O Congresso Nacional viveu ontem um dia de grande expectativa, a espera da chegada, que aconteceu no início da noite, no Supremo Tribunal Federal (STF), dos 28 pedidos
de abertura de inquérito contra 54 pessoas suspeitas de participar do
esquema de desvios de dinheiro da Petrobras, incluindo políticos
e pessoas que não ocupam cargo público. Os pedidos foram feitos pelo procurador-geral da
República, Rodrigo Janot (foto). Os documentos chegaram ao tribunal às 20h11,
mas Janot não esteve pessoalmente no local. Foi solicitado também o arquivamento de sete petições que estavam no tribunal citando outras pessoas, porque os indícios não eram suficientes para embasar investigações. As denúncias partiram do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, em acordo de delação premiada. O assunto dominou as conversas durante esta terça-feira entre deputados e senadores, que especulavam sobre possíveis nomes, especialmente de políticos, relacionados. O ministro Teori Zavascki, relator do processo, revelou que gostaria que a apuração fosse pública, mas salientou que o sigilo é previsto em lei. Nos próximos dias, ele vai instaurar o inquérito e determinar a quebra do sigilo bancário dos acusados. Segundo fontes do Palácio do Planalto, os presidentes do Senador e da Câmara, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, os dois do PMDB, estão na lista. Analistas avaliaram que a inclusão do seu nome teria motivado Calheiros a devolver ao executivo a Medida Provisória 669, que acaba com a política de desoneração de impostos. O senador alagoano teria ficado contrariado com o "pouco esforço" do governo para tirar o seu nome da relação, explicaram fontes próximas à presidente Dilma Rousseff. O primeiro gesto de Renan neste sentido foi abrir mão do convite para participar de jantar na segunda-feira com Dilma e lideranças governamentais. A especulação feita por alguns jornalistas políticos é de que o PMDB, partido do vice-presidente da República Michel Temer e principal aliado do PT na coalização de governo, possa estar caminhando para um rompimento com o Planalto, o que criaria uma situação política extremamente difícil e imprevisível.

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