segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Hapag Lloyd acelera renovação da frota com encomendas de navios próprios e fretamento a longo prazo


 

A Hapag-Lloyd deu um passo significativo  em dezembro em sua estratégia de renovação de frota ao confirmar novas encomendas para seus próprios navios e uma série de contratos de afretamento de longo prazo com armadores não operadores. Juntas, essas decisões visam substituir a capacidade obsoleta, melhorar a eficiência operacional e avançar gradualmente na descarbonização sem sacrificar a flexibilidade financeira.

A medida mais significativa é a encomenda firme de oito navios porta-contêineres de 4.500 TEU movidos a metanol, que serão construídos pela CIMC Raffles na China, com entregas previstas para 2028 e 2029. Segundo a empresa de navegação, o investimento total ultrapassa US$ 500 milhões. Considerando os parâmetros de mercado — em que encomendas semelhantes para navios movidos a propulsão convencional têm um custo médio de cerca de US$ 58 milhões por navio — o custo estimado por navio de combustível duplo seria de aproximadamente US$ 66 milhões, elevando o investimento total para cerca de US$ 530 milhões.

Esses navios marcarão um marco para a companhia de navegação, pois serão as primeiras embarcações novas da Hapag-Lloyd projetadas para operar com metanol. Até então, a companhia havia se concentrado em navios convencionais e movidos a GNL, embora já participe, em parceria com a Seaspan, de um projeto de conversão para metanol em navios da classe SAVER, com capacidade para 10.010 TEUs. Os novos navios de 4.500 TEUs também permitirão que a empresa retire de serviço navios Panamax mais antigos, construídos entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, como os das classes Kobe Express, Dallas Express e Dublin Express.

Ao mesmo tempo, a Hapag-Lloyd confirmou que dará suporte a mais 14 encomendas de construção por meio de futuros contratos de afretamento, além de dois contratos para navios de 7.100 TEUs. No total, entre navios próprios e afretados, a companhia se comprometeu com um programa de substituição de 22 navios de pequeno e médio porte, com foco em rotas regionais. Os seguintes projetos se destacam neste programa de construção: Quatro navios de 4.500 TEU encomendados pela MPC Container Ships (MPCC) à Jiangsu Hantong, que serão fretados pela Hapag-Lloyd por dez anos, com opções de prorrogação. Seis navios de 3.700 TEU, também da MPCC, construídos pela Taizhou Sanfu, com base no projeto MARIC Hercules 3700, com entregas a partir de meados de 2028. Quatro navios de 1.800 TEU (Bangkokmax) encomendados pela Danaos à CIMC Nantong, também sob contratos de fretamento de dez anos, com entregas previstas para 2027 e 2028.

Ao contrário dos navios movidos a metanol da própria empresa, os navios fretados terão propulsão convencional, embora vários projetos já incorporem combustíveis alternativos e tecnologias de redução de emissões. O CEO da Hapag-Lloyd, Rolf Habben Jansen, contextualizou essas decisões dentro do plano estratégico da empresa: “A modernização contínua de nossa frota está firmemente ancorada em nossa Estratégia 2030. Os novos navios ajudarão a substituir a capacidade obsoleta, a descarbonizar ainda mais a frota da Hapag-Lloyd e a reduzir nossa dependência do mercado de afretamento.” Com esses compromissos, a carteira de encomendas da Hapag-Lloyd agora totaliza 56 navios, equivalentes a 472.000 TEUs, incluindo grandes navios porta-contêineres de GNL e vários navios convencionais afretados. Isso representa uma combinação equilibrada de propriedade, afretamento de longo prazo e uma transição energética gradual, projetada para sustentar a competitividade e a eficiência nos próximos anos.

Movimentação de cargas em novembro confirma expectativa de novo recorde anual em Santos

 

O Porto de Santos manteve, em novembro, o ritmo de crescimento consolidado ao longo de 2025 e voltou a registrar recordes históricos de movimentação de cargas. O mês encerrou com 16,13 milhões de toneladas, a maior marca já registrada para um mês de novembro, enquanto o acumulado do ano atingiu 171,62 milhões de toneladas, também recorde para o período.

Com esse desempenho, faltam apenas 7,4 milhões de toneladas para que o Porto supere o recorde anual de 2024, quando foram movimentadas 179,8 milhões de toneladas, reforçando a expectativa de um novo marco histórico até o fechamento do ano.

A movimentação de contêineres também apresentou crescimento expressivo. O acumulado de 2025 já alcança 5,4 milhões de TEU, avanço de 8% em relação a 2024 e novo recorde histórico. (TEU é a unidade padrão equivalente a um contêiner de 20 pés.)

