O Nearshoring oferece às empresas americanas uma oportunidade única de construir cadeias de suprimentos resilientes e eficientes mais perto de casa. Embora desafios como confiabilidade do fornecedor, conformidade legal e diferenças culturais possam surgir, eles podem ser superados com planejamento estratégico e parcerias fortes.
Ao alavancar soluções personalizadas, investir em tecnologia e adotar uma abordagem em fases, as empresas podem explorar o potencial inexplorado da América Latina e do Caribe, destaca o relatório “Nearshoring Unlocked, Strategic Solutions for Supply Chain Resilience in the Americas”, preparado pela JOC pela S&P Global e DP World, que também destaca que as recompensas — prazos de entrega mais curtos, maior resiliência da cadeia de suprimentos e proximidade com os fornecedores — tornam essa uma estratégia atraente para o futuro.
De acordo com o relatório, a mudança na dinâmica das relações comerciais entre os Estados Unidos e a China está remodelando as cadeias de suprimentos globais, levando os importadores norte-americanos a diversificar seus fornecedores e trazer seus suprimentos para mais perto de casa. As importações chinesas para os Estados Unidos diminuíram significativamente, caindo de um pico de US$ 536,3 bilhões em 2022 para US$ 426,9 bilhões em 2023, reduzindo sua participação de 21,6% em 2017 para 15% em 2025.
Em contraste, o México se tornou o maior parceiro comercial dos EUA, atingindo uma participação de 15,4%. Mas o aumento dos custos levou as empresas americanas a explorar outras regiões, como o Caribe e a América do Sul. É o que revela uma pesquisa da JOC feita pela S&P Global, que descobriu que 92% dos executivos do setor de logística consideram as cadeias de suprimentos interamericanas cada vez mais críticas, e 70% estão otimistas quanto às oportunidades na América do Sul nos próximos cinco anos.
Isso reflete a tendência crescente de nearshoring, em que os EUA buscam diversificar seu fornecimento além da China. Países como Colômbia, Peru e Chile estão se destacando em setores específicos, como têxteis e produtos agrícolas. No entanto, a transição para o nearshoring apresenta desafios como produção inconsistente e instabilidade política em alguns países.
Para mitigar esses riscos, especialistas recomendam estabelecer parcerias com fornecedores que tenham infraestrutura própria, permitindo maior estabilidade e controle sobre a cadeia de suprimentos. As empresas que adotam o nearshoring devem gerenciar não apenas a confiabilidade de seus fornecedores, mas também a conformidade legal e regulatória, especialmente à luz das novas tarifas dos EUA sobre produtos chineses, que variam de 25% a 100%.
Essas tarifas afetam setores-chave, como veículos elétricos, semicondutores e painéis solares, gerando mudanças nas decisões de fornecimento. Segundo essas regulamentações, importar produtos chineses para o México para montagem e evitar tarifas não será viável no governo Trump, o que exigirá testes de fabricação. “Ter essas mercadorias originais disponíveis para realizar as transformações necessárias nos países de nearshoring e os processos de transformação necessários para atender à alfândega dos EUA é um grande desafio”, reconhece Carla Montenegro, vice-presidente de agenciamento de carga comercial para as Américas da DP World.
Além disso, a transição de fornecedores asiáticos para novos parceiros na América Latina exige uma gestão cuidadosa e gradual, de acordo com Montenegro. Durante a implementação de novos fornecedores, uma abordagem de gestão detalhada é essencial para garantir que os padrões esperados sejam atendidos. Além disso, as empresas devem garantir que tenham visibilidade total do processo, desde o monitoramento de pedidos até o gerenciamento de exceções, usando tecnologia para manter o controle e minimizar os riscos.
O nearshoring pode reduzir os prazos de entrega, mas apresenta novos desafios de custo. Para reduzir isso, as empresas devem identificar áreas da cadeia de suprimentos que podem melhorar a eficiência; Aproveitar as zonas de livre comércio e garantir contratos de longo prazo com provedores de logística também pode ajudar, permitindo ajustes com base nas flutuações do mercado. Além disso, as empresas devem considerar as flutuações cambiais, especialmente em países da América Latina, onde o dólar flutuou significativamente em relação a moedas como o peso mexicano, o real brasileiro e o peso colombiano. (Imagem do Centro Financeiro de São Paulo, Brasil)
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