terça-feira, 2 de setembro de 2025

Digitalização redefine eficiência e seguridade no setor portuário global

 

A revolução digital transformou portos tradicionais em hubs inteligentes e conectados, capazes de gerenciar operações com maior eficiência, visibilidade e sustentabilidade em toda a cadeia logística marítima. De acordo com o Módulo 9 do relatório Port Reform Toolkit 3ª Edição do Banco Mundial, a digitalização permite a substituição de processos manuais e fragmentados por sistemas baseados em dados, o que pode reduzir os custos do comércio global em até 14%.

“A digitalização no setor marítimo representa uma mudança transformadora, integrando uma vasta rede de dispositivos, sistemas e atores para melhorar a conectividade em portos e operações marítimas em todo o mundo”, afirma o relatório. Essa evolução transforma os portos em hubs de infraestrutura digital que não apenas gerenciam cargas e serviços de embarcações, mas também facilitam a troca de informações em toda a cadeia de suprimentos, aumentando a competitividade e a resiliência. B

Entre os principais benefícios identificados estão a redução de custos, a melhoria da eficiência operacional e a sustentabilidade ambiental. O relatório destaca sistemas como a Janela Única Marítima (MSW) e os Sistemas Comunitários Portuários (PCS), plataformas digitais que integram diferentes partes interessadas portuárias para trocar informações sem papel e agilizar processos.

De acordo com o documento, essas ferramentas são “extremamente importantes para a infraestrutura portuária digital, permitindo um fluxo de dados eficiente e seguro entre o porto e a embarcação”. A integração de tecnologias avançadas, como a Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial, análises avançadas e realidade aumentada, permite monitoramento em tempo real, manutenção preditiva e tomada de decisões mais eficiente.

Além disso, a digitalização potencializa a automação e o uso de sistemas autônomos, incluindo veículos guiados automatizados, drones e embarcações autônomas, que “melhoram a eficiência operacional, reduzem o erro humano e fortalecem a segurança”, destaca o relatório.

No entanto, essa conectividade também aumenta a exposição a riscos cibernéticos. O relatório relembra o impacto do ransomware NotPetya em 2017, que paralisou os terminais APM e afetou 76 portos em todo o mundo, gerando perdas entre US$ 250 e US$ 300 milhões para a Maersk.

“Este incidente foi um alerta para um setor que historicamente considerava a segurança cibernética uma questão secundária”, alerta o relatório. O relatório destaca a necessidade de proteger os sistemas digitais com medidas integradas de segurança cibernética e física (protegendo tanto os sistemas de TI quanto os equipamentos e processos físicos que deles dependem), alinhadas às diretrizes internacionais atualizadas.

A gestão de riscos inclui preparação, resposta a incidentese recuperação, garantindo a continuidade das operações críticas na cadeia logística global. O Banco Mundial recomenda uma abordagem em fases para a transformação digital: curto, médio e longo prazo. As reformas abrangem desde a implementação de plataformas de RSU e PCS até a integração de tecnologias inteligentes e sistemas autônomos, bem como a padronização e harmonização de dados entre os diferentes atores da cadeia de suprimentos marítima.

Além disso, o desenvolvimento de habilidades digitais é fundamental. O relatório enfatiza que “o treinamento da equipe é essencial para que a força de trabalho gerencie e utilize com eficácia as novas tecnologias digitais”. A colaboração entre companhias marítimas, portos, provedores de logística e agências governamentais torna-se um elemento central para a implementação bem-sucedida de soluções digitais.

A digitalização também contribui para a sustentabilidade ambiental. Ao otimizar rotas, reduzir o consumo de combustível e as emissões, os portos digitais podem cumprir as regulamentações ambientais globais e atrair financiamento para projetos de longo prazo. Além disso, a pandemia da COVID-19 destacou a importância de ter cadeias de suprimentos resilientes e adaptáveis; a digitalização permite manter a continuidade operacional diante de interrupções e desafios imprevistos.

O relatório conclui que a combinação de tecnologia, segurança cibernética, desenvolvimento de talentos e colaboração interinstitucional é fundamental para que os portos alcancem uma transição digital eficaz. Os portos que integrarem esses elementos com sucesso estarão melhor posicionados para operar com eficiência, segurança e sustentabilidade em um ambiente marítimo global cada vez mais competitivo. “Para permanecerem competitivos e sustentáveis, os portos devem aproveitar os benefícios da digitalização e, ao mesmo tempo, abordar proativamente os desafios associados”, resume o módulo.

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