O segmento de grandes petroleiros apresentou um aumento notável na avaliação de navios mais antigos, em grande parte devido à atividade de compradores chineses. De acordo com um relatório da Veson Nautical, 81% das aquisições de embarcações de transporte de petróleo bruto de grande porte (VLCC) da China nos últimos cinco anos foram de navios com mais de 15 anos.
O estudo, intitulado "A Face Mutante do Comportamento do S&P Asiático", observa que os valores dos VLCCs com 25 anos aumentaram 31,6% até agora em 2024, em comparação com um crescimento de apenas 0,5% nos navios com cinco anos. Essa tendência está relacionada às mudanças nos fluxos globais de petróleo bruto após a invasão da Ucrânia e as sanções impostas à Rússia, que levaram à expansão da "frota paralela".
Um exemplo dessa tendência foi a venda em julho do navio "Eon" (anteriormente "Atlantic Loyalty") por US$ 44 milhões, quase o dobro do preço médio de navios na mesma categoria de idade. Nesse ambiente, embarcações mais antigas estão encontrando novos espaços operacionais e alcançando preços mais altos do que as mais novas, que permanecem dentro de faixas de avaliação estáveis.
O relatório destaca que a estratégia de compra da China responde a fatores estruturais e geopolíticos. As embarcações que operam em frotas paralelas têm uma idade média de 18,1 anos, em comparação com 10,4 anos para a frota em conformidade. Nesse sistema alternativo, a escassez de embarcações dispostas a assumir riscos regulatórios aumenta a demanda e concede prêmios adicionais às embarcações VLCC mais antigas.
De acordo com Matt Freeman, vice-presidente de Valores Mobiliários e Análises da Veson Nautical, as sanções criaram um sistema no qual embarcações mais antigas podem gerar receitas maiores do que as modernas, enquanto os compradores chineses, com acesso a financiamento competitivo, estão em posição de adquiri-las rapidamente para aproveitar as oportunidades vinculadas ao comércio de petróleo bruto sancionado.
O relatório também destaca diferenças nas estratégias de outros países asiáticos. Enquanto a China concentra suas aquisições em VLCCs mais antigos, a Coreia do Sul opta por embarcações de meia-idade sob uma abordagem anticíclica, e o Japão está migrando para embarcações MR2 mais novas, consideradas ativos mais versáteis e compatíveis com suas estruturas financeiras e regulatórias.

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