A Confederação Nacional da
Indústria (CNI) ficou mais pessimista com a economia brasileira e piorou
praticamente todas as suas projeções para 2016, com o aprofundamento da recessão e uma nova meta de déficit fiscal do governo de R$ 170,5 bilhões para esse ano. Segundo o Informe
Conjuntural divulgado nesta quinta-feira, 8, pela entidade, a
perspectiva do Produto Interno Bruto (PIB) para 2016 passou de uma
recessão de 3,1% no documento apresentado em abril para uma queda agora
prevista em 3,5%. A pesquisa é divulgada trimestralmente.
Para o consumo das famílias, a previsão também piorou, passando de
queda de 4,4% para uma retração de 4,8%. O PIB Industrial também deve
encolher mais que o esperado anteriormente: a projeção passou de -5,0%
para -5,4%. A formação bruta de capital fixo (FBCF), que mostra os
investimentos produtivos do País na composição do PIB, deve se retrair
13,9% em 2016. A expectativa anterior era melhor, mas ainda assim
negativa, com uma queda de 13,5%. Já a taxa de desocupados deve ficar em
11,5% da população economicamente ativa, mesma estimativa da última
divulgação.
Diante desse quadro, a expectativa da CNI é que a economia deverá
voltar a crescer somente em 2017. "A mudança no quadro político
possibilitou uma conjugação favorável a ajustes estruturais que exigem
mudanças legislativas e constitucionais, como é o caso da reforma da
Previdência e da imposição de limitadores ao crescimento do gasto
público. A proposta no âmbito federal, já enviada ao Congresso, é um
avanço. Mas seus efeitos serão sentidos apenas no médio prazo, pois
dependem da retomada do crescimento e ainda serão necessárias novas
alterações no processo orçamentário para que se torne efetiva", destaca o
Informe Conjuntural.
A CNI também está mais pessimista com a inflação. A entidade espera
um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 7,3% ao fim
de 2016. O dado divulgado em abril projetava uma estimativa de 7,1% e já
estava acima do teto de meta de 4,5%, que neste ano tem uma tolerância
de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo.
Apesar da espera de uma piora do custo de vida neste ano, a
entidade acredita que o Banco Central vai baixar os juros básicos até o
fim do ano. A taxa está atualmente em 14,25% ao ano (a.a.) e a
expectativa da CNI para a Selic ao fim de dezembro continua em 13,75%
a.a. A Selic média esperada pela entidade em 2016 se manteve em 14,18%.
Com uma estimativa maior de inflação, a CNI espera um número mais
elevado para a taxa real de juros do País, passando de 5,2% ao ano para
6,4% ao ano. Quanto às contas públicas, a CNI também está mais pessimista para
2016. Segundo o documento, pioraram as previsões para o primário anual,
passando de déficit primário de 1,73% do PIB para déficit primário de
2,62% do PIB, já incorporando a nova meta de déficit fiscal do governo
Michel Temer para este ano. Já a perspectiva para a dívida líquida
passou de 72,9% do PIB para 73,4%. A entidade também informou que espera
um déficit nominal de 10,30% do PIB frente à previsão anterior, de
9,80%.
A CNI espera ainda que o dólar esteja em R$ 3,30 em dezembro, ante a
previsão anterior de R$ 4,00. Para o câmbio médio do ano a previsão
passou de R$ 3,80 para R$ 3,48. No caso da balança comercial, a entidade espera um saldo de US$
42,0 bilhões em 2016, mesmo valor do último documento. O dado será fruto
de US$ 192 bilhões em exportações e de US$ 150 bilhões em importações. O documento também mudou sua perspectiva para a conta corrente,
de um déficit de US$ 20,0 bilhões para um superávit de US$ 1 bilhão.
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