segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Estaleiro Atlântico Sul anuncia mais demissões em 2019


          O Estaleiro Atlântico Sul (EAS) admitiu que a assinatura de dois memorandos poderá dar uma sobrevida de pelo menos dois anos à empresa. Mas a empresa revelou que essa produção não evitará um novo corte do quadro de funcionários em 2019. Com 3.200 empregos diretos hoje, o estaleiro passa por uma crise de descontinuidade – em função da dependência do governo brasileiro como comprador de embarcações – e tenta com o setor privado encomendar novos projetos que, caso confirmados, só começarão a sair do papel em outubro de 2019. 
          Segundo o presidente do EAS, Harro Burmam, um dos memorandos foi firmado com a Aliança – empresa ligada ao maior grupo de cabotagem do Brasil, o Maersk – para a construção de dois navios contêineres com capacidade de até 4,8 mil teus. O outro memorando, o executivo disse que ainda não pode ser detalhado, envolve a negociação para produzir mais dois navios para o mercado de cabotagem. 
          “Esses projetos trazem mais uns dois anos de atividade. São basicamente garantias. A gente conseguiu um caminho não tão ortodoxo, trabalhando com o fundo nacional da ABGF (Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias, vinculada ao Ministério do Planejamento) e esperamos ter uma resposta positiva no início de outubro”, diz Burmam. A ABGF seria a garantidora para que o estaleiro consiga financiamento com o banco Credit Suisse, e dê andamento aos novos projetos.
          Como um posicionamento final sobre a aprovação dos projetos só deve sair em outubro, o início da produção, ainda segundo o presidente do EAS, só se daria após 12 meses, ou seja, em outubro de 2019. “Nós temos entregas previstas até junho de 2019, então temos esse gap entre junho e outubro. Hoje não temos uma solução para isso, mas não temos condições de manter todos os empregos, alguma redução ano que vem vai ocorrer”, confirmou.
          Atualmente, com 90% do efetivo de Pernambuco, o estaleiro chega a gerar 15 mil postos de trabalho se levada em conta toda a cadeia de distribuidores. No último dia 12 de setembro, o EAS entregou o 12º navio produzido no estaleiro de um total de 15 encomendados pela Transpetro, além do segundo da série de cinco navios aframax, ambos entregues antes do prazo contratual.
          O presidente do Sindmetal, Henrique Gomes, disse que desde o início das obras do EAS até hoje cerca de 50% do quadro de funcionários já foi cortado. “Iniciamos a operação com 6.100 trabalhadores, atualmente são 3.200. Todo mês já vem saindo uma quantia grande de pessoas. Tenho a preocupação de que as demissões já não são maiores por conta do período eleitoral, mas não tenho dúvida que após a eleição os cortes começarão a ser mais fortes. A grande questão é se é melhor para os trabalhadores saírem agora ou depois sem certeza de receber até mesmo seus direitos”, ponderou Gomes.

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