segunda-feira, 18 de maio de 2015

Crise obriga a Petrobras a realizar cortes nos investimentos em todos os segmentos

       A crise na empresa obrigou a Petrobras a reduzir em 2014 os investimentos em todos os segmentos. A estatal fez cortes profundos na área de exploração, a primeira no ciclo de produção de petróleo, necessária para a reposição das reservas no futuro e fazer dobrar a produção de óleo até 2020, como quer a empresa.

      Foram desembolsados no ano passado R$ 10,4 bilhões nas atividades de pesquisa sísmica e perfuração de poços. O valor foi 40% menor em relação aos R$ 17,3 bilhões aplicados no ano anterior e 13,3% abaixo dos R$ 12 bilhões aportados em tais projetos em 2012.

      Os cortes foram revelados pelo relatório de administração da petrolífera, divulgado na semana passada. A difícil situação crise financeira da empresa, provocada por endividamento e perdas com a defasagem nos preços dos combustíveis, levou a Petrobras a cortar seu investimento total em 16,6% em 2014 -de R$ 104,4 bilhões em 2013 para R$ 87,1 bilhões. Já em relação a 2012, o total de investimento, no ano passado, foi quase 4% maior.
      

      A redução mais grave aconteceu na exploração. A área, que tinha participação de 17% do total dos investimentos em 2013, e de 14,3% em 2012, caiu para 12% -mesmo patamar de 2011. O corte de recursos coincidiu com a queda na chamada taxa de sucesso exploratório, que indica o total de reservas com óleo entre todos poços perfurados.

      Em 2014, essa taxa foi de 70%, ante 75% no ano anterior. No pré-sal, a taxa de sucesso caiu de 100% para 87%. A taxa da Shell está em torno de 80%. A média do setor é de 40 a 50%. A Petrobras previu, em 2014, elevar sua produção de petróleo no país de 2,1 milhão de barris por dia para 4,2 milhões de barris, até 2020.

      O ex-diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o geólogo John Forman advertiu para riscos ao ritmo de reposição de reservas da empresa. Segundo ele, ao adquirir uma área da União para pesquisar petróleo até concluir o programa de exploração, são necessários até dez anos.

   "A empresa de petróleo extrai petróleo de suas reservas. Se não há exploração, não há descoberta de novas reservas para repor o óleo produzido. No longo prazo, o risco é produzir mais do que se descobre, as reservas caírem e, no extremo, termos de aumentar a importação de petróleo", explicou.

      O corte na exploração foi semelhante ao sofrido pela área de abastecimento, responsável pela construção de refinarias-, de 41%. Já a atividade de produção, que é a extração de óleo dos poços para vendê-lo ou refiná-lo, teve corte de apenas 5% nos investimentos.
 

     O ex-presidente da Petrobras Armando Guedes, afirmou que a opção da Petrobras é destinar dinheiro para tirar óleo do pré-sal já descoberto. "A empresa está optando por desenvolver e botar para produzir as reservas já descobertas. Ela não precisa mais achar óleo e incorporar tantas reservas. Ela já tem 16 bilhões de barris em reserva provadas e outros 30 bilhões a provar. Necessário é tirar o óleo do pré-sal para fazer caixa rapidamente", argumentou.

      Forman discordou. "O custo de produzir no pré-sal caiu, mas ainda é alto e envolve riscos". A Petrobras informou que o investimento cresceu em 2013 devido ao pagamento de R$ 6 bilhões para assinar o contrato de partilha da área de Libra, no pré-sal, adquirida naquele ano.

      A estatal garantiu que não houve impacto no ritmo de descobertas e que seu índice de sucesso exploratório "esteve acima de 60% nos últimos anos". A empresa promete detalhar os investimentos em junho, quando deve divulgar o plano de negócios e gestão da companhia.

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