segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Costa Oeste da América do Sul lidera ranking global de confiabilidade em 2025


 

A confiabilidade dos horários das linhas de navegação em todo o mundo apresentou uma tendência lateral em 2025, um fato que, analistas da Xeneta, não deve ser interpretado como um cenário de verdadeira estabilidade. Destacou que essa "estabilização" foi resultado de forças opostas que se neutralizaram, e não de uma melhoria sustentada no cumprimento dos horários.

A costa oeste da América do Sul se destacou globalmente com uma taxa de confiabilidade de 48%. Ozuygur enfatiza que a análise das escalas de navios em todas as rotas globais revela pressões estruturais persistentes. Entre os principais fatores negativos, estava o uso contínuo do Cabo da Boa Esperança como rota padrão para serviços entre o Extremo Oriente e a Europa, e entre o Extremo Oriente e o Oriente Médio, um desvio que continuou a impactar significativamente os tempos de trânsito e a pontualidade.

Em contrapartida, a implementação do modelo hub-and-spoke aprimorado da Gemini Cooperation atuou como um fator compensatório, aumentando a confiabilidade em diversas rotas. Na rota Europa-América do Norte, onde a Gemini mantém uma posição dominante ao lado da MSC, a melhoria também foi impulsionada por um ambiente geopolítico relativamente mais estável.

"A menor instabilidade nas relações tarifárias entre os Estados Unidos e a Europa contribuiu para uma maior confiabilidade", observa a empresa. A situação foi mais complexa na rota Extremo Oriente-América do Norte. Lá, as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China se refletiram não apenas nas variações nas chegadas no horário previsto, mas também em períodos específicos de alta incerteza.

Segundo Ozuygur, "o impacto das guerras tarifárias não se limitou à pontualidade, mas também foi evidente nos cancelamentos de voos e em semanas com quedas acentuadas na confiabilidade". Costa Oeste da América do Sul na liderança Em termos de desempenho médio anual, a Costa Oeste da América do Sul liderou o ranking global de confiabilidade, com 48% de chegadas no horário previsto e um atraso médio de 2,2 dias, embora tenha sido seguida de perto pela rota Europa-América do Norte (42%).

Mais abaixo na lista ficaram as rotas Extremo Oriente-América do Norte (38%) e Oceania (36%). Na parte inferior do ranking ficaram o Extremo Oriente-Europa (29%) e o Oriente Médio (28%), um resultado que a Xeneta considera previsível, dado o impacto prolongado da crise do Mar Vermelho desde o início de 2024. A análise comparativa entre o primeiro e o quarto trimestres de 2025 oferece uma visão mais aprofundada.

Algumas rotas apresentaram melhorias significativas na pontualidade, como a Europa-América do Norte, que aumentou suas chegadas no horário em 33%, e a Oceania, com um aumento de 25%. No entanto, essas melhorias nem sempre se traduziram em melhores posições relativas. "Uma melhoria líquida não equivale necessariamente a uma melhor classificação", enfatiza Ozuygur, destacando que a consistência histórica continua sendo crucial. O caso do Oriente Médio ilustra esse ponto: embora tenha registrado uma perda de confiabilidade menor do que outras rotas, terminou novamente em último lugar.

Por outro lado, a Costa Oeste da América do Sul manteve sua liderança, apesar de uma melhoria mais moderada. "O sucesso é cumulativo, a consistência é fundamental e a resiliência geralmente supera ganhos isolados", resume o analista. Riscos Mais Profundos Por fim, a análise alerta que as médias mensais ou trimestrais podem mascarar riscos mais profundos.

No terceiro trimestre, a confiabilidade semanal da rota Extremo Oriente-América do Norte teve uma média de 36%, mas chegou a cair para 26% em algumas semanas. Isso foi agravado por um aumento acentuado no número de viagens canceladas: entre março e maio, foram registrados 163 itinerários cancelados, 43% a mais do que no mesmo período de 2014. Para a Ozuygur, esse fenômeno demonstra que “é necessário diversificar as métricas de confiabilidade para realmente entender a resiliência das cadeias logísticas”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário