segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sócios podem injetar R$ 100 milhões para tentar salvar o Estaleiro Atlântico Sul, em Suape

       Os acionistas do Estaleiro Atlântico Sul (as brasileiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão e a japonesa IHI Marine), de Suape, em Pernambuco, estudam a injeção de R$ 100 milhões na empresa na tentativa de evitar que ela precise recorrer à recuperação judicial. Responsável por contratar estaleiros para construir sondas para a Petrobras, a Sete Brasil havia encomendado ao Atlântico Sul sete navios-sonda, mas parou de pagar em novembro do ano passado.

       O contrato foi rescindido quatro meses depois. Sobraram para o estaleiro dívidas de R$ 1,5 bilhão com fornecedores das sondas. Um acordo com a empresa é considerado central para impedir que o estaleiro tenha de buscar proteção da Justiça contra os credores. Há pouco mais de um mês, os sócios aplicaram cerca de R$ 50 milhões no estaleiro, mas o rombo nas contas continuou. A dívida soma cerca de R$ 3 bilhões, e o caixa não chega a R$ 200 milhões mesmo após corte de gastos e a demissão de trabalhadores.

      As empreiteiras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, envolvidas na Operação Lava Jato, querem evitar a recuperação judicial. Temem o efeito do pedido sobre outros negócios. Há receio de que bancos restrinjam ainda mais o crédito e credores fiquem impacientes. Por outro lado, ambas já despejaram milhões no estaleiro desde que foi criado, em 2005, e não há mais clareza do retorno que terão com o investimento.

      Se a injeção emergencial for realizada, o estaleiro ganhará mais tempo para tentar receber algo da Sete Brasil –o Atlântico Sul calcula que tenha a receber de R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões. Mas um acerto entre as duas companhias pode demorar. Primeiro, a Sete Brasil precisa concordar com o valor. Segundo, é preciso haver dinheiro para pagar ao estaleiro.

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