O correspondente do Financial Times, de Londres, no Brasil, Joe Leahy, publicou na edição impressa desta sexta-feira (3), coluna em que afirma que a
presidente Dilma Rousseff corre o risco de sofrer impeachment. "Com a
popularidade tão baixa, Dilma está vulnerável ao impeachment
particularmente se as investigações sobre a Petrobras encontrarem algo
ligando ela ao problema", analisou o jornalista na coluna "Global Insight", ressalvando, porém, que a impopularidade de Dilma "não parece inteiramente
merecida".
Ao relatar a forte queda de popularidade de Dilma entre os eleitores, o jornalista destacou que "a única esperança
dela é que o ajuste fiscal de Joaquim Levy estabilize a fraca economia e
ganhe tempo para restaurar o crescimento". Mesmo mencionando o
risco de impeachment, Leahy defendeu que a impopularidade dela "não
parece inteiramente merecida, já que outros presidentes presidiram o país em períodos piores, mas mantiveram números melhores nas pesquisas".
"A maior economia da América Latina está caminhando para uma recessão e
a taxa de desemprego subiu. A 6,75% em maio, o desemprego se aproxima
níveis argentinos, mas certamente não é tão mau como na Grécia ou em
outros lugares no sul da Europa", relatou o texto. "Analistas
brasileiros falam livremente da 'crise', mas o país não está enfrentando
a turbulência que caracteriza crise. Não há nenhuma crise de balanço de
pagamentos, por exemplo. O Brasil ainda tem uma das mais altas reservas
cambiais do mundo", exemplificou o jornalista.
Segundo Leahy, é compreensível que eleitores estejam insatisfeitos. Citou que a
campanha para a reeleição de Dilma negava problemas na
economia, mas, logo após a vitória, o governo começou uma reviravolta
com adoção de medidas austeras. O jornalista também salientou que o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não tem ajudado" e lembrou do
cenário composto pelo escândalo de corrupção na Petrobras e por maior
acesso à informação do eleitorado. "Talvez a principal razão para os
eleitores estarem tão zangados é que as expectativas eram muito
elevadas", avaliou.

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