quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Presidente da AEB diz que Brasil deveria ter empresas nacionais de navegação para competir com as estrangeiras
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, manifestou-se decepcionado com o déficit comercial esperado para este ano, de US$ 4,8 bilhões e, principalmente, com a queda, nos últimos quatro anos, do fluxo de comércio. Segundo ele, a presidente Dilma Rousseff tem de operar com base em pragmatismo e não ideologia. "A África representa 3% do comércio internacional, e a América do Sul, sem o Brasil, 1,2%. Temos de fazer acordos com o resto, que é 95% do mundo e partir para vender mais. A política focada no Mercosul fracassou", comparou. Para Castro, entre os países do Mercosul, apenas o Brasil tem grau de investimento concedido pelas agências de classificação de risco e, portanto, o país se condena a um mercado limitado. Lembrou que, pelas regras do Mercosul, um acordo com Estados Unidos e Europa teria de ser aprovado por unanimidade, o que incluiria Venezuela, Argentina, Bolívia, que, na prática, estão à margem do grande comércio externo. Citou que, enquanto isso, a Aliança do Pacífico, com Chile, Peru, Colômbia e México avança rumo aos grandes mercados. "Temos de deixar a ideologia de lado e vender de forma pragmática. Os chineses se dizem comunistas, mas focam principalmente os mercados dos países ricos", ressaltou, frisando que, hoje, o Mercosul é um entrave para o Brasil. O presidente observou que a AEB prevê exportações, este ano, de US$ 225 bilhões e importações de US$ 229,8 bilhões, mas salientou que o déficit pode até superar US$ 5 bilhões. O resultado decorre não só da falta de acordos com países ricos, como da queda dos preços de minério, soja e carne. Castro falou, ainda, sobre o transporte marítimo no país. "O ideal seria termos empresas brasileiras com navios porta-contêineres, para competir com as estrangeiras. No momento, devido ao Custo Brasil, isso é impossível e nos resta rezar para que os estrangeiros não façam cartel e disputem cargas entre si". Acrescentou que seria desejável a volta de empresas brasileiras de navegação com navios porta-contêineres, mas considera que no momento isso é impensável.
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