A
situação de oferta e demanda apontava para prejuízo pequeno no primeiro
trimestre. Mas o índice global da Drewry sofreu uma queda menor no período,
ainda que mais alto que nos mesmos meses do ano passado. No entanto, ao levar
em conta o impacto provocado pela frota ociosa, a situação global real foi
consideravelmente pior. Com os armadores aproveitando o ressurgimento do
mercado charter, a frota ociosa representava menos de um terço do tamanho que
registrava em 2017. Posteriormente, o índice de oferta-demanda ajustado da
frota ociosa da Drewry caiu aproximadamente 3,5 pontos interanuais este ano.
Os dados preliminares sugerem que o prognóstico da consultoria de um
leva aumento no índice oferta-demanda no segundo trimestre acabou se
confirmando, respaldando a mudança de direção das tarifas spot. Mas, para as
transportadoras, a melhora não foi suficientemente rápida e se espera que
muitos apresentem números vermelhos no período.
A
expectativa é de que o índice de oferta e demanda aumente durante a temporada
alta do terceiro trimestre, ajudado por um calendário de entrega de navios
novos menos duro, antes que a menor demanda no quarto trimestre provoque uma
nova queda. Para o total do ano, a previsão é de que o índice de oferta e
demanda cresça ligeiramente, em relação ao ano passado.
O equilíbrio entre oferta e demanda pode estar melhorando e a
perspectiva das armadoras é de que o mercado está sobreabastecido e em alguns
casos dependendo da sua rota. O índice de oferta e demanda Leste/Oeste da
Drewry, baseado em um critério diferente de utilização de headhaul, demonstra
que os novos navios que ingressam nestas linhas estão exercendo uma pressão
mais forte para baixar os valores.
Dentro do mercado Leste/Oeste há também uma variação significativa e
mais grave na rota comercial Ásia-Europa, onde navegam as embarcações
porta-contêineres ulta grandes (ULCV). A ocupação de espaços nestes navios até
o oeste da Ásia e norte da Europa, por exemplo, se reduziu para cerca de 85% em
2018, contra 95% no mesmo trimestre do ano anterior.
Já a utilização de navios nas rotas Transpacific praticamente não se
modificou de uma no para o outro. As linhas Ásia-Costa Leste da América do
Norte permaneceu na média de 90% de ocupação. Entretanto, a rota Ásia a WCNA
diminuiu dois pontos percentuais, baixando para 83%.
Por isso, não é de estranhar que as suspensões de serviços recentes se
haviam centrado nas operações com uso mais baixo. O acordo entre ZIM e as
operadoras 2M Maersk LIne e MSC reduzirá seus serviços semanais Ásia-ECNA, uma
diminuição da capacidade já que os transportadores poderiam atualizar os
tamanhos dos navios no resto do itinerário. Os detalhes da retirada dos navios
ainda não foram finalizados.
Segundo a Drewry, está havendo uma movimentação lenta a favor das
armadoras. Mas existem pressões em relação aos preços dos fretes, marcadamente
diferentes entre as diversas rotas Leste/Oeste. Aqueles com saldo mais débil
entre oferta e demanda são candidatos mais óbvios para os ajustes de capacidade
adicionais, seja em forma de suspensão de serviços ou outras opções, como
viagens vazias ou navegações mais lentas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário