O Banco do Brasil
suspendeu o patrocínio ao vôlei brasileiro depois de
relatório final da Controladoria-Geral da União (CGU) que comprovou
irregularidades na gestão de dinheiro público na Confederação Brasileira
de Vôlei (CBV). A auditoria foi feita pelo órgão do governo federal responsável
pela defesa do patrimônio público, transparência e combate à corrupção
após denúncias da ESPN Brasil, canal de televisão por assinatura, veiculadas desde o início do ano. As
conclusões foram relatadas em dois documentos
apresentados nesta quinta-feira. O Banco comunicou que suspendeu os pagamentos à CBV relativos aos contratos
de patrocínio e condicionou a sua retomada, bem como a manutenção
do patrocínio, à adoção imediata pela organização das medidas corretivas
apontadas pela CGU, e de outras identificadas pelo BB como necessárias. A parceria entre o banco estatal e a confederação iniciou há 23 anos e pelo acordo atual vai até 30 de abril de
2017, tendo cláusula de confidencialidade em relação ao valor do patrocínio, que não pode ser revelado. O primeiro contrato entre as partes é de 1991 e
o mais recente foi assinado em 2012. A CGU determinou abertura de investigação sobre contratos assinados entre a CBV e o banco em março. No relatório publicado nesta terça, a CGU determinou que o Banco do Brasil deve adotar medidas corretivas com vistas a eliminar dois pontos
principais: "Necessidade de realização de novos procedimentos para
projetos de patrocínios com vistas a mitigação de riscos para o
Banco" e "readequação do instrumento do bônus de performance
nos contratos". O primeiro ponto resultou diretamente das denúncias de fraudes e favorecimento
a parentes ou pessoas ligadas à CBV em contratos. Um dos casos foi o acordo firmado com a empresa SMP, do
ex-superintendente geral da confederação, Marcos Pina, que recebeu R$ 10 milhões
para intermediar o contrato com a instituição financeira. Ele deixou o cargo
após as denúncias. A CGU ressalvou que após auditoria não é possível "verificar a efetiva
contraprestação do serviço como no caso de consultorias contratadas para
assessorar a CBV na negociação de patrocínios". "Parte das medidas apontadas pela CGU foram previamente identificadas
pelo BB e constam de aditivo contratual que foi negociado com a CBV,
porém sem resposta final por parte da Confederação", informou o banco. "O Banco do Brasil comunicou que não irá compactuar com qualquer
prática ilegal ou que seja prejudicial ao esporte e à comunidade do
vôlei, e entende ser necessário que a CBV adote novas práticas de gestão
que tragam mais disciplina e transparência à aplicação dos recursos",
concluiu a nota. Faltou esclarecer, na opinião desse blogueiro, porque uma empresa que tem o governo como acionista majoritário (ou seja, o povo brasileiro), sendo, portanto, pública, incluiu cláusula de sigilo em relação aos valores do patrocínio, e justamente a uma entidade que também deveria ter uma gestão transparente por representar um segmento do esporte nacional.

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