A Logz
Logística Brasil, empresa de logística portuária controlada por fundos
da gestora BRZ (criada pela GP Investimentos), depois de oito meses de espera, obteve do governo federal a
Declaração de Utilidade Pública para o Terminal de Grãos de Santa
Catarina (TGSC). O documento era o último passo necessário para que a
companhia iniciasse o empreendimento.
O novo terminal será
construído na Baía da Babitonga, ao lado do porto público de São
Francisco do Sul (SC), e representará a estreia da empresa na
movimentação de soja, milho e farelo de soja em grande escala no país. A
Logz já detém participação acionária em outros dois terminais
catarinenses - o Porto Itapoá e o Terminal de Contêineres de Santa
Catarina (TESC).
Na primeira fase, que se estenderá pelos dois
primeiros anos de operação, estão previstos aportes de R$ 500 milhões
para a movimentação de 4 milhões a 6 milhões de toneladas de grãos por
ano, produzidos no Paraná e em Mato Grosso do Sul. A capacidade estática
de armazenagem será de 255 mil toneladas.
O novo terminal poderá
duplicar a exportação de grãos por Santa Catarina. Atualmente, esse
escoamento depende do porto público de São Francisco do Sul, que
movimentou 4,8 milhões de toneladas de soja em 2014 - 35,3% do volume
total.
O projeto prevê, ainda, a construção de um segundo berço,
para permitir a atracação de dois navios simultaneamente. "Mas isso
dependerá da demanda que tivermos", disse o diretor de
Investimentos e Operações da Logz, Roberto Lopes. "Se houver demanda,
iniciaremos a segunda fase do projeto". O investimento, nesse caso,
seria de R$ 200 milhões a R$ 250 milhões.
Formada em 2010 e
voltada para o desenvolvimento de projetos e gestão de ativos na cadeia
logística no país, a Logz detém 50% do TGSC, por meio de sua subsidiária
Sati. Os demais 50% pertencem à Sagah - que é "dividida" pelo grupo
chinês Hopefull Honoround, pela Litoral Soluções e por investidores
locais.
A Logz obteve a licença prévia do projeto em 2012 e a
licença de instalação em 2014, e aguardava o parecer da Presidência da
República sobre a Declaração de Utilidade Pública da área desde
setembro. Segundo Lopes, a empresa passará agora para a fase
final de equalização do projeto, que envolve a escolha das construtoras.
A expectativa é que as obras comecem entre três e cinco meses, disse
Lopes. "Se começarmos as obras no fim deste ano, o terminal entrará em
fase operacional no fim de 2017".
Só em Santa Catarina, a Logz garante ter investido R$ 626 milhões nos últimos anos. A empresa tem
planos de construir um terminal para grãos também em Paranaguá (PR),
desta vez em parceria com a Triunfo Participações e Infraestrutura. Mas a
discussão sobre a poligonal do porto, que se arrasta há meses, atrasou
os planos dessa e de outras empresas interessadas na região. "Seria um
projeto de R$ 1,2 bilhão, para 14 milhões de toneladas de grãos por ano
em grãos, fertilizantes e, possivelmente, açúcar", disse Lopes. "Estamos
aguardando".
A Logz também é parceira da Odebrecht Transport
(OTP), subsidiária de infraestrutura e logística da Odebrecht, no
chamado Arco Norte do país. As empresas pretendem explorar a rota de
escoamento de grãos pelo rio Tapajós, no Pará.

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