quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Embarques de soja do Brasil desaceleram enquanto a Argentina comemora o aumento da sua colheita


 

O mercado global de grãos em setembro é marcado por um cenário em que os Estados Unidos pressionam a China a aumentar suas compras, enquanto Brasil e Argentina consolidam suas posições como fornecedores estratégicos de soja e derivados. De acordo com a BRS Dry Bulk, as projeções para a safra 2025/26 de soja apontam para um crescimento robusto nos embarques da Costa Leste da América do Sul (ECSA):

“As exportações brasileiras de soja devem atingir 112 milhões de toneladas, 10% a mais que no ano anterior, enquanto os embarques argentinos de farelo de soja devem atingir 30 milhões de toneladas, 2% a mais que no ano anterior.” No entanto, os embarques brasileiros enfrentaram atritos em agosto. O mercado relata que os produtores estão retendo as vendas enquanto aguardam por preços melhores, enquanto “gargalos logísticos devido ao aumento das filas de navios nos principais portos também limitaram as exportações”.

Mesmo assim, picos sazonais são esperados para o quarto trimestre, o que manteria a pressão sobre os portos da ECSA. A Argentina, por sua vez, aproveita um cenário mais favorável: "O complexo de soja argentino está ganhando força, com maior capacidade de moagem e preços mais firmes que sustentam sua posição", relata a BRS Dy Bulk

Esse fortalecimento da indústria de processamento permite ao país agregar valor e manter sua participação em um mercado global onde o farelo de soja continua sendo um insumo fundamental para a alimentação animal. Paralelamente, a chegada da nova safra americana a partir de setembro, com preços mais competitivos, aumenta a pressão sobre a equação.

O próprio presidente Donald Trump instou publicamente a China a retomar as compras de soja americana antes da colheita de setembro, mas até o momento não houve sinal de resposta de Pequim. A falta de definições comerciais mantém a incerteza sobre os fluxos globais.

Além da soja, o relatório destaca um cenário misto para outros grãos: o trigo europeu mostra uma produção revisada para cima, enquanto Rússia e Ucrânia enfrentam limitações devido a secas, geadas e novas pressões tarifárias da União Europeia. No milho, por outro lado, a abundância da safra americana — aliada à recuperação na Ucrânia — está redefinindo o fornecimento para a Ásia e a Europa.

Essas flutuações têm impacto direto no transporte marítimo: “Os fluxos de grãos da ECSA para a Ásia ampliaram as distâncias percorridas, os navios foram contratados por períodos mais longos e a pressão sobre o mercado de frete permaneceu”, enfatiza a BRS Dry Bulk.

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