A Codesp
(Companhia Docas do Estado de São Paulo) acabou com a esperança das empresas
que atuam no Porto de Santos de ter o reajuste das tarifas portuárias
escalonados. A estatal informou que não adotará o desconto no reajuste das
taxas cobradas para a garantia da infraestrutura do complexo portuário do
litoral norte paulista.
Autorizado pela Agência Nacional de
Transportes Aquaviários (Antaq), os novos valores de tarifas, reajustados em
16,67%, entraram em vigor no dia 13 de junho. No ano passado, a Docas
encaminhou à Antaq um estudo que apontava a necessidade de um aumento de 54,4%
em todas as tabelas tarifárias vigentes. As novas taxas seriam aplicadas
imediatamente e valeriam até 2020.
Os empresários do setor, no entanto,
tinham a expectativa de aumento em torno de 6%. Por conta disso, um
representante do Conselho de Administração (Consad) da estatal propôs que fosse
avaliado pela diretoria da Docas um escalonamento do reajuste. A sugestão
era de que, entre julho e setembro, a porcentagem aplicada fosse a metade do
que havia sido estabelecido pela agência reguladora. Em seguida, o percentual
passaria a ser de 16,67%.
Em nota, a Autoridade Portuária
justificou que “em virtude da defasagem dos preços praticados, a Codesp não
promoveu o parcelamento, sob risco de comprometer sua receita operacional”.
Contudo, mesmo questionada, a Docas não informou se chegou a avaliar o pedido
do representante do Consad e nem como chegou à conclusão de negar o
pleito.
No começo do mês, durante um evento
na capital, o diretor-presidente da Codesp, José Alex Oliva, afirmou que os
empresários deveriam repensar a posição contrária ao reajuste, uma vez que eles
faturariam mais com o aumento de 30 centímetros no canal de navegação do Porto.
O montante arrecadado com tarifas é
utilizado pela Docas para a melhoria do complexo portuário. Além de remunerar
os serviços administrativos, as taxas cobrem os custos para manter as condições
de navegação e o balizamento do canal de acesso, desde a entrada do estuário
até os berços de atracação.
As redes e sistemas localizados na
área do cais, como os de água, luz e telefone, bem como a vigilância, de
responsabilidade da Guarda Portuária (Gport), também são custeadas com o
montante arrecadado com as operações portuárias. As tarifas cobradas pela
utilização da infraestrutura do Porto são divididas em dois itens. O primeiro
está relacionado à movimentação de cargas pelas embarcações, categorizando as
taxas cobradas pela tonelagem ou por contêiner com carga. O segundo item
destaca o espaço utilizado por navio atracado e por período de permanência no
complexo marítimo.
Já as tarifas pela utilização do cais
santista são cobradas de terminais arrendados no Porto. Para isso, são
estipulados valores relativos à área arrendada. Elas também classificam os
valores das movimentações por produto ocorridas dentro ou fora das regiões da
União ou do berço de atracação.
Navios de guerra fora de operação comercial
e barcos utilizados no tráfego interno do Porto são isentos da cobrança. Nessa
lista, entram as embarcações que recebem visitantes no cais da Marinha, que
fica entre os armazéns 27 e 29 do complexo santista.
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