sexta-feira, 29 de agosto de 2025

APM e CMA CGM devem participar da licitação de dois novos portos no Canal do Panamá


 

A Autoridade do Canal do Panamá (ACP) planeja licitar os direitos de operação de dois portos ainda a serem construídos, a fim de atrair mais participantes e limitar o domínio de um único grupo, particularmente a MSC, sediada em Genebra, e a estatal chinesa Cosco. Nesse sentido, o administrador da ACP, Ricaurte Vásquez, indicou que busca aumentar a concorrência após o crescente papel da MSC e da Cosco na disputa geopolítica entre os EUA e a China pelo controle dos portos de Balboa e Cristóbal, atualmente em operação, ao longo do Canal, relata o WSJ.

Vásquez indicou que espera concluir o processo de licitação para os novos portos antes do final do ano e espera receber propostas de diversas operadoras. A APM Terminals, subsidiária portuária da Maersk, bem como sua concorrente francesa, CMA CGM, devem apresentar propostas, de acordo com fontes do setor. Em abril, a Maersk adquiriu a Panama Canal Railway Co., que opera uma linha ferroviária de 76 quilômetros ao longo da hidrovia interoceânica e conecta o Pacífico e o Atlântico.

"Precisamos aumentar a capacidade de movimentação de contêineres e incorporar mais participantes para garantir igualdade de condições", disse Vásquez em entrevista. O terreno à venda está localizado em ambos os lados do Canal. As empresas vencedoras construirão as instalações portuárias e as operarão por 20 anos.

O porto do Atlântico, na Ilha Telfers, ficará próximo a um terminal de gás natural atualmente em desenvolvimento. Vásquez esclareceu que a Cosco não poderá participar do processo de licitação dos novos portos por ser uma entidade estatal. Em março, a gestora de ativos americana BlackRock e a MSC assinaram um acordo para adquirir a participação majoritária nos portos da empresa CK Hutchison, sediada em Hong Kong, que inclui os dois portos localizados em cada extremidade do Canal (Balboa e Cristobal). O acordo foi firmado após pressão do então presidente Donald Trump, que argumentou que a conexão da Hutchison com a China representava um risco à segurança e ameaçou intervir no Canal do Panamá.

A MSC, por meio de sua subsidiária TIL, que já opera um terminal no Pacífico, concordou em adquirir ambos os portos em consórcio com a BlackRock, em uma transação global avaliada em US$ 22,8 bilhões, que inclui dezenas de terminais administrados pela Hutchison em todo o mundo. De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, Pequim ameaçou bloquear a transação, a menos que a Cosco participe como parceira do consórcio e investidora em igualdade de condições. A BlackRock, a MSC e a Hutchison teriam expressado a disposição de permitir que a Cosco assuma uma participação na Balboa e na Cristobal, embora o governo Trump provavelmente se opusesse a isso.

A China, por sua vez, mantém influência sobre os três participantes envolvidos: a BlackRock e a Hutchison têm negócios no país asiático, e a MSC é uma das principais companhias marítimas que atendem ao comércio exterior chinês globalmente. Vásquez estimou que, uma vez concedidas as novas concessões, elas contribuirão com US$ 500 milhões adicionais para a receita anual do Canal do Panamá, que atualmente gira em torno de US$ 5 bilhões.

 

Governo Federal autoriza estudos técnicos para reativação da Hidrovia do São Francisco

 

O Ministério de Portos e Aeroportos autorizou, nessa semana, a Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) a iniciar estudos técnicos para a reativação da Hidrovia do São Francisco. A medida foi oficializada por portaria assinada pelo ministro Silvio Costa Filho e publicada no Diário Oficial da União (DOU). De acordo com a normativa, os estudos vão analisar aspectos operacionais, logísticos e regulatórios, além de viabilizar a exploração privada da infraestrutura e a retomada sustentável da navegação no trecho hidroviário.

A expectativa é de que já no primeiro ano de operação comercial a movimentação de cargas pelo rio alcance 5 milhões de toneladas. O projeto prevê ainda a integração da hidrovia com outros modais de transporte, como ferrovias e rodovias.

Para o ministro Silvio Costa Filho, a retomada do projeto será estratégica para o desenvolvimento da região. “A reativação da Hidrovia do São Francisco vai fortalecer a economia local, promovendo um transporte mais eficiente, sustentável e integrado com outros modais.”

