A presidente Dilma Rousseff afirmou, ontem,
quinta-feira, que a política de exigência de conteúdo local não deve
ser revista no seu governo. "A política de conteúdo local não é algo que
pode ser afastado, a política de conteúdo local é o centro da política
de recuperação da capacidade de investimento deste país", declarou,
durante a cerimônia no estaleiro Atlântico Sul (EAS), no Complexo de
Suape, em Ipojuca (PE), para o lançamento do navio encomendado pela
Petrobras André Rebouças, e do batismo do navio Marcílio Dias, ainda em
fase de construção. "A política de conteúdo local veio pra ficar, é uma
opção que fizemos ainda no governo Lula", acrescentou.
Dilma
foi enfática ao dizer que, no seu governo, as políticas de conteúdo
local e regime de partilha nos campos de petróleo serão mantidas.
"Queremos produzir no Brasil aquilo que pode ser produzido no Brasil".
Ela reconheceu que houve problemas quando a indústria naval foi
retomada, mas disse que isso é normal no início da curva de aprendizado.
"Que país não teve problemas quando resolveu empreender, ser pioneiro
numa indústria?", argumentou. O ministro de Minas e Energia, Eduardo
Braga, disse recentemente que o governo estuda mudanças na política de
conteúdo local para o setor de petróleo - que exige que boa parte dos
equipamentos usados nos blocos de exploração seja construída no País.
Segundo ele, o ministério trabalha para apresentar em 30 a 60 dias uma
proposta para o governo, em parceria com a Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
"Ambos os modelos fazem
sentido, um quando não se sabe onde tem petróleo e outro quando se sabe
que ali tem petróleo", disse Dilma ao comentar sobre os modelos de
concessão e de partilha. "Os dois modelos que vigem no Brasil serão
mantidos. O modelo de concessões para a exploração e prospecção em áreas
de alto risco, onde quem achar fica com o petróleo. E o modelo de
partilha, na poligonal do petróleo, onde se sabe que tem muito petróleo,
e de alta qualidade. Nesse caso, a sociedade brasileira tem de ter o
direito à chamada parte do Leão", afirmou Dilma.

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