quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Tarifas de Trump começam a valer em meio a excesso de capacidade de carga dos naviaos e baixa demanda global


 

O governo  do presidente Donad Trump segue agressivamente sua agenda tarifária, introduzindo percentuais recíprocos que podem elevar a alíquota média das tarifas dos EUA para 15,2%, bem acima dos 2,3% registrados antes do seu retorno ao poder. De acordo com a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), as novas tarifas não se aplicarão a mercadorias já embarcadas em navios antes das 00h01, horário de Nova York, do dia 8 de agosto.

No entanto, a partir dessa data, o escopo tarifário será expandido para dezenas de países, com exceções apenas para bens humanitários e bens abrangidos pelo acordo de livre comércio EUA-México-Canadá. Trump também prevê uma nova onda de tarifas visando setores estratégicos, como produtos farmacêuticos, semicondutores e minerais essenciais.

Soma-se a isso uma ameaça direta à Índia, que poderá enfrentar tarifas mais severas devido à sua relação energética com a Rússia. Uma medida particularmente controversa é a multa de 40% para mercadorias que, segundo o CBP, são "transbordadas", ou seja, reexportadas através de terceiros países para evitar tarifas mais altas.

Essa disposição parece ser particularmente direcionada às exportações chinesas. O aperto tarifário ocorre em um contexto de frágil comércio marítimo entre a Ásia e os EUA. Desde 1º de junho, as tarifas spot nessa rota caíram 58% para a Costa Oeste dos EUA e 46% para a Costa Leste, segundo dados da Xeneta.

Fatores como excesso de capacidade e fraca demanda, agravados pela incerteza tarifária, forçaram as companhias marítimas a cancelar itinerários (embarques em branco) e ajustar suas estratégias. A pausa tarifária de 90 dias recentemente acordada entre Washington e Pequim proporcionou um alívio temporário, mas não foi suficiente para estabilizar o mercado.

A DHL alerta que o aumento de capacidade durante o pico do início do verão foi rapidamente seguido por uma reversão à medida que a demanda se dissipou. Jarl Milford, analista da Veson Nautical, prevê que as tarifas spot continuarão a cair no segundo semestre do ano, pressionadas pela adição de novos navios à frota mercante global e pelo fraco ambiente econômico global.

A constante ameaça no Mar Vermelho — onde os ataques dos rebeldes Houthi do Iêmen continuam — e a intenção de algumas companhias marítimas de evitar atracar em portos dos EUA por questões tarifárias forçaram os operadores a alterar ou adotar itinerários mais longos. De acordo com analistas da Jefferies Research, citados pela Reuters, esses desvios nas rotas de navegação estão absorvendo mais de 10% da capacidade da frota global de contêineres, elevando a utilização da frota para 86-87%, o que impediu uma queda ainda maior nas tarifas.

 

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