Com 1.371 quilômetros de extensão navegáveis entre Pirapora (MG), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), a hidrovia permitirá o transporte de cargas do Centro-Sul ao Nordeste de forma mais econômica e sustentável. Um comboio hidroviário pode substituir até 1,2 mil caminhões, reduzindo significativamente a emissão de CO e o desgaste das rodovias. Além disso, o consumo energético das embarcações é consideravelmente menor, tornando essa alternativa uma das mais eficientes e sustentáveis do mercado.

 

O presidente da Autoridade Portuária da Bahia - CODEBA, Antonio Gobbo, explica a hidrovia integra um projeto maior e traz uma lógica importante para fechar o desenho estruturante logístico do Estado da Bahia. “A hidrovia é tão grande e tão completa, que não é à toa que o Rio São Francisco é chamado de Rio da integração Nacional, que ela empresta suporte não apenas para a Ferrovia Centro-Atlântica, como para todo sistema ferroviário que permeia o estado da Bahia e, também, melhorar ainda mais a curva de demandas projetadas para a Ferrovia de Integração Oeste-Leste”, destacou.

Desenvolvimento regional

A Nova Hidrovia é ainda um dos projetos logísticos mais importantes para o escoamento de cargas e o desenvolvimento regional do país. O trajeto inclui o transporte de diversos produtos por barcaças, com destaque para o gesso agrícola, utilizado como fertilizante e condicionador de solo, gipsita, drywall e calcário, que serão transportados de Petrolina (PE) até Pirapora (MG). A rota tem como principal ponto abastecer o Sudeste e a região conhecida como MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), um importante polo agrícola do país.

Além disso, produtos como açúcar e óleo serão enviados de Juazeiro para Pirapora, e contribuirão para o abastecimento das mesmas regiões. O sal, extraído no Rio Grande do Norte, seguirá em direção a Remanso (BA), onde se encontrará com o São Francisco, continuando sua jornada até Pirapora, também rumo ao Sudeste.

O café, por sua vez, fará o trajeto inverso, partindo de Pirapora em direção a Juazeiro e Petrolina para atender à demanda do Nordeste. Já o milho, soja, algodão, adubo e outros insumos agrícolas serão transportados por via terrestre dos municípios baianos de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães até Ibotirama (BA) e seguirão pela hidrovia até Juazeiro. A partir daí, poderão ser escoados para o Porto de Aratu, em Salvador, por rodovia ou ferrovia.

Instalações portuárias

Para garantir a execução da reativação, o projeto foi dividido em três etapas, com foco na integração intermodal, por rodovias e ferrovias, visando aumentar a eficiência logística, promover a sustentabilidade e reduzir custos.

A primeira etapa contempla intervenções em um trecho de 604 km navegáveis, entre Juazeiro e Petrolina, passando por Sobradinho (BA) e chegando a Ibotirama (BA). As cargas serão escoadas por rodovias até o Porto de Aratu-Candeias (BA). A segunda etapa abrange 172 km navegáveis entre Ibotirama, Bom Jesus da Lapa e Cariacá (BA), com conexão ferroviária aos portos de Ilhéus e Aratu-Candeias e a terceira ampliação da hidrovia em 670 km, ligando Bom Jesus da Lapa e Cariacá a Pirapora (MG).

Estão previstas ainda a construção de 17 Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4), que garantirão o transporte de cargas e passageiros nos estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas. Destas, seis estão em fase de projeto e 11 em planejamento. Os editais para os IP4 de Petrolina e Juazeiro devem ser lançados em setembro, com início das obras previsto para janeiro de 2026.

Brasil e México fecham parcerias em agro, biocombustível e fortalecimento comercial e atração de investimntos

 

No primeiro dia da missão oficial liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços,  Geraldo Alckmin, Brasil e México fecharam parcerias para aprofundar a cooperação nos setores da agropecuária, de biocombustíveis, fortalecimento comercial e atração de investimentos.

Em evento de assinatura dos memorandos, o vice-presidente destacou o impacto que a parceria terá em diversos setores, como o econômico e social.

“Quero destacar a importância do que acabamos de assinar. A importância social, que significa emprego, renda, novas oportunidades, vida digna para a população; a importância econômica, investimentos, crescimento do setor produtivo; importância científica e tecnológica, novas formas tecnológicas para a descarbonização; a importância ambiental”, afirmou Alckmin.

