A reimposição de tarifas pelos EUA após o término do período de negociação em 7 de agosto trouxe alívio parcial aos mercados. Embora alguns países, como Brasil e Índia, enfrentem tarifas de 50%, parceiros estratégicos como a União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Vietnã alcançaram acordos favoráveis "em troca de compromissos substanciais de investimento nos EUA", observa a Drewry em seu Container Shipping Financial Insight.
A China recebeu uma extensão de 90 dias, enquanto o otimismo dos investidores persiste, apoiado pelo crescimento anual de 7,2% nas exportações chinesas em julho. Nesse contexto, o Drewry Container Equity Index (DCEI) avançou 10% até o momento em 2025, superando o ganho de 8,3% do S&P 500.
No entanto, os resultados financeiros das principais companhias de navegação refletem a pressão do mercado. A Maersk reportou receitas estáveis em seu segmento Oceânico, onde um aumento de 4,2% nos volumes (6,4 milhões de TEUs) em relação ao ano anterior compensou uma queda de 9,6% nas tarifas médias.
Mas, o aumento dos custos e a redução dos lucros com a venda de ativos levaram a uma redução de 51,3% em seu EBIT, com a margem contraindo para 2,7%. A companhia marítima projeta um crescimento global do volume de contêineres entre 2% e 4% este ano, impulsionado pela "sólida demanda fora dos EUA", afirma o relatório.
A OOIL apresentou uma queda de 6,5% nas receitas, impactada por uma queda de 10,4% na receita por TEU, apesar de um aumento de 4,4% nos volumes. A CMA CGM também reportou números fracos: queda de 0,2% nos volumes e de 1,4% nas receitas, com queda de 19,9% no EBITDA. As companhias marítimas taiwanesas Yang Ming Marine, Evergreen e Wan Hai também foram afetadas, sendo a Yang Ming a mais afetada, com uma queda de 22,7% na receita operacional em relação ao ano anterior.
Em termos de capacidade, a expansão da frota global de navios porta-contêineres mostra sinais de moderação. Entre janeiro e julho de 2025, o crescimento foi de 4,1% (para 32,1 milhões de TEUs), bem abaixo dos 6,7% registrados no mesmo período em 2024. De acordo com Drewry, "espera-se um aumento no desmantelamento de navios, visto que aproximadamente 1,1 milhão de TEUs, equivalente a 3,5% da frota, têm 25 anos ou mais e enfrentam regulamentações ambientais mais rigorosas".
Os pedidos para a construção naval, no entanto, permanecem fortes: atingiram 2,5 milhões de TEUs entre janeiro e julho, em comparação com 1,9 milhão no mesmo período em 2024, elevando a relação carteira de pedidos/frota para 30,8%. Paralelamente, o Drewry World Container Index (WCI) mostra uma correção nas taxas. Até 21 de agosto, o índice caiu 24,6% no terceiro trimestre e acumula uma queda de 40,8% no ano, com dez semanas consecutivas de queda.
"As companhias marítimas estão implementando cancelamentos de viagens para estabilizar as taxas", observa Drewry, destacando que a MSC suspendeu o serviço Pearl na rota Transpacífica como parte de sua estratégia. A rota Ásia-Europa permanece relativamente sólida, apoiada pelo congestionamento nos portos do norte da Europa e por ajustes de capacidade. Nesse mercado, a rota Xangai-Roterdã registrou quedas de 7,2% no trimestre e 38,3% no ano, enquanto a rota Xangai-Los Angeles despencou 35,5% na comparação trimestral e 46,4% no ano, refletindo a divergência entre os mercados.

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