sexta-feira, 3 de julho de 2015

Correspondente do Financial Times diz que Dilma corre risco de sofrer impeachment

       O correspondente do Financial Times, de Londres, no Brasil, Joe Leahy, publicou na edição impressa desta sexta-feira (3), coluna em que afirma que a presidente Dilma Rousseff corre o risco de sofrer impeachment. "Com a popularidade tão baixa, Dilma está vulnerável ao impeachment particularmente se as investigações sobre a Petrobras encontrarem algo ligando ela ao problema", analisou o jornalista na coluna "Global Insight", ressalvando, porém, que a impopularidade de Dilma "não parece inteiramente merecida".

       Ao relatar a forte queda de popularidade de Dilma entre os eleitores, o jornalista destacou que "a única esperança dela é que o ajuste fiscal de Joaquim Levy estabilize a fraca economia e ganhe tempo para restaurar o crescimento". Mesmo mencionando o risco de impeachment, Leahy defendeu que a impopularidade dela "não parece inteiramente merecida, já que outros presidentes presidiram o país em períodos piores, mas mantiveram números melhores nas pesquisas".

       "A maior economia da América Latina está caminhando para uma recessão e a taxa de desemprego subiu. A 6,75% em maio, o desemprego se aproxima níveis argentinos, mas certamente não é tão mau como na Grécia ou em outros lugares no sul da Europa", relatou o texto. "Analistas brasileiros falam livremente da 'crise', mas o país não está enfrentando a turbulência que caracteriza crise. Não há nenhuma crise de balanço de pagamentos, por exemplo. O Brasil ainda tem uma das mais altas reservas cambiais do mundo", exemplificou o jornalista.

       Segundo Leahy, é compreensível que eleitores estejam insatisfeitos. Citou que a campanha para a reeleição de Dilma negava problemas na economia, mas, logo após a vitória, o governo começou uma reviravolta com adoção de medidas austeras. O jornalista também salientou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não tem ajudado" e lembrou do cenário composto pelo escândalo de corrupção na Petrobras e por maior acesso à informação do eleitorado. "Talvez a principal razão para os eleitores estarem tão zangados é que as expectativas eram muito elevadas", avaliou.

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