quarta-feira, 30 de julho de 2025

Terminais do Panamá podem ser excluídos do acordo de venda das operações portuárias da CK Hutchison


 

O conglomerado CK Hutchison Holdings, com sede em Hong Kong, anunciou que está em negociações para incorporar um "importante investidor estratégico chinês" ao consórcio que busca adquirir seus negócios portuários globais, em um negócio avaliado em US$ 22,8 bilhões. O anúncio ocorreu após o término das negociações exclusivas com o grupo liderado pela BlackRock, com sede nos EUA, e pela Terminal Investment Limited (TiL), braço portuário da MSC.

O interesse em adicionar a operadora estatal China Cosco Shipping Corp. responde às crescentes demandas regulatórias de Pequim, que expressou preocupações sobre o andamento do acordo em sua configuração original. A Administração Estatal de Regulação do Mercado da China (SAMR) já havia anunciado uma revisão do acordo para garantir a concorrência justa e proteger o interesse público, em meio ao aumento das tensões entre a China e os EUA.

"A empresa declarou em diversas ocasiões que não dará continuidade a nenhuma transação que não tenha a aprovação de todas as autoridades relevantes", afirmou a CK Hutchison em comunicado à Bolsa de Valores de Hong Kong. A empresa também anunciou que dará o tempo necessário para ajustar a estrutura do negócio e garantir sua viabilidade regulatória.

Desde março, o consórcio havia chegado a um acordo em princípio para adquirir 43 terminais em 23 países, incluindo dois portos importantes em ambas as extremidades do Canal do Panamá (Balboa e Cristobal), adicionando uma dimensão geoestratégica particularmente sensível ao negócio. A mídia estatal chinesa, geralmente alinhada à posição oficial, criticou publicamente o acordo inicial, chamando-o de uma potencial "traição" aos interesses nacionais se fosse finalizado sem a participação chinesa.

Para o JPMorgan, a possível incorporação da Cosco ao consórcio "deve aliviar algumas preocupações do governo chinês e aumentar a probabilidade de obtenção de aprovação regulatória". No entanto, alerta que "é possível que nem todos os portos sejam incluídos no acordo final", especialmente aqueles localizados no Panamá, devido ao crescente escrutínio político e comercial.

O presidente dos EUA, Donald Trump, havia afirmado anteriormente que seu país deveria "recuperar" o controle do Canal do Panamá, posição criticada tanto pelo Panamá quanto pela China. A inclusão de portos nessa área tem sido particularmente controversa, e analistas não descartam sua exclusão como condição para a conclusão do acordo revisado.

A CK Hutchison também sugeriu que, com o fim da exclusividade com o consórcio liderado pela BlackRock e pela MSC, a porta está aberta para novas ofertas para sua rede portuária, que atualmente abrange 53 portos em 24 países e contribui com quase 15% do EBITDA do grupo. A potencial reconfiguração do consórcio não apenas responde às pressões regulatórias, mas também destaca a crescente complexidade geopolítica em torno dos ativos estratégicos de infraestrutura portuária.

"Um investidor da República Popular da China com controle majoritário parece inviável. No entanto, um participante com menos de 50% da participação poderia agradar a todas as partes", disse David Blennerhassett, estrategista da Ballingal Investment Advisors. A CK Hutchison, presidida pelo magnata Li Ka-shing, é um dos conglomerados mais diversificados da Ásia, com operações em mais de 50 países e mais de 300.000 funcionários

Além dos negócios portuários, suas receitas são distribuídas entre telecomunicações, infraestrutura, varejo e finanças. A divisão de telecomunicações é atualmente a mais lucrativa do grupo, enquanto sua unidade de infraestrutura é líder em investimentos estrangeiros em setores críticos como energia e transporte.

 

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