A valorização do dólar provocou efeitos nos cinco primeiros meses de 2015 para os
portos catarinenses. Dos cinco terminais, quatro encerraram o período
com queda na movimentação. A exceção é Itapoá, no Norte do Estado, que
celebrou alta de 15%. No Complexo de Itajaí, que inclui os terminais de Itajaí e
Navegantes, o maior do Estado e segundo maior em movimentação de
contêineres do Brasil, outro fator ameaça os resultados: a falta de
efetivo para fiscalização de cargas.
Com falta de fiscais na Receita
Federal, Anvisa e Ministério da Agricultura, o complexo tem
experimentado as primeiras perdas decorrentes da demora. Nos últimos
meses, 10 importadoras deixaram Itajaí. Nove delas se instalaram na
região de Itapoá. "Tempo é dinheiro e isso nos preocupa". disse o presidente do
Sindicado dos Despachantes Aduaneiros do Estado (Sindaesc), Marcelo
Petrelli.
A maioria das cargas (87%) tem liberação em até um dia. O impacto
maior é para cargas com necessidade de verificação física ou produtos de
origem animal e vegeral. Nesses casos, o tempo de espera chega a ser
três vezes maior em Itajaí e Navegantes do que em outros terminais no
Estado.
Embora o movimento de empresas para experimentar outros
terminais seja frequente, a situação acendeu o alerta no trade local. De acordo com o superintendente do Porto de Itajaí, Antônio Ayres dos
Santos Junior, ainda não há reflexo significativo na movimentação de
cargas, mas a autoridade portuária está atenta. "Não podemos perder essa referência de porto eficiente. Foi esse
diferencial que nos ajudou a atrair muitas empresas nos últimos anos",
afirmou. No balanço divulgado ontem, o Complexo Portuário de Itajaí encerrou
os cinco primeiros meses do ano com queda de 9%. Em maio, o porto ficou
cinco dias fechado, o que impactou no resultado.
Com quatro anos de operação, o Porto Itapoá abriu uma unidade da
Vigilância Agropecuária em suas instalações, o que deve tornar mais ágil
a análise das cargas no terminal. Até então Itapoá era atendido pela
mesma equipe que atuava em São Francisco do Sul, a 120 quilômetros por
via terrestre.
Hoje o tempo médio para casos que demandam vistoria é de até três
dias. Em relação a cargas com ação da Anvisa e Receita, o tempo médio é
de cinco dias.
O Complexo Portuário de Itajaí conta com apenas dois fiscais do
Ministério da Agricultura que atendem três dias na semana. A Anvisa
fiscaliza cargas como medicamentos e alimentos, e a Receita atua
especialmente nas importações, que representam um dos principais
gargalos do Complexo Portuário. A Receita não divulga o número de fiscais que atuam hoje nos
terminais de Itajaí e Navegantes. Mas confirma que o volume de
declarações de importação (DIs) quadruplicou nos últimos nove anos – de
32 mil, em 2006, para 141 mil no ano passado. Mesmo com quatro vezes
mais trabalho, o número de fiscais ficou o mesmo.
Apesar da queda de 14,9% nos primeiros cinco meses, o Porto de
Imbituba percebe a migração de cargas de outros terminais. A supersafra,
os incentivos fiscais e principalmente a agilidade na liberação de
cargas ajudam a explicar o movimento, afirma Rogério Pupo, presidente do
Porto de Imbituba. "Há uma migração de cargas não somente do Porto de Santos, mas também do Porto de Paranaguá e de Rio Grande", relatou. A confirmação de novas cargas para os próximos meses deve fazer com que o porto supere o patamar do ano passado em 10%.
"Esse resultado se explica pelo fato de que grande parte da
movimentação de cargas era destinada ao mercado interno e o Brasil está
em retração, essa incerteza dos desdobramentos da economia refletiu no
transporte de carga", analisou Pupo. No Porto de São Francisco, apesar queda de 14%, o presidente Paulo
César Côrtes Corsi afirmou que o terminal tem produtos consolidados, como
a soja na exportação e fertilizantes na importação. "Há variações sazonais, depende muito da safra. O que existe é que
parte da carga de importação é de siderúrgicos e a situação cambial não
favorece essa importação", avaliou.
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