terça-feira, 10 de maio de 2016

Diretor da Aliança atribui à deficiências na infraestrutura portuária problemas do comércio exterior brasileiro

          O diretor de operações da Aliança Navegação e Logística, José Salgado, afirmou que a solução para os problemas que afetam a cadeia produtiva e o setor como um todo pode ser sintetizada em uma só palavra: infraestrutura. "Apesar dos investimentos anunciados pelo governo, a infraestrutura portuária necessita de investimentos, e sem sombra de dúvida essa não é uma realidade palpável", advertiu o executivo.
          Segundo ele, os canais de acesso aos portos são essenciais para uma operação eficiente, fato esse que não tem a devida atenção ainda. “Há a necessidade de uma dragagem adequada nos canais, uma bacia de evolução, equipamentos para verificação de corrente, vento, altura de ondas, isso tudo para que tenhamos dados necessários para fazer uma manobra de entrada e saída segura com as embarcações”, explicou..
         Salgado também ressaltou a necessidade de a própria estrutura portuária precisar utilizar equipamentos que permitam uma maior produtividade. “No caso do contêiiner a gente necessita de uma produtividade alta, apesar de alguns portos no Brasil hoje terem investido bastante em terminais”, disse ressaltando ainda que essa estrutura hoje pode ser comparada a níveis de produtividade e qualidade mundiais. “Até melhores que na Europa e EUA”, salientou.
         Ele ainda citou a variação existente entre os portos brasileiros: a baixíssima produtividade e os altos custos de um lado, enquanto do outro há uma ótima produtividade a custos muito mais competitivos. "Como se não fosse possível piorar, a economia brasileira passa por um momento de alta instabilidade e de resultados abaixo do esperado em todos os setores", frisou.
          Salgado lamentou a estagnação na importação, que registrou uma redução significativa, mas destacou os resultados positivos na exportação que já começa a mostrar “respiro”. “A importação já está muito impactada com uma redução significativa, a gente está falando de uma ordem de dois dígitos em alguns lugares chegando a 20% - 30% em alguns portos", ressalvou.
          Mas a exportação, na sua avaliação, começa a reagir. "Já temos visto alguns sinais de incremento, um aumento na exportação, principalmente na área de commodities”, observou o executivo analisando isso como um sinal de otimismo. “Dessa forma a gente está vendo que vai suportar mais a nossa economia”, argumentou.
          A expectativa de Salgado para 2016 é de que apesar de ainda não estar nos níveis esperados, o ano vai ser o início desse novo processo. “A gente precisa voltar a exportar também produtos manufaturados e semimanufaturados, onde alavanca e apoia a nossa indústria. Isso seria o mais importante, mas logisticamente leva um tempo a mais para que essa indústria entre na cadeia logística dos países importadores, de outras regiões”, admitiu.
          Apesar da incerteza política e econômica, fatores que acabam de alguma forma adiando investimentos e a confiança do investidor, o executivo disse acreditar no futuro. “Estamos vendo com otimismo que 2016 vai ser um ano que a gente vai começar a exportar mais e 2017 a gente vai ter um impulso ainda maior”, prognosticou.

          Sem novidades no que se refere a investimentos de novas embarcações e novos navios, Salgado ressaltou que a Hamburg Sud já investiu fortemente na cabotagem. “Já temos os navios adequados aos serviços. Existe muita capacidade hoje instalada no mercado, então não existem novos investimentos nesse sentido”, revelou.
         Sobre a nova regulamentação da SOLAS, de pesagem de coneineres (VGM), o diretor de operações e logística da Alianç, considerou a nova norma bem-vinda e destacou que “a medida vem de encontro a segurança de todos: do transporte terrestre, seja no caminhão, no transporte dentro do terminal e no transporte marítimo”.
         Mas, apesar de achar a confiabilidade do peso total de um contêiner importantíssima, Salgado ressaltou que alguns pontos ainda são preocupantes. “A gente só espera que não seja um processo muito burocrático e oneroso para o nosso embarcador”, disse. Para ele, é preciso pensar de uma maneira que esse fluxo de informação seja fácil, ágil e não crie dificuldades e custo adicional para o embarcador.

Nenhum comentário:

Postar um comentário