Os acionistas do Estaleiro Atlântico Sul (as brasileiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão e a japonesa IHI Marine), de Suape, em Pernambuco, estudam a injeção de R$ 100 milhões na empresa na tentativa de evitar que ela precise recorrer à recuperação judicial. Responsável por contratar
estaleiros para construir sondas para a Petrobras, a Sete Brasil havia
encomendado ao Atlântico Sul sete navios-sonda, mas parou de pagar em
novembro do ano passado.
O contrato foi rescindido quatro meses depois. Sobraram para o estaleiro dívidas de R$ 1,5 bilhão com fornecedores das sondas. Um
acordo com a empresa é considerado central para impedir que o estaleiro
tenha de buscar proteção da Justiça contra os credores. Há pouco
mais de um mês, os sócios aplicaram cerca de R$ 50 milhões no
estaleiro, mas o rombo nas contas continuou. A dívida soma cerca de R$ 3
bilhões, e o caixa não chega a R$ 200 milhões mesmo após corte de
gastos e a demissão de trabalhadores.
As empreiteiras Camargo
Corrêa e Queiroz Galvão, envolvidas na Operação Lava Jato, querem
evitar a recuperação judicial. Temem o efeito do pedido sobre
outros negócios. Há receio de que bancos restrinjam ainda mais o crédito
e credores fiquem impacientes. Por outro lado, ambas já
despejaram milhões no estaleiro desde que foi criado, em 2005, e não há
mais clareza do retorno que terão com o investimento.
Se a
injeção emergencial for realizada, o estaleiro ganhará mais tempo para
tentar receber algo da Sete Brasil –o Atlântico Sul calcula que tenha a
receber de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões. Mas um acerto entre as duas
companhias pode demorar. Primeiro, a Sete Brasil precisa
concordar com o valor.
Segundo, é preciso haver dinheiro para pagar ao estaleiro.
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