quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Bancos credores decidem não esperar por um novo acordo para salvar a Sete Brasil

     Os bancos credores da Sete Brasil negaram-se a esperar um novo acordo com a Petrobras para aprovação de um novo plano para salvar a empresa. As instituições decidiram não renovar a extensão do prazo de vencimento de US$ 3,8 bilhões em dívidas e a partir de agora vão buscar cobertura do Fundo Garantidor da Construção Naval (FGCN), administrado pela Caixa Econômica Federal. No fim de março, os bancos deram até o fim de junho para a Sete. Esse prazo foi ampliado até 14 de agosto. E agora, não mais.
      A Petrobras desde maio avalia o novo plano para a Sete, que reduz de 28 para 19 a quantidade de sondas a serem construídas para exploração do pré-sal. Todos os sócios - exceto a estatal, que tem 10% da empresa - já aprovaram previamente esse plano. A estatal decidiu rever algumas condições técnicas do contrato e aprovar tudo dentro de um mesmo pacote. A despeito de concordar com as 19 sondas e com a manutenção da taxa diária de afretamento - cerca de US$ 460 mil a preços atuais-, a Petrobras tem dificultado em outras frentes.
       Recentemente, o corpo técnico da Petrobras, da área de Exploração e Produção (E&P), surpreendeu ao exigir que as sondas que ficarão com a Sete - 15 das 19 que serão finalizadas, segundo o novo plano - sejam divididas entre três operadores. Foi apenas no início deste mês que a estatal comunicou essa exigência, mesmo ciente de que a Sete buscava um novo sócio, que fosse do ramo, aportasse cerca de US$ 700 milhões no negócio e operasse as suas sondas.

       Na prática, significa dividir o tíquete do investimento em três e criar uma estrutura sofisticada para permitir que esses novos sócios operem, cada qual, 5 sondas. Tudo isso, sem contar que deveriam se enquadrar numa longa lista de exigências feita pela estatal. A Sete vem tentando flexibilizar esse número para ao menos dois operadores - mas sem sucesso, até o momento. Além disso, a estatal também decidiu colocar em debate a multa para não cumprimento do percentual de conteúdo nacional nas sondas. A quantidade e especificidade dos temas, mais a inflexibilidade da estatal, estão levando à demora no avanço da reestruturação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário