, guindastes e maquinário foram deixados da maneira que estavam na época do rompimento do contrato. Parte dos materiais está até mesmo exposta ao tempo, à espera de uma definição sobre o destino.

       Ao ser lançado o complexo de Charqueadas em 2012, a Petrobras divulgou que o valor total dos contratos com a empreiteira era de US$ 720 milhões. A estatal não respondeu quando indagada sobre quanto já havia pago à Iesa desde então, justificando que o negócio foi firmado por meio de um consórcio internacional que inclui companhias como a portuguesa Petrogal.

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