A China concluirá em breve a fusão de duas de suas principais empresas estatais de construção naval, criando a maior empresa de construção naval do mundo. A transação, avaliada em US$ 16 bilhões, unirá a China State Shipbuilding Corporation (CSSC) e a China Shipbuilding Industry, que operarão sob uma única listagem na Bolsa de Valores de Xangai após receber aprovação regulatória, informou o WSJ.
A nova empresa terá mais de 530 navios em sua carteira de pedidos, o equivalente a 54 milhões de toneladas de peso bruto (dwt), e gerará receitas anuais próximas a US$ 18 bilhões, de acordo com seus relatórios mais recentes. A medida reforça uma meta estabelecida pela China há décadas: liderar o mercado global de construção naval.
Até 2024, os estaleiros chineses produziram 55% da capacidade global, em comparação com menos de 0,05% nos Estados Unidos, que têm uma capacidade 232 vezes menor, segundo dados da ONU e da Marinha dos EUA. No entanto, o setor está sob pressão. Tensões comerciais e ameaças de tarifas adicionais sobre embarcações construídas na China levaram algumas companhias de navegação a explorar alternativas em estaleiros na Coreia do Sul e no Japão.
O declínio do comércio global e o fortalecimento das cadeias de suprimentos domésticas em vários países também reduziram a demanda. No primeiro semestre de 2025, os pedidos globais de novas embarcações caíram 48% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, o Japão busca recuperar terreno. A Associação Japonesa de Construtores Navais, liderada pela Imabari Shipbuilding, delineou um plano para aumentar sua participação de mercado dos atuais 9% para 20% até 2030, apoiado por propostas de subsídios e um fundo público-privado de US$ 6,7 bilhões para proteger sua indústria como um ativo estratégico.
Analistas apontam que a competição entre potências, particularmente entre Pequim e Washington, continuará a acelerar a modernização tecnológica do setor naval chinês, que o governo considera uma capacidade essencial tanto economicamente quanto para a segurança nacional.

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