O memorando que trata de biocombustíveis é a base para futuras ações de cooperação, com o objetivo de impulsionar um crescimento do setor no México, aproveitando a reconhecida experiência que o Brasil possui na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar.

A parceria prevê o intercâmbio de experiências e a transferência de tecnologia, equipamentos, metodologias e experiências entre os dois países para acelerar o desenvolvimento do setor de matérias-primas e da indústria de biocombustíveis, estimulando a captura e armazenamento de carbono a partir da bioenergia. Isso abre caminho para o crescimento ordenado e sustentável da produção de biocombustíveis, como etanol, SAF e combustíveis marítimos sustentáveis.

A cooperação faz parte da estratégia do Brasil de aprofundar a integração econômica com o fortalecimento de parcerias em setores estratégicos, gerando benefício recíprocos para as duas maiores economias e democracias da América Latina.

Cooperação agropecuária

Em reunião na sede da chancelaria mexicana, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, Julio Sacristán, assinaram Memorando de Entendimento sobre cooperação entre os dois países em áreas de produção agrícola e pecuária, acompanhamento técnico de pequenos e médios produtores, soberania alimentar, sanidade animal e vegetal, promoção de pesquisa e inovação tecnológica, financiamento e seguro rural, além de instrumentos que facilitem a comercialização de produtos agrícolas.

O memorando prevê a criação de um grupo de trabalho com representantes das áreas técnicas de ambos os países que irá identificar as áreas de interesse comum, planejar, implementar e atualizar o Plano de Trabalho.

Na reunião com secretário de Agricultura, os dois países também se comprometeram a adequar as legislações sobre a rastreabilidade da carne bovina, sem prejuízo às exportações brasileiras de carne para o México.

Fortalecimento Comercial

Com o objetivo de impulsionar o comércio e abrir novas oportunidades de negócios, a ApexBrasil e a Secretaria de Economia do México assinaram um memorando de entendimento para promover o intercâmbio de bens, serviços e investimentos entre os dois países.

Essa cooperação cria uma sinergia entre duas importantes políticas de desenvolvimento: a Nova Indústria Brasil, que busca fortalecer a inovação, a sustentabilidade e a produtividade da indústria brasileira, e o Plano México, uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo do país.

Para isso, a parceria vai realizar ações para promover exportações e investimentos; fortalecer capacidades institucionais e empresariais; e impulsionar o desenvolvimento de cadeias produtivas.

A parceria também se concentrará em impulsionar a inovação e a entrada em novos mercados, facilitando a identificação de oportunidades de negócio que aumentem a competitividade e o posicionamento internacional das empresas de ambos os países.

Encontros estratégicos

A agenda na Cidade do México começou com uma reunião com setor privado brasileiro, com a presença de representantes da Confederação Nacional da Indústria e empresários dos setores da agricultura, pecuária, aeronáutico, cosméticos, bancário, químico, saúde e automotivo.

Ao longo do dia, a delegação brasileira se reuniu com o presidente da Mesa Diretiva do Senado da República e da Comissão Permanente do Congresso da União, Gerardo Fernández Noroña; secretário de Relações Exteriores, Juan Ramón de la Fuente, e secretário de Economia, Marcelo Ebrard Casaubon, além do secretário da Agricultura. O encerramento da agenda desta quarta-feira foi no Encontro Empresarial Brasil-México, promovido pela ApexBrasil.

A comitiva brasileira é formada também pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet; e a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura. Também participam os presidentes da ApexBrasil, Jorge Viana; da Conab, Edegar Pretto; da Anvisa, Leandro Safatle; e representantes do Ministério da Saúde, Fiocruz e Instituto Butantan; além de empresários e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Comércio bilateral

Em 2024, a corrente de comércio entre Brasil e México somou US$ 13,6 bilhões. As exportações brasileiras totalizaram US$ 7,8 bilhões, com destaques para as vendas de veículos automóveis de passageiros (US$ 715,4 milhões), carnes de aves e suas miudezas (US$ 563,7 mi) e veículos para transporte de mercadorias (US$ 507 mi).

Já as importações de produtos mexicanos em 2024 totalizaram US$ 5,8 bilhões, com destaques para partes e acessórios de veículos automotivos (US$ 849 mi), veículos automóveis de passageiros (US$ 757,8 mi) e veículos automóveis para transporte de mercadorias (US$ 264,2 mi).