A crise na empresa obrigou a Petrobras a reduzir em 2014 os investimentos
em todos os segmentos. A estatal fez cortes profundos na área de
exploração, a primeira no ciclo de produção de petróleo, necessária para
a reposição das reservas no futuro e fazer dobrar a produção de óleo
até 2020, como quer a empresa.
Foram
desembolsados no ano passado R$ 10,4 bilhões nas atividades de pesquisa sísmica e
perfuração de poços. O valor foi 40% menor em relação aos R$ 17,3 bilhões
aplicados no ano anterior e 13,3% abaixo dos R$ 12 bilhões aportados em
tais projetos em 2012.
Os cortes foram revelados pelo relatório de
administração da petrolífera, divulgado na semana passada. A difícil situação
crise financeira da empresa, provocada por endividamento e perdas com a
defasagem nos preços dos combustíveis, levou a Petrobras a cortar seu
investimento total em 16,6% em 2014 -de R$ 104,4 bilhões em 2013 para R$
87,1 bilhões. Já em relação a 2012, o total de investimento, no ano
passado, foi quase 4% maior.
A redução mais grave aconteceu na
exploração. A área, que tinha participação de 17% do total dos
investimentos em 2013, e de 14,3% em 2012, caiu para 12% -mesmo patamar
de 2011. O corte de recursos coincidiu com a queda na chamada
taxa de sucesso exploratório, que indica o total de reservas com óleo
entre todos poços perfurados.
Em 2014, essa taxa foi de 70%, ante
75% no ano anterior. No pré-sal, a taxa de sucesso caiu de 100% para
87%. A taxa da Shell está em torno de 80%. A média do setor é de 40 a
50%. A Petrobras previu, em 2014, elevar sua produção de petróleo
no país de 2,1 milhão de barris por dia para 4,2 milhões de barris, até
2020.
O ex-diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás
Natural e Biocombustíveis), o geólogo John Forman advertiu para riscos ao ritmo de
reposição de reservas da empresa. Segundo ele, ao adquirir uma
área da União para pesquisar petróleo até concluir o programa de
exploração, são necessários até dez anos.
"A empresa de petróleo
extrai petróleo de suas reservas. Se não há exploração, não há
descoberta de novas reservas para repor o óleo produzido. No longo
prazo, o risco é produzir mais do que se descobre, as reservas caírem e,
no extremo, termos de aumentar a importação de petróleo", explicou.
O corte na exploração foi semelhante ao sofrido pela área de abastecimento, responsável pela construção de refinarias-, de 41%. Já a atividade de produção, que é a extração de óleo dos poços para vendê-lo ou refiná-lo, teve corte de apenas 5% nos investimentos.
O ex-presidente da Petrobras Armando Guedes, afirmou que a opção da Petrobras é
destinar dinheiro para tirar óleo do pré-sal já descoberto. "A
empresa está optando por desenvolver e botar para produzir as reservas
já descobertas. Ela não precisa mais achar óleo e incorporar tantas
reservas. Ela já tem 16 bilhões de barris em reserva provadas e outros
30 bilhões a provar. Necessário é tirar o óleo do pré-sal para fazer
caixa rapidamente", argumentou.
Forman discordou. "O custo de produzir no pré-sal caiu, mas ainda é alto e envolve riscos". A
Petrobras informou que o investimento cresceu em 2013 devido ao pagamento
de R$ 6 bilhões para assinar o contrato de partilha da área de Libra, no
pré-sal, adquirida naquele ano.
A estatal garantiu que não houve
impacto no ritmo de descobertas e que seu índice de sucesso exploratório
"esteve acima de 60% nos últimos anos". A empresa promete detalhar os
investimentos em junho, quando deve divulgar o plano de negócios e
gestão da companhia.

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