terça-feira, 18 de março de 2025

China critica venda do controle acionário da CK Hutchison a consórcio BlackRock/TIL


A venda dos ativos portuários da CK Hutchison Holdings, conglomerado liderado pelo magnata de Hong Kong Li Ka-shing, gerou uma forte controvérsia internacional, principalmente devido à reação da China. O negócio, avaliado em US$ 23 bilhões e liderado pela empresa norte-americana BlackRock, em consórcio com a TIL, envolve a venda de 80% do Hutchison Port Group, que controla 43 portos de contêineres em 23 países, incluindo dois no Panamá.

Segundo o SCMP, essa transação, embora não sujeita à aprovação das autoridades da China ou de Hong Kong, foi duramente criticada por Pequim, levantando especulações sobre possível pressão governamental para que a empresa reconsidere a operação. "Esta é uma transação complexa e de grande escala, que ainda está pendente de due diligence confirmatória e aprovações regulatórias para a localização dos portos de CK Hutchison", disseram Zerlina Zeng e Zoey Zhou, da empresa de análise de dívidas CreditSights.

Desde que a venda foi anunciada em 4 de março, o acordo está sob análise de autoridades chinesas. Em particular, o Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau de Pequim publicou um artigo no seu site oficial chamando a venda de uma "traição" ao povo chinês. Este artigo, publicado originalmente pelo jornal pró-chinês Ta Kung Pao, intensificou a controvérsia, pois foi interpretado como um sinal da posição do governo central chinês.

Apesar das fortes críticas, analistas ressaltam que a venda irá adiante e que não há obstáculos regulatórios que a impeçam de prosseguir, desde que a CK Hutchison decida prosseguir. Na verdade, a transação ainda está sujeita à devida diligência confirmatória e aprovações regulatórias nos países onde os portos estão localizados, mas não requer autorização dos reguladores chineses ou das autoridades de Hong Kong, exceto no que diz respeito às regras de listagem da Bolsa de Valores de Hong Kong.  

Um dos pontos mais sensíveis do acordo é a inclusão na venda dos portos panamenhos de Balboa e Cristóbal, localizados em ambos os lados do Canal do Panamá. A pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, foi vista como um fator-chave no contexto desta transação, após ele ter expressado preocupação com a influência chinesa na hidrovia interoceânica, reforçando a percepção de que o acordo favorece os interesses dos EUA.

A venda dos ativos portuários da CK Hutchison para interesses não chineses pode ser interpretada como uma estratégia para reduzir a exposição a potenciais conflitos geopolíticos e proteger outros negócios do grupo em Hong Kong e na China continental. No entanto, a reação de Pequim sugere que o governo chinês vê essa transação como uma concessão desnecessária a Washington, o que criou tensões no ambiente de negócios de Hong Kong.

Outro participante importante nessa transação é a PSA International, autoridade portuária estatal de Cingapura, que detém os 20% restantes do Hutchison Port Group. A participação da PSA na transação lhe confere um papel significativo na gestão futura desses portos, embora o controle majoritário permaneça nas mãos do consórcio liderado pela BlackRock. Essa estrutura acionária levantou questões sobre o impacto que a venda terá nas operações e na estratégia de longo prazo dos portos envolvidos.

A visão crítica de Pequim sobre a transação coloca CK Hutchison e Li Ka-shing em uma posição difícil. Embora a venda possa representar uma injeção de capital significativa e uma redução no risco geopolítico, ela também pode afetar seu relacionamento com Pequim. A pressão da China para reconsiderar a transação sugere que a empresa pode enfrentar repercussões em seus outros negócios se decidir prosseguir com o acordo. As ações da CK Hutchison caíram 6,7% no pregão da tarde de sexta-feira, a caminho da maior queda percentual em um dia em cerca de cinco anos. O índice de referência Hang Seng subiu 2,2% na sexta-feira. Os investidores parecem preocupados que a pressão de Pequim possa inviabilizar o acordo ainda não fechado entre a BlackRock e a Hutchison.

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