Oito das empresas citadas na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal e que estão proibidas
de participar de licitações da Petrobras tinham uma dívida bruta somada de R$
35,3 bilhões no final de 2013. Desse total, R$ 9,55 bilhões eram em operações bancárias, incluindo repasses
do BNDES, R$ 6,27 bilhões em notas promissórias e debêntures e R$ 19,56 bilhões
em bônus e financiamentos de longo prazo no exterior.
Entraram no levantamento, feito com base em dados da ferramenta Valor
Empresas, do Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, as dívidas
de OAS, UTC Participações, Galvão Participações, Engevix, Mendes Júnior Trading
e Engenharia e Iesa, além de Camargo Corrêa e Odebrecht, que tiveram tratamento
específico. No caso da Camargo, que não divulga balanço consolidado do grupo,
entraram na conta as dívidas da holding principal (CCSA) e da Camargo Corrêa
Construção e Comércio. Na Odebrecht, foram consideradas as dívidas apenas da
construtora (CNO) e da divisão de óleo e gás, que aluga embarcações para a
Petrobras. Não foram encontrados dados de dívida da Queiroz Galvão, seja dos
segmentos de engenharia e óleo e gás. Na sexta-feira, a Fitch alertou que é elevado o risco de que outras
construtoras brasileiras, além da OAS, deem calote nas suas dívidas nos próximos
meses - ainda que para preservar liquidez - e que diversos rebaixamentos de
notas de crédito devem ocorrer. Para essas empresas, acessar linhas de crédito, receber pagamento por
projetos concluídos e ter reconhecidos recebíveis relacionados a emendas
contratuais têm se tornado cada vez mais difícil, avalia a agência, que colocou
todas as empresas do setor no Brasil em revisão para possível rebaixamento em
novembro. A maior dívida é da Odebrecht, de R$ 20,41 bilhões,
sendo R$ 9,73 bilhões da construtora e R$ 10,69 bilhões da unidade de óleo e
gás. A maior parte da dívida da construtora se refere a uma emissão de R$ 7,36
bilhões em bônus no exterior, cujo próximo pagamento relevante se dará em 2025. A CNO, por ser geradora de caixa, entrou como garantidora de
uma captação que teve os recursos destinados a outros negócios do grupo. No caso da divisão de óleo e gás da Odebrecht, a maior dívida é um bônus no
exterior, com valor de R$ 6,71 bilhões em dezembro de 2013. Outra fatia
relevante, de R$ 2,3 bilhões, é identificada como financiamentos de longo prazo
em moeda estrangeira. As embarcações são dadas em
garantia para os financiamentos.
A OAS, que deixou de pagar parte de seus compromissos, tem a segunda maior
dívida entre as empresas do levantamento, no valor de R$ 7,86 bilhões, sendo R$
3,19 bilhões em títulos no exterior, R$ 2,65 bilhões em debêntures e R$ 2,02
bilhões em bancos locais. Somadas as duas empresas da Camargo incluídas no levantamento, ela aparece na
terceira posição, com dívida de R$ 2,09 bilhões em dezembro de 2013, sendo R$
1,71 bilhão em debêntures. Em seguida vem a Galvão Participações, que tinha dívida de R$ 1,92 bilhão,
sendo R$ 1,31 bilhão em debêntures e promissórias. Outra que também tem
debêntures é a UTC, no valor de R$ 613 milhões, que integram uma dívida total de
R$ 1,21 bilhão. A Engevix, a Iesa e a Mendes Júnior tinham apenas dívida bancária, de R$ 1,28
bilhão, R$ 359 milhões e R$ 246 milhões, respectivamente.

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