A Usuport (Associação dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro)
tomou conhecimento da posição da entidade representante dos armadores
estrangeiros no sentido de desconstruir a recente decisão do TCU
(Tribunal de Contas da União), que determina a regulação dos armadores
estrangeiros da navegação de longo curso pela Antaq (Agência Nacional do Transporte Aquaviário). Segundo a
determinação, caberá à agência regular a navegação de longo curso, e não
mais os associados estrangeiros dessa entidade, ficando o órgão responsável por regular a cabotagem, atualmente controlada
por empresas estrangeiras, travestidas de nacionais.
Segundo
a Usuport, a avaliação do Centronave de que “o TCU ultrapassou seus
limites” já era esperada, “pois a mesma retórica foi utilizada em 2015,
durante audiência pública na Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp), no curso dos debates da norma que regula os serviços dos
armadores” (Resolução 4.271/2015-Antaq). Na ocasião, os armadores
estrangeiros afirmaram que a agência não tinha discricionariedade para
editar tal normativo e que a tentativa de regular o setor era
inconstitucional.
A Usuport argumentou que a jurisprudência do TCU
atinge o setor com mais frequência do que o citado pelo Centronave, e a
linha de raciocínio seguida pela entidade (de que a posição da equipe
técnica é absoluta) não condiz com a realidade, uma vez que o voto
pertence ao ministro que não é obrigado a seguir a equipe técnica.
A
Usuport-RJ alegou que Antaq vem sendo uma agência reguladora omissa em
relação aos usuários do transporte marítimo, seja na navegação de longo
curso, seja na cabotagem, a exemplo da falta de normativo que fiscalize,
supervisione, regule e puna os armadores.
A entidade afirmou que clama
por “regulação eficaz” com supervisão e fiscalização para proteger os
usuários, reconhecendo que essa disputa será verticalizada, “porque
junto com os armadores estrangeiros gritam também os terminais”, explicou
André Seixas (foto), presidente da associação. “Sabemos muito bem que estamos
enfrentando gigantes do setor marítimo mundial, com um poderio econômico
enorme. Sabemos das consequências que isso pode gerar e estamos
preparados”, ponderou.
A Associação acredita na manutenção da
decisão do TCU, mantendo sua declaração de respeito aos armadores
estrangeiros e à entidade que os representa, bem como à Antaq e seus
servidores, no entanto enfatiza seu desejo de que a regulação seja feita
pelo Estado e não pelos armadores estrangeiros, tal como ocorre hoje. Conforme a Usuport-RJ, “o mercado não se autorregula, e é justamente
para evitar esse descompasso que a Agência foi criada”.

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