“É um resultado esperado, mas extremamente significativo. Ele confirma a urgência da ampliação da Poligonal do Porto de Santos, cuja formalização ocorrerá em janeiro, além do reforço contínuo nas infraestruturas de acesso, como o aprofundamento do canal e as obras das avenidas perimetrais”, afirma o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini.

Desempenho mensal

Na comparação com novembro de 2024, o crescimento total foi de 13,9%.
•     Embarques: passaram de 10,01 milhões para 11,57 milhões de toneladas (+15,6%).
•     Desembarques: cresceram 11,1%, de 4,10 milhões para 4,56 milhões de toneladas.

Entre as cargas embarcadas, açúcar, milho e soja ultrapassaram 2 milhões de toneladas cada, liderando o desempenho do mês. Nos desembarques, o destaque foi o adubo, com volume superior a 1 milhão de toneladas.

Em contêineres, novembro também foi o melhor da história do Porto, com 489,15 mil TEU, crescimento de 5,3% em relação ao mesmo mês de 2024 (464,7 mil TEU).

Movimento acumulado em 2025

Entre janeiro e novembro, o complexo portuário de Santos movimentou mais de 171,2 milhões de toneladas, alta de 2,7% na comparação com o mesmo período de 2024.
•     Embarques: 126,68 milhões de toneladas (+3%).
•     Desembarques: 44,95 milhões de toneladas (+1,8%).

No segmento de contêineres, o volume acumulado chegou a 5,4 milhões de TEU, consolidando crescimento de 8% e novo recorde histórico.

Mais uma vez, o agronegócio teve papel central no desempenho do Porto. As cargas com maior participação foram:
•     Soja em grãos: 33,83 milhões de toneladas
•     Açúcar: 22,45 milhões de toneladas
•     Milho: 12,65 milhões de toneladas

Destaque ainda para a celulose, que apresentou crescimento de 20,3% em 2025, alcançando 8,9 milhões de toneladas movimentadas.

 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

China se blinda ante possível conflito EUA/Venezuela com armazenagem de petróleo em navios-tanque no mar


 

O volume de petróleo bruto venezuelano armazenado em navios-tanque no mar atingiu pouco mais de 20 milhões de barris, o nível mais alto em mais de três anos, segundo dados da empresa de rastreamento Kpler, divulgados pela Bloomberg. Esse acúmulo pode ajudar a mitigar potenciais interrupções no fornecimento para a China, principal destino do petróleo venezuelano, em meio à crescente pressão dos EUA sobre o setor energético do país sul-americano. De acordo com informações disponíveis, uma parcela significativa desses carregamentos está em águas asiáticas, facilitando o acesso para refinarias chinesas. O volume atual representa um aumento em comparação com os aproximadamente 18 milhões de barris registrados no início do mês. A recente apreensão de um navio-tanque na costa da Venezuela por forças americanas está gerando incertezas em relação às exportações, embora as operações de carregamento continuem utilizando embarcações operadas por intermediários. Embora a China não tenha divulgado importações oficiais de petróleo bruto venezuelano desde março, o rastreamento marítimo e dados de terceiros indicam que os fluxos para a Ásia continuaram ao longo do ano. Os principais compradores na China são refinarias independentes, conhecidas como "teapots", que compram petróleo bruto Merey, um óleo pesado usado principalmente para a produção de betume. Esse tipo de petróleo bruto é negociado com descontos significativos em comparação com outros tipos, tornando-o atraente em um contexto de margens apertadas. O ambiente econômico da China também influencia a demanda. A desaceleração no setor imobiliário e o fraco consumo refletem-se nos preços futuros do betume em Xangai, que estão em mínimas de quatro anos, indicando demanda física limitada. Segundo analistas de mercado, a China poderá evitar restrições de oferta até o final do primeiro trimestre do próximo ano, mesmo que as medidas dos EUA contra a rede de exportação venezuelana se intensifiquem. No entanto, substituir completamente os volumes da Venezuela implicaria custos mais elevados. Alternativas como o petróleo bruto Canadian Access Western Blend são mais caras, enquanto alguns tipos de petróleo bruto iraniano oferecem preços intermediários. Após a apreensão do navio, o petróleo bruto Merey teria sido oferecido a compradores chineses com descontos de cerca de US$ 12 por barril em comparação com o Brent da ICE, segundo operadores de mercado, embora nenhuma transação nesses níveis tenha sido confirmada. Antes desse incidente, os descontos chegavam a US$ 15 por barril. O transporte de petróleo bruto venezuelano para a China normalmente leva mais de dois meses e envolve múltiplas transferências entre embarcações, uma prática utilizada para ocultar a origem dos carregamentos. Dados de rastreamento indicam que aproximadamente metade dos petroleiros que armazenam petróleo bruto de Merey estão em águas próximas à China e ao Sudeste Asiático.