Os sinais de navegação de mais de 900 embarcações no Estreito de Ormuz e no Golfo Pérsico foram interrompidos no fim de semana, gerando confusão na hidrovia estratégica, à medida que os combates entre Irã e Israel se intensificavam. Dados da Starboard Maritime Intelligence e da Bloomberg mostraram embarcações navegando em linhas impossivelmente retas na região, ziguezagueando pela água ou aparecendo em terra.
As falhas — que afetaram petroleiros, navios de carga geral, rebocadores e embarcações de pesca, entre outros — aumentam a dependência de radares, bússolas e visão humana, aumentando a probabilidade de colisões. O Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), uma força naval internacional que monitora a área, alertou recentemente sobre "interferência extrema" nos sinais do porto iraniano de Bandar Abbas. No entanto, o JMIC afirmou não haver indícios de um possível bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita mais de um quarto do comércio mundial de petróleo.
A Divisão de Operações Marítimas do Reino Unido (Maritime Trade Operations) expressou suas preocupações na segunda-feira, acrescentando que a interferência estava se intensificando em todo o Golfo e afetando a forma como os navios reportavam suas posições aos sistemas automatizados. “Este não é um bom lugar nem um bom momento para ter sistemas de navegação que não mostram exatamente onde você está”, disse Mark Douglas, analista da Starboard. “Embora o fechamento do Estreito pareça improvável, esse tipo de interferência generalizada causa incerteza para qualquer pessoa que opere na área.
” Embarcações Afetadas No domingo, 15 de junho, o “Front Tyne”, um grande petroleiro operado pela Frontline Ltd., entrou no Estreito de Ormuz. Pouco depois, seu sinal indicava que navegava para o norte em direção a Bandar Abbas, ziguezagueava para o sul, aprofundava-se no Golfo, contornava a costa e, por fim, seguia em direção à Arábia Saudita. Enquanto isso, o “Elandra Willow”, um petroleiro de médio alcance pertencente ao grupo Vitol, também apresentou movimentos erráticos, aproximando-se de Bandar Abbas ao sair do Golfo. O "Pegasus", um Suezmax operado pela Pantheon Tankers Management, está localizado na costa do Irã continental desde a manhã de segunda-feira.
O Estreito de Ormuz é a porta de entrada e saída do Golfo Pérsico, onde grandes países produtores de petróleo, incluindo Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Irã, carregam petroleiros com petróleo bruto e os transportam por Ormuz para seus compradores finais. Após ataques aéreos israelenses contra o Irã na semana passada, aumentaram as preocupações de que a República Islâmica bloquearia a hidrovia estratégica. Analistas expressaram reservas quanto à possibilidade de o Irã fechar Ormuz, dada sua dependência da receita proveniente de embarques de petróleo, especialmente para a China. O bloqueio das exportações de outros produtores também poderia provocar uma reação dos Estados Unidos e seus aliados.

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