O presidente global da Shell, Ben Van Beurden, defendeu nesta
segunda-feira (15) a flexibilização das regras para exploração do
pré-sal, que hoje garantem exclusividade à Petrobras. O executivo está
no Rio para divulgar o início do processo de fusão das atividades com a
BG, resultado de um processo de aquisição de US$ 70 bilhões, anunciado
em abril de 2015.
"Esse é um assunto que diz respeito ao governo e aos congressistas,
mas se me perguntar (se a abertura a outras empresas) faz sentido, eu
diria que faz sentido. Ajudaria a dividir os riscos e a trazer mais
investimentos", disse o executivo, em entrevista coletiva. A lei atual
garante à Petrobras a exclusividade da operação do pré-sal, mas a
pressão para a flexibilização da regra vem aumentando diante das
dificuldades financeiras da estatal.
A vinda de Van Beurden dá uma dimensão da importância estratégica
do Brasil para a nova companhia. Um mês depois de se reunir com a
presidente Dilma Rousseff em Brasília, ele optou por voltar ao país para
explicar a integração das atividades, enviando membros da diretoria a
outros países.
"O Brasil será um país-chave na nossa estratégia", afirmou. "Está
seguramente no top 3 de nosso portfólio e, se considerarmos apenas a
produção em águas profundas, é o maior," previu Van Beurden. Ele disse ainda acreditar na competitividade do pré-sal, mesmo em
um cenário de petróleo barato.
"O break even (preço de equilíbrio dos
projetos) é muito favorável, mesmo nessa faixa de preços. E, se os
preços caem, os custos também caem", comentou. "Além disso, são projetos
de três ou quatro décadas, então temos que pensar em três ou quatro
décadas", esclareceu o executivo.
A Shell é parceira da Petrobras no campo de Libra e a BG tem
participação em outras três concessões operadas pela estatal no pré-sal,
incluindo o campo de Lula, o maior do país. Juntas, as duas empresas
produzem hoje 240 mil barris de óleo equivalente (somado ao gás) por dia
no país.
O executivo manifestou confiança "na geologia e nos fundamentos da
economia brasileira", mas defendeu estabilidade regulatória e fiscal
para permitir os investimentos. A Shell foi uma das poucas petroleiras a
se manifestar publicamente contra uma série de leis aprovadas pelo
governo do Rio no final do ano passado que podem aumentar os custos do
setor.
Ele minimizou a crise da Petrobras, dizendo que "a empresa
certamente vai sair dessa e continuar ajudando o país". Mas disse que
ainda não discutiu com a estatal as estratégias após a fusão. A união das atividades da Shell e da BG no Brasil começa a ser
desenhada a partir desta segunda. Van Beurden não quis adiantar quantas
pessoas serão demitidas no país, argumentando que a análise da estrutura
organizacional levará três meses. Em todo o mundo, a expectativa é que o
corte chegue a 2.800 empregados, garantindo ganhos de sinergia de US$
3,5 bilhões por ano até 2018.
A companhia definiu que seus focos de atuação serão o mercado
global de gás natural liquefeito (GNL) e a exploração e produção de
petróleo em águas profundas. Questionado sobre a possibilidade de
aquisição de ativos de gás da Petrobras, o presidente da Shell Brasil,
André Araújo, afirmou que a empresa avalia "qualquer oportunidade" que a
estatal apresenta ao mercado. Van Beurden, porém, descartou
investimentos no setor de refino de petróleo no país.
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