Os trabalhadores de Estaleiro Inhaúma, no bairro
do Caju, Rio de Janeiro (RJ), paralisaram suas atividades na última quarta-feira, reivindicando o cumprimento da PLR (participação de
lucros e resultados) que deveria ter sido paga até o dia 30 de maio. Eles disseram que
também buscam soluções para problemas internos.
Com muitas incertezas, alegaram que não sabem ao certo se a Enseada Indústria Naval demitirá
todos os funcionários e temem que o estaleiro feche as portas e fique
sem honrar os compromissos trabalhistas. Atualmente, há cerca de três
mil trabalhadores atuando nessas obras, de acordo com a Petrobras.
A Enseada explicou
que não pode fornecer informações sobre sua atuação no Estaleiro Inhaúma
devido a cláusulas do contrato de conversões de plataformas com a
Petrobras. Em nota, o diretor de relações institucionais e de
sustentabilidade da Enseada, Humberto Rangel, ressaltou que "as
tratativas com o sindicato dos trabalhadores vêm sendo conduzidas no
sentido de convergir para um entendimento definitivo e propiciar o
retorno imediato às atividades".
A Petrobras confirmou que as atividades da Enseada no estaleiro
Inhaúma foram paralisadas em função de manifestação de seus
funcionários. A estatal ressalta que as relações trabalhistas entre as
empresas contratadas e seus empregados dizem respeito à Enseada. “É de
responsabilidade da Enseada Indústria Naval a admissão, relocação ou
demissão da sua força de trabalho, não cabendo à Petrobras qualquer
posicionamento a respeito”, responde a companhia.
O Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro (Sindimetal) argumentou
que a PLR é um direito dos trabalhadores, que já executaram as obras e
agora querem receber o que lhes é de direito. "Os funcionários da
Enseada continuam em greve para garantir o pagamento da PLR. Nesses
dias, a direção do sindicato tem feito assembleias com os trabalhadores
na porta do estaleiro e negociado com a empresa uma solução para o
caso", informou o sindicato em nota. Além do pagamento da PLR, o
Sindimetal defendeu a manutenção do emprego dos trabalhadores envolvidos
com as atividades no Inhaúma.
No ano passado, a Enseada reduziu a força de trabalho nas obras de conversão
dos navios em FPSOs que estavam sendo feitas no estaleiro Inhaúma e
colocou dois mil trabalhadores de férias, até que chegasse a um novo
acordo com a Petrobras. Segundo a estatal, foi estabelecido um acordo na
ocasião que permitiu o avanço das obras e manteve a força de trabalho
mobilizada.
O estaleiro Inhaúma tem em carteira os projetos de conversão dos
cascos das plataformas P-74 e P-76. A próxima fase dessas obras é a
integração do casco aos módulos de processo, o que ocorrerá no estaleiro
EBR, em Rio Grande, no caso da P-74, e nas instalações do consórcio
TTP, no Pontal do Paraná, no caso da P-76. “As datas de conclusão da
construção de cada unidade serão estabelecidas no plano de negócios e
gestão 2016-2020 da Petrobras, a ser divulgado em breve”, comunicou a
companhia.
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