Na semana passada, em conferência realizada em Long Beach, Califórnia, o
Almirante Paul Thomas da USCG, a Guarda Costeira dos Estados Unidos, causou
polêmica ao declarar que as orientações para implementação das novas
regras da IMO para pesagem de contêineres, estabelecidas pelo comitê de
segurança SOLAS para entrar em vigor a partir de 01 de julho deste ano
“não eram uma obrigatoriedade da SOLAS”, e tampouco estariam “dentro da
regulamentação norte-amricana”.
A afirmação transformou em caos o evento cujo objetivo central era
justamente abordar a preparação para a aplicação das novas regras. A
principal preocupação que tomou os representantes da IMO – que carrega
170 nações signatárias – foi de que a aplicação da regra estabelecida
pela SOLAS estivesse sendo, de fato, absorvida pelos países dentro da
ótica da política nacional de cada um deles, o que significaria o
desenvolvimento de métodos diferentes de aplicação para as regras
mundiais.
Mais, ainda, preocupa que alguns signatários, incluindo os EUA, pudessem
atribuir às companhias de navegação a responsabilidade sobre a
verificação, e não ao embarcador, conforme estabelecido pela convenção
de segurança.
O vice-presidente da Federação Nacional de Varejo dos Estados Unidos,
Jonathan Gold, disse ao Lloyds Loading List que a visão do almirante
somente veio a enfatizar a confusão que já permeia os próprios
embarcadores.
“Nossa preocupação é sobre o que a IMO vai fazer com os
outros países para que cumpram as normas”, apontou. “A questão é como os
países que exportam para os EUA serão impactados? Os nossos associados
ainda estão tentando entender o que precisam fazer para seguir a nova
regulamentação”.
Antes mesmo da declaração da USCG, importadores e exportadores já
haviam levantado suas preocupações sobre a implantação das normas da
SOLAS, que tende a fazer recair sobre os embarcadores uma série de
medidas que vão impactar na cadeia de suprimentos, com o risco de causar
alguma interrupção nos processos.
A prática atual requer que o
embarcador estime o peso do conteúdo de seus contêineres, porém não
estipula que devam se responsabilizar também pelo peso dos pallets ou
outros materiais de embalagem, apeação e escora, bem como dos próprios
contêineres.
A norma da SOLAS transfere ao embarcador a responsabilidade por declarar
o chamado VGM, a massa bruta verificada (MBV) da carga toda, incluindo o
contêiner, bem como garantir que a MBV seja informada na documentação
de transporte, o conhecimento eletrônico ou o BL – e com antecedência,
para que o armador possa planejar a acomodação das peças no navio.
As diretrizes da IMO oferecem recomendações sobre como interpretar e
aplicar as demandas da SOLAS, no entanto, como elas funcionam como base
para a implementação de fato, fica nas mãos de cada governo,
individualmente, a implantação nacional das normas sobre todos os
envolvidos com o transporte marítimo.
Em resumo, a declaração do almirante deixou claro que não há nada que
impeça um país signatário de desenvolver suas próprias regras na
regulamentação da pesagem de contêineres, desde que a SOLAS receba as
informações requeridas no tempo determinado.
No entanto, a grande confusão causada pela declaração da guarda costeira
Americana foi que ela mudou o foco da responsabilidade sobre a
aplicação das regras da SOLAS para o armador e seus operadores, e não
mais sobre o embarcador e os terminais, onde se esperava que fossem
acontecer os principais problemas de implantação.
Jonathan Gold afirmou ainda que “A IMO precisa oferecer ainda mais
clareza e orientações para o desenvolvimento destas normas. Todos os
países signatários da IMO devem dedicar um tempo, não apenas para
trabalharem juntos na direção da implantação, como também incluir todos
os envolvidos na cadeia, incluindo os donos da carga, de modo a garantir
que exista uma solução viável que permita a movimentação da carga após a
implantação”.
E ainda concluiu: “a última coisa de que precisamos agora
é ver os contêineres começarem a se empilhar nos portos do mundo todo a
partir de 01 de julho, por conta dessas novas exigências”.
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