O governo do México está disposto a manter por até mais dois anos um sistema com
o Brasil de cotas crescentes para importação de veículos, em meio à
pressão brasileira para que o regime de livre comércio automotivo não
volte a valer a partir de 19 de março, revelou uma
fonte com conhecimento das negociações. As duas maiores economias
da América Latina vêm realizado reuniões em Brasília e na Cidade do
México para renegociar o Acordo de Complementação Econômica Número 55
(Ace 55), modificado há três anos e que previa o retorno ao livre
comércio após três anos de cotas recíprocas de importação.
"Desde
que sejam cotas crescentes a partir deste mesmo ano, poderia ser
considerado manter por um ou dois a mais o regime temporal para o nível
de importações de veículos leves livres de tarifa para cada país", informa
a fonte, que pediu sigilo. O governo do
presidente mexicano Enrique Peña Nieto considera que tal como acordado em
2012, a ideia principal é que se volte ao livre comércio automotivo. A partir da posição do México, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil,
Armando Monteiro, adianta o país buscará inclusive uma redução das
cotas. "Não é um segredo para ninguém que a perspectiva de
renovar o acordo depende da disposição do México de rever certas
questões que estão associadas com a manutenção e eventual redução no
regime de cotas", explica Monteiro. Representantes
dos dois governos se reúnem dia 9 de março no Brasil para revisar os
prazos de renegociação, e fontes do Palácio do Planalto afirmaram
estarem muito confiantes de que as cotas sejam prolongadas para entre
três e cinco anos, o que é o desejo dos fabricantes de carros no Brasil. Mas as montadoras estariam dispostas a prolongar o
prazo até o máximo de dois ano, em um momento
no qual a produção e exportação de veículos bateram níveis recordes no
México a apontam tendência de manterem-se em alta. "Já está quase
tudo pronto para que se renove o regime de cotas. A ideia é que as
partes tenham uma reunião na sexta-feira e que Ildefonso Guajardo
(secretário de Economia do México) venha na segunda para assinar o
acordo", acrescenta a fonte ligada ao governo brasileiro. Durante o primeiro mandato do governo
Dilma, o Brasil colocou o México contra a parede, levando o país a mudar
o acordo, vigente desde 2003, sob a ameaça de romper o convênio e
fixando montantes de cotas recíprocas, assim como regras de conteúdo
local.

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