O
Estaleiro Atlântico Sul (EAS) admitiu que a assinatura de dois memorandos
poderá dar uma sobrevida de pelo menos dois anos à empresa. Mas a empresa
revelou que essa produção não evitará um novo corte do quadro de funcionários
em 2019. Com 3.200 empregos diretos hoje, o estaleiro passa por uma crise de
descontinuidade – em função da dependência do governo brasileiro como comprador
de embarcações – e tenta com o setor privado encomendar novos projetos que,
caso confirmados, só começarão a sair do papel em outubro de 2019.
Segundo o presidente do EAS, Harro
Burmam, um dos memorandos foi firmado com a Aliança – empresa ligada ao maior
grupo de cabotagem do Brasil, o Maersk – para a construção de dois navios
contêineres com capacidade de até 4,8 mil teus. O outro memorando, o executivo
disse que ainda não pode ser detalhado, envolve a negociação para produzir mais
dois navios para o mercado de cabotagem.
“Esses projetos trazem mais uns dois
anos de atividade. São basicamente garantias. A gente conseguiu um caminho não
tão ortodoxo, trabalhando com o fundo nacional da ABGF (Agência Brasileira
Gestora de Fundos Garantidores e Garantias, vinculada ao Ministério do Planejamento)
e esperamos ter uma resposta positiva no início de outubro”, diz Burmam. A
ABGF seria a garantidora para que o estaleiro consiga financiamento com o banco
Credit Suisse, e dê andamento aos novos projetos.
Como um posicionamento final sobre a
aprovação dos projetos só deve sair em outubro, o início da produção, ainda
segundo o presidente do EAS, só se daria após 12 meses, ou seja, em outubro de
2019. “Nós temos entregas previstas até junho de 2019, então temos esse gap
entre junho e outubro. Hoje não temos uma solução para isso, mas não temos
condições de manter todos os empregos, alguma redução ano que vem vai ocorrer”,
confirmou.
Atualmente, com 90% do efetivo de
Pernambuco, o estaleiro chega a gerar 15 mil postos de trabalho se levada em
conta toda a cadeia de distribuidores. No último dia 12 de setembro, o EAS
entregou o 12º navio produzido no estaleiro de um total de 15 encomendados pela
Transpetro, além do segundo da série de cinco navios aframax, ambos entregues
antes do prazo contratual.
O presidente do Sindmetal, Henrique
Gomes, disse que desde o início das obras do EAS até hoje cerca de 50% do
quadro de funcionários já foi cortado. “Iniciamos a operação com 6.100
trabalhadores, atualmente são 3.200. Todo mês já vem saindo uma quantia grande
de pessoas. Tenho a preocupação de que as demissões já não são maiores por
conta do período eleitoral, mas não tenho dúvida que após a eleição os cortes
começarão a ser mais fortes. A grande questão é se é melhor para os
trabalhadores saírem agora ou depois sem certeza de receber até mesmo seus
direitos”, ponderou Gomes.
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