domingo, 8 de fevereiro de 2015
Programa de investimento na indústria deve ser suspendo até a metade do ano
O Programa de Sustentação do Investimento (PSI) deve ser suspenso antes do prazo de seu vencimento (provavelmente até julho), previsto para dezembro
de 2015. O PSI, tocado pelo BNDES, marcou as ações do governo de combate
aos efeitos da crise internacional de 2008 e funciona como uma
desoneração para a indústria, financiando a produção e aquisição de
máquinas a juros subsidiados e prazos dilatados. Será mais um
passo em direção à estratégia do Ministério da Fazenda de retirar
subsídios governamentais às empresas. A atual equipe econômica considera
"uma excrescência" o programa, que em dezembro sofreu a oitava
alteração nas condições de juros e prazos de pagamento. O PSI tem
orçamento de R$ 50 bilhões para este ano, o mesmo valor empenhado em
2014, quando houve um reforço adicional de R$ 30 bilhões. A ideia
inicial do governo era cortar todos os subsídios já no fim do ano
passado, durante os trabalhos de transição nos Ministérios da Fazenda e
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O governo acabou
optando por uma alternativa política de manter por mais alguns meses os
subsídios, para evitar desgaste maior com a indústria logo no início da
nova gestão. Mas os critérios foram drasticamente alterados. A
participação do BNDES em cada operação, que variava entre 80% e 100% de
cada projeto, foi reduzida para entre 50% e 70%; os juros, que ficavam
entre 4,5% e 8%, subiram para entre 7% e 11%, e os prazos, antes
estendidos por até dez anos, encurtaram para, no máximo, oito anos. A
vigência, como sempre, foi fixada em 31 de dezembro do ano seguinte, mas
a intenção é de não chegar ao fim do prazo. Em reunião com a área
econômica de transição do governo, no fim do ano passado, a presidente
Dilma Rousseff concordou com as mudanças do programa. Na reunião
seguinte, que contou com a participação de representantes do Banco, foi
discutida a extinção do PSI - criado em 2009, como uma medida temporária
e principal item da política anticíclica do segundo governo Lula, que
visava conter os efeitos da crise internacional na indústria.
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