Um
relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que apesar do portos e
terminais brasileiros terem movimentado mais de um bilhão de toneladas em 2017, com crescimento de 8,3% em relação
ao ano anterior, a eficiência portuária não acompanha esse crescimento. Os
auditores do TCU verificaram que a percepção negativa do setor portuário
brasileiro está ligada à ineficiência, que resulta em aumento de tempo e de
custo para importadores e exportadores que usam os portos.
Na parte de infraestrutura, o Banco
Mundial classificou o Brasil com nota 3,1, numa escala que vai de 1 até 7,
valor abaixo da média mundial (4,06). Já nos custos, o relatório Doing
Business, da instituição financeira, também é desfavorável ao País. Um exemplo é
o valor para a movimentação de contêineres. Enquanto o custo médio mundial da
operação de uma unidade está estimado em US$ 465, no Brasil o preço chega a US$
969.
Por conta destas avaliações,
auditores do TCU foram a campo e entrevistaram gestores de órgãos públicos e
entidades privadas. A ideia era avaliar gargalos que causam a ineficiência de
portos públicos e identificar oportunidades de redução de tempo de liberação de
cargas, além da diminuição dos custos aos usuários. O trabalho verificou a
atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Agência
Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A Companhia Docas do Estado de São
Paulo (Codesp), a Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), a Companhia Docas
do Pará (CDP) e Superintendência do Porto de Itajaí (SPI) também foram
avaliadas.
Um dos principais gargalos apontados
pelos técnicos do TCU é a redução da profundidade dos acessos aquaviários, que
seriam resultado de falhas na dragagem de manutenção. No Porto de Santos os
auditores verificaram que 22 de 54 berços estavam com profundidade inferior à
prevista em projeto, o que poderia limitar a atracação dos navios de maior
porte.
O cais santista também é apontado como
aquele onde é necessário o maior tempo pra a conclusão do processo de
importação, Segundo o relatório da corte de contas, um contêiner desembarcado é
liberado em cerca de 15 dias.
Os auditores constatam que a Anvisa
já reduziu os prazos para a liberação de mercadorias, de 10 para 6 dias, mas
alerta que “ainda não existem critérios objetivos para a execução de inspeções
físicas nas cargas, cabendo a decisão pela sua realização ou não de acordo com
os critérios pessoais de cada fiscal”. O relatório ainda aponta que não há
normas publicadas para a gestão de riscos no processo de análise de importação.
Outro problema levantado pelo órgão são as filas de caminhões ao longo das vias
de acesso e ao redor dos portos, o que provoca aumento no tempo de trânsito das
mercadorias e no custo portuário.
De acordo com o levantamento do TCU,
as dificuldades financeiras e a alta rotatividade dos gestores das companhias
docas fazem com que as administrações dos portos organizados não consigam
realizar os investimentos necessários para garantir operações portuárias em bom
nível de eficiência. O relatório do órgão controlador indica também que a Antaq
não tem metodologia e instrumentos adequados para o tratamento das denúncias
recebidas sobre abusividade e de falta de padrão de preços praticados por terminais
portuários. O documento traz ainda a informação de que não há um acompanhamento
sistemático dos custos de movimentação de contêiner.
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