segunda-feira, 6 de junho de 2016

Trabalhadores paralisam atividades no Estaleiro Inhaúma, no Rio de Janeiro

          Os trabalhadores de Estaleiro Inhaúma, no bairro do Caju, Rio de Janeiro (RJ), paralisaram suas atividades na última quarta-feira, reivindicando o cumprimento da PLR (participação de lucros e resultados) que deveria ter sido paga até o dia 30 de maio. Eles disseram que também buscam soluções para problemas internos.
          Com muitas incertezas, alegaram que não sabem ao certo se a Enseada Indústria Naval demitirá todos os funcionários e temem que o estaleiro feche as portas e fique sem honrar os compromissos trabalhistas. Atualmente, há cerca de três mil trabalhadores atuando nessas obras, de acordo com a Petrobras.
          A Enseada explicou que não pode fornecer informações sobre sua atuação no Estaleiro Inhaúma devido a cláusulas do contrato de conversões de plataformas com a Petrobras. Em nota, o diretor de relações institucionais e de sustentabilidade da Enseada, Humberto Rangel, ressaltou que "as tratativas com o sindicato dos trabalhadores vêm sendo conduzidas no sentido de convergir para um entendimento definitivo e propiciar o retorno imediato às atividades".
         A Petrobras confirmou que as atividades da Enseada no estaleiro Inhaúma foram paralisadas em função de manifestação de seus funcionários. A estatal ressalta que as relações trabalhistas entre as empresas contratadas e seus empregados dizem respeito à Enseada. “É de responsabilidade da Enseada Indústria Naval a admissão, relocação ou demissão da sua força de trabalho, não cabendo à Petrobras qualquer posicionamento a respeito”, responde a companhia.
         O Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro (Sindimetal) argumentou que a PLR é um direito dos trabalhadores, que já executaram as obras e agora querem receber o que lhes é de direito. "Os funcionários da Enseada continuam em greve para garantir o pagamento da PLR. Nesses dias, a direção do sindicato tem feito assembleias com os trabalhadores na porta do estaleiro e negociado com a empresa uma solução para o caso", informou o sindicato em nota. Além do pagamento da PLR, o Sindimetal defendeu a manutenção do emprego dos trabalhadores envolvidos com as atividades no Inhaúma.
         No ano passado, a Enseada reduziu a força de trabalho nas obras de conversão dos navios em FPSOs que estavam sendo feitas no estaleiro Inhaúma e colocou dois mil trabalhadores de férias, até que chegasse a um novo acordo com a Petrobras. Segundo a estatal, foi estabelecido um acordo na ocasião que permitiu o avanço das obras e manteve a força de trabalho mobilizada.
         O estaleiro Inhaúma tem em carteira os projetos de conversão dos cascos das plataformas P-74 e P-76. A próxima fase dessas obras é a integração do casco aos módulos de processo, o que ocorrerá no estaleiro EBR, em Rio Grande, no caso da P-74, e nas instalações do consórcio TTP, no Pontal do Paraná, no caso da P-76. “As datas de conclusão da construção de cada unidade serão estabelecidas no plano de negócios e gestão 2016-2020 da Petrobras, a ser divulgado em breve”, comunicou a companhia.

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