Um relatório da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), divulgado hoje, em solenidade no Ministério da Fazenda, sugere
que o Brasil deve avançar com o ajuste fiscal. "Será fundamental para
fortalecer as finanças públicas, restaurar a confiança do mercado e para o país se preparar para o intenso envelhecimento da população",
disse. O esforço fiscal - segundo o documento - deve permitir que o Brasil
"reconquiste a solidez econômica e a capacidade de melhorar o padrão de
vida".
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que participou do evento,
defendeu mais uma vez o equilíbrio das contas públicas. Observou que,
caso o crescimento dos gastos públicos, no futuro, seja maior que a
expansão da economia, o país terá de criar mais tributos para cobrir as
despesas adicionais. Além de Levy, a ministra do Meio Ambiente, Isabela
Teixeira, e o secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, também
participaram do evento.
Levy prometeu enviar logo ao Congresso Nacional proposta de reforma
do PIS e da Cofins, importante passo para a simplificação de tributos.
Acrescentou que o governo tem se preocupado em manter a Previdência
Social viável no Brasil.
"Temos na Previdência bastante espaço para nos alinharmos aos
indicadores normais em outros países. No Brasil, por exemplo, é muito
elevado o gasto com auxílio-doença. Se o país conseguir reduzir esse
gasto para a média dos países desenvolvidos, terá uma economia de R$ 10
bilhões a R$ 15 bilhões", afirmou.
Segundo Levy, a redução de gastos com
o auxílio-doença "não vai piorar a vida de ninguém, mas [o país vai se]
alinhar às melhores práticas", disse. No documento, a OCDE projeta inflação no final de 2015 em 9,4%, mas
o índice cairá com força - possivelmente para o nível de 4,9% - no
próximo ano, se o governo obtiver sucesso no seu esforço visando aprovar
a reforma fiscal. "2015 poderá se um ponto de inflexão", acrescentou.
Entre as mudanças, a organização propõe ainda alterações no sistema
tributário do país a fim de simplificar o funcionamento do sistema. O Brasil enfrenta momento crítico para "recolocar a economia nos
trilhos" na avaliação da OCDE. De acordo com o documento, as políticas
fiscal e monetária precisarão estabilizar a dívida pública e reduzir a
inflação e, ao fazê-lo, deverão "resgatar a boa reputação de boas
políticas construídas ao longo de muitos anos".
Por ter infraestrutura insuficiente para atender às necessidades da
indústria, o Brasil não se preparou adequadamente para enfrentar as
"pressões competitivas". Com isso, segundo a organização, o país tem
"baixa integração no mercado internacional", deixando de receber os
benefícios das tendências globais de mercado.O documento diz ainda que o
crescimento econômico estagnou em 2014, após ter se beneficiado, entre
outros fatores, pelos preços das commodities (produtos básicos). O
ajuste fiscal e as políticas monetária e de crédito mais restritivas,
após os ajustes, limitam a demanda interna no curto prazo.
"Com estes ventos contrários, espera-se que o PIB se contraia em
2015 e 2016 (contração de 3,1% neste ano e de 1,2% em 2016)", diz o
estudo. De acordo com o documento da OCDE, quando o país melhorar os
resultados fiscais, e quando a inflação começar a retornar para a meta
(4,5%), "surgirão claros retornos, pois a recuperação da confiança dará
respaldo a investimento e consumo mais fortes, particularmente se forem
acompanhados de reformas estruturais".
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