quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Equilíbrio entre oferta e demanda da capacidade de porta-contêineres mostra melhora em nível mundial

           A Drewrys World Container Index divulgou nesta semana estudo mostrando que as tarifas de frete do mercado mundial finalmente superaram as cifras correspondentes ao ano passsado. O resultado foi alcançado neste semestre, conforme o informe Container Forecaster da consultoria, apontando que os índices spot ainda tiveram problemas na primeira metade de 2018 por causa da quantidade de porta-contêineres novos entregues antes que os volumes de entregas diminuam a partir de agosto.
          A situação de oferta e demanda apontava para prejuízo pequeno no primeiro trimestre. Mas o índice global da Drewry sofreu uma queda menor no período, ainda que mais alto que nos mesmos meses do ano passado. No entanto, ao levar em conta o impacto provocado pela frota ociosa, a situação global real foi consideravelmente pior. Com os armadores aproveitando o ressurgimento do mercado charter, a frota ociosa representava menos de um terço do tamanho que registrava em 2017. Posteriormente, o índice de oferta-demanda ajustado da frota ociosa da Drewry caiu aproximadamente 3,5 pontos interanuais este ano.
          Os dados preliminares sugerem que o prognóstico da consultoria de um leva aumento no índice oferta-demanda no segundo trimestre acabou se confirmando, respaldando a mudança de direção das tarifas spot. Mas, para as transportadoras, a melhora não foi suficientemente rápida e se espera que muitos apresentem números vermelhos no período.
          A expectativa é de que o índice de oferta e demanda aumente durante a temporada alta do terceiro trimestre, ajudado por um calendário de entrega de navios novos menos duro, antes que a menor demanda no quarto trimestre provoque uma nova queda. Para o total do ano, a previsão é de que o índice de oferta e demanda cresça ligeiramente, em relação ao ano passado.
           O equilíbrio entre oferta e demanda pode estar melhorando e a perspectiva das armadoras é de que o mercado está sobreabastecido e em alguns casos dependendo da sua rota. O índice de oferta e demanda Leste/Oeste da Drewry, baseado em um critério diferente de utilização de headhaul, demonstra que os novos navios que ingressam nestas linhas estão exercendo uma pressão mais forte para baixar os valores.
          Dentro do mercado Leste/Oeste há também uma variação significativa e mais grave na rota comercial Ásia-Europa, onde navegam as embarcações porta-contêineres ulta grandes (ULCV). A ocupação de espaços nestes navios até o oeste da Ásia e norte da Europa, por exemplo, se reduziu para cerca de 85% em 2018, contra 95% no mesmo trimestre do ano anterior.
          Já a utilização de navios nas rotas Transpacific praticamente não se modificou de uma no para o outro. As linhas Ásia-Costa Leste da América do Norte permaneceu na média de 90% de ocupação. Entretanto, a rota Ásia a WCNA diminuiu dois pontos percentuais, baixando para 83%.
          Por isso, não é de estranhar que as suspensões de serviços recentes se haviam centrado nas operações com uso mais baixo. O acordo entre ZIM e as operadoras 2M Maersk LIne e MSC reduzirá seus serviços semanais Ásia-ECNA, uma diminuição da capacidade já que os transportadores poderiam atualizar os tamanhos dos navios no resto do itinerário. Os detalhes da retirada dos navios ainda não foram finalizados.
          Segundo a Drewry, está havendo uma movimentação lenta a favor das armadoras. Mas existem pressões em relação aos preços dos fretes, marcadamente diferentes entre as diversas rotas Leste/Oeste. Aqueles com saldo mais débil entre oferta e demanda são candidatos mais óbvios para os ajustes de capacidade adicionais, seja em forma de suspensão de serviços ou outras opções, como viagens vazias ou navegações mais lentas.

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