terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Prumo Logística enfrenta desafio de construir o Porto do Açú

A Prumo Logística Global, depois de finalizar uma operação de ampliação de capital, via emissão de novas ações, que injetou R$ 650 milhões na empresa, volta-se para os desafios que terá em 2015 e 2016. Serão anos ainda difíceis, com geração de caixa negativa para a antiga companhia de Eike Batista, controlada, desde o fim de 2013, pela americana EIG Global Energy Partners. Mas a diferença é que hoje a Prumo sabe bem o que precisa para desenvolver o projeto da empresa, o porto do Açu, em São João da Barra (RJ). "Hoje temos um cenário bem mais claro do que tínhamos há um ano", disse Eduardo Parente, presidente da Prumo. A afirmação remete ao fato de que em 2013, em meio à crise do grupo EBX, de Eike, as obras no Açu correram risco de parar e o porto ficar inacabado. Em dezembro de 2013, quando a EIG aportou R$ 1,3 bilhão na antiga LLX, rebatizada como Prumo, e negociou com bancos dívida adicional de R$ 900 milhões, as incertezas eram maiores. Não se sabia exatamente quanto ainda seria preciso gastar para terminar a infraestrutura básica no Açu, nem quando seriam concluídas as obras. Havia também dúvidas sobre o financiamento do projeto. Parente disse que, após a primeira capitalização da Prumo pela EIG e minoritários em 2013, ficou claro que ainda haveria um déficit de recursos financeiros para desenvolver o Açu. Mais recentemente chegou-se à conclusão que a melhor forma de cobrir essas necessidades seria mediante um novo aumento de capital. Em 30 de dezembro, o conselho de administração da Prumo homologou o aumento de capital no valor de R$ 650 milhões com a emissão de um bilhão de novas ações ordinárias ao preço de R$ 0,65 por ação. É dinheiro novo no caixa da companhia. Do total de novas ações emitidas, a EIG subscreveu 99,98% e os minoritários, 0,02%. A EIG adquiriu ainda, em leilão, na bolsa, 124.119.306 ações do fundo de pensão dos professores de Ontário, no Canadá, o OTPP, sócio minoritário da Prumo. Assim, a EIG passou a deter 74,3% do capital da Prumo. "Temos um acionista forte e animado com o Brasil", disse Parente. Ele afirmou que a EIG trabalha com um horizonte de longo prazo para o Açu, pensando no desenvolvimento do porto em horizonte de 10, 15 anos. Essa estratégia é importante para a Prumo, uma empresa privada que investe em infraestrutura, em momento de baixa das commodities, com o petróleo em queda. Em 2014, a ação da Prumo na bolsa caiu 60,19%. No processo de aumento de capital, a EIG também rescindiu acordo de acionistas que detinha com Eike. A rescisão se deu com base em um aditivo segundo o qual a EIG poderia cancelar o acordo caso a participação de Eike caísse abaixo de 10% das ações ordinárias da companhia. No fim de 2013, com a entrada da EIG, Eike ficou com 20,9% da Prumo, mas em 2014 repassou 9,3% para Mubadala, empresa de investimentos de Abu Dhabi por força de dívidas com os árabes. Agora, ao fim do aumento de capital, Eike e Mubadala foram diluídos para 6,7% cada um.

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