segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Armadores de cabotagem apostam no crescimento das cargas de projeto
As companhias de navegação que operam na cabotagem entre os portos brasileiros estão apostando no desenvolvimento do transporte marítimo de
equipamentos ligados à infraestrutura. Esse segmento de mercado é
conhecido como "carga de projeto" e inclui peças industriais como pás e
torres eólicas, turbinas e geradores de hidrelétricas e outros produtos e
bens, inclusive para a indústria de petróleo. Transportadoras como
Aliança, Log-In e Norsul têm investido em embarcações para carregar cargas
pesadas e fora de padrão e acreditam no crescimento desse mercado,
apesar das oscilações na demanda. O mercado também é disputado por empresas menores que também veem
perspectivas positivas neste segmento da cabotagem. "Entendemos
que há um mercado a ser desenvolvido na carga de projeto e, por isso,
afretamos, em agosto, o navio BBC Scandinavia", disse Cleber Lucas,
diretor de planejamento e desenvolvimento da Log-In. O navio tem
capacidade para transportar 6.350 toneladas e conta com dois guindastes
aptos a içar, em conjunto, cargas de até 500 toneladas. Lucas disse que,
ao fim do aluguel do navio, a Log-In deve transformar esse contrato em
afretamento a "casco nu", com bandeira brasileira. Esse é um contrato em
que o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação,
incluindo o direito de designar comandante e tripulação. A
principal carga de projeto para as empresas de cabotagem tem sido os
equipamentos dos parques eólicos, com fretes marítimos entre o Sul e o
Nordeste do Brasil. "O setor de infraestrutura está demandando [fretes
para cargas de projeto] e entendemos que esse será um negócio de longo
prazo", disse Julian Thomas, diretor-superintendente da Hamburg Süd para
a costa leste da América do Sul. A Hamburg Süd controla a Aliança
Navegação e Logística, empresa que alugou este ano um navio
multipropósito, o Aliança Energia, para carregar equipamentos de grandes
dimensões e volumes. A Aliança alugou o navio, batizado de
Aliança Energia, por três anos. A embarcação tem capacidade para
transportar cerca de 19 mil toneladas de carga e é equipada com três
guindastes que, juntos, podem içar peças de até 800 toneladas. Embora
entenda que haverá demanda assegurada para a carga de projeto, Thomas
disse que o mercado precisa responder à oferta de serviços na cabotagem.
"Caso contrário não vamos manter um serviço à toa", disse Thomas. Thomas
disse acreditar que há espaço para todos os agentes presentes nesse
segmento da cabotagem se desenvolverem, mas afirmou que é preciso que
todas as empresas operem com as mesmas regras e em condições simétricas
de custos. A afirmação é uma referência ao que a Associação Brasileira
dos Armadores de Cabotagem (Abac), presidida por Lucas, chama de "venda
de bandeira". "A Abac quer o fim da venda de bandeira, movimento que
envolve empresas brasileiras de navegação [EBNs] de papel que emprestam o
nome para dar cobertura à operação de empresas estrangeiras na
cabotagem", disse Lucas. A Agência Nacional de Transportes
Aquaviários (Antaq) colocou em consulta pública proposta de alteração de
norma para disciplinar o afretamento de embarcação por EBNs nas
navegações de apoio portuário, apoio marítimo, cabotagem e longo curso.
Segundo fontes do setor, "empresas de papel" estariam contestando
dispositivo dessa norma da Antaq. Para Ângelo Baroncini,
diretor-presidente da Norsul, existem boas perspectivas para a carga de
projeto na cabotagem, mas o desenvolvimento deste segmento vai depender
do que acontecer na economia. Baroncini disse que a Norsul controla
navios de bandeira brasileira que operam com cargas de projeto. Mas
esses navios não estão totalmente dedicados a trabalhar neste mercado
pois não há carga a toda hora. A Norsul, controlada pela família
Lorentzen, tem dois navios multipropósito e uma barcaça oceânica aptos a
trabalhar com cargas de projeto. Além desses três navios, a empresa
avalia importar temporariamente um navio com capacidade elevada de
içamento para operar com cargas de projeto na cabotagem.
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