quarta-feira, 2 de julho de 2014
Devagar com o andor que a Copa é de barro
A Copa do Mundo já teve realizados 56 dos 64 jogos previstos e o saldo, até aqui, é amplamente favorável. As expectativas sombrias sobre a capacidade em organizar o evento não se confirmaram e nada indica que isto venha a acontecer nas últimas oito partidas. Os estádios ficaram prontos, os torcedores circularam sem maiores dificuldades, inclusive nos aeroportos, hotéis, bares e restaurantes e a confraternização entre brasileiros e estrangeiros foi um show à parte. E é o que devemos comemorar porque estes são os verdadeiros legados que o mundial da Fifa deixa para o país: a capacidade de fazer as coisas e a alegria, a simpatia e a gentileza para receber os visitantes, que passam para todo o planeta uma imagem positiva do Brasil. O mais, é o tradicional discurso oportunista, continuamos com as mesmas deficiências na educação, na saúde, na segurança, no transporte e na infraestura. Seguimos ocupando uma modesta posição no comércio global e a economia não aponta indícios de que vai sair tão cedo da estagnação em que se contra há um bom tempo. Ganhos diretamente obtidos com a Copa, então, é uma miragem construída por alguns. O economista polonês, radicado nos Estados Unidos, Stefan Szymanski, um dos mais respeitados estudiosos dos efeitos da competição, assim como as Olimpíadas, nos paísaes que as sediaram, desmancha os argumentos dos mais entusiastas. Segundo o economista, autor do livro "Soccernomics" (junção dos termos em inglês futebol e economia), em todos os países-sedes destes megaeventos, os ganhos foram inexpressivos. O caso do Brasil ilustra sua tese. As receitas obtidas com o mundial somaram 6,8 bilhões, de acordo com cálculos oficiais, insuficientes para cobrir os gastos para sua realização, que alcançaram R$ 8 bilhões. Alguns exemplos: houve crescimento na movimentação de passageiros nos voos para as cidades onde aconteceram as partidas, mas a ocupação caiu nas outras rotas. Os bares, hotéis e restaurantes registraram crescimento nos lucros, contudo, o resto do comércio amargou sensível queda nas vendas. As fábricas em geral produziram menos no período.
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