O Porto
do Açu, no Rio de Janeiro, quer ser o principal elo entre o mercado
internacional e Minas Gerais. Para isso, trabalha na aproximação com entidades,
lideranças empresariais e representantes do governo estadual, no estreitamento
de laços e troca de experiências. O objetivo é atrair negócios e operações
mineiras para o Terminal Multicargas (T-Mult), de modo que o empreendimento se
torne a principal solução portuária para as indústrias do Estado.
Além da localização estratégica de
Minas, a Prumo Logística, empresa que administra e opera o terminal, aposta na
força da indústria mineira para ajudar no desenvolvimento do complexo, que
integra o primeiro porto privado do Brasil com sistema VTS (Vessel Traffic
Service).
As informações são da diretora
comercial do Porto do Açu, Tessa Major. Segundo ela, embora não seja possível
precisar a representatividade que Minas Gerais poderá ter nos negócios, é
grande o potencial do Estado.
“Já temos embarques e desembarques de
insumos para as indústrias siderúrgica e cimenteira de Minas Gerais no T-Mult,
mas queremos expandir. E apostamos muito na força da indústria mineira para
esse desenvolvimento. Sabemos dos volumes exportados de commodities agrícolas e
minerais e queremos, no futuro, ser a solução portuária para essas indústrias”,
explicou.
Para endossar o movimento, está
marcado para o fim de novembro, o “Port Day”. Na ocasião, a administração do
Porto do Açu vai apresentar as potencialidades do empreendimento para possíveis
investidores mineiros, em parceria com entidades empresariais do Estado.
Em relação ao escoamento de produtos,
o porto está localizado no município de São João da Barra, no Norte Fluminense,
e possui acesso às principais rodovias brasileiras e conexão com dois trechos
ferroviários contemplados no Plano de Logística do governo federal. Nesse
sentido, a diretora destacou que a administração já trabalha para aprimorar o
modal ferroviário.
Tessa Major lembrou a parceria entre
os governos do Rio de Janeiro e Espírito Santo, firmada no ano passado, visando
à revitalização das ferrovias que ligam os estados. Ela citou também outras
possibilidades, como o aporte das contrapartidas das renovações antecipadas de
concessões de linhas férreas, como a Vitória a Minas, da Vale, e a MRS
Logística, na extensão da malha até o porto.
O Porto do Açu é 100% privado. Conta
com uma área total de 130 quilômetros quadrados, nove terminais divididos em
áreas offshore e onshore, além de área para a instalação de unidades de
empresas dos setores marítimo e industrial. Alcançou, no ano passado, a quarta
posição em volumes de minério de ferro exportados por terminais privados. Tem
capacidade de movimentar 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano
e 1,2 milhão de barris de petróleo por dia. Já o Terminal Multicargas possui
profundidade de 14,5 metros e 500 metros de cais e capacidade de movimentar 4
milhões de toneladas por ano de granéis sólidos e carga geral.
Ao todo, mais de 2,4 mil embarcações
acessaram o porto em 2017, 155% a mais do que em 2016. O porto já soma 3
quilômetros de cais em operação, com possibilidade de expansão para até 17
quilômetros. Considerando os investimentos realizados desde 2007, quando foi
idealizado, já foram aplicados cerca de R$ 12,4 bilhões no empreendimento como
um todo. Desse montante, R$ 6,4 bilhões foram investidos pela Porto do Açu
Operações (subsidiária da Prumo Logística), e R$ 3,7 bilhões pela Ferroport e
pela Anglo American. O restante foi aplicado pelas empresas que construíram e
operam unidades no local.
Agora, terá início um projeto de R$ 7
bilhões, que visa o desenvolvimento do maior parque termelétrico da América
Latina. Trata-se do projeto da Gás Natural Açu (GNA), que conta com as empresas
Siemens, BP e Prumo Logística como parceiras. O negócio consiste em um contrato
de aluguel de área para a construção de termelétricas e de um terminal de
regaseificação de gás natural liquefeito (GNL